Anarcocapitalismo pilhagem legalizada

Publicado em 13 de janeiro de 2014 | por Ivanildo Terceiro

Como alguém iria pagar por seus crimes no anarcocapitalismo

Algo que perturba muitos libertários em inúmeras discussões internet à fora é o argumento de que um criminoso nunca iria livremente aceitar ser julgado.

O que é bem óbvio até. Afinal se você mata, rouba, sequestra, sai por aí praticando o esporte preferido de certos pagodeiros comunistas, é óbvio que a última coisa que você vai querer que ocorra é a possibilidade de passar uma temporada na cadeia.

E se você pode simplesmente falar que não quer ser julgado e as pessoas tem que respeitar isso é provável que o faça. Supostamente ainda teríamos algo pior em uma sociedade voluntarista, a vítima e o agressor é que escolheriam em conjunto um juiz. Sim, o cara mata sua mãe e ainda escolhe o juiz que vai julgá-lo.

Qualquer ser humano acharia isso um absurdo, e o é. Não entendo porque ficam tentando colar isso no anarcocapitalismo quando as coisas provavelmente vão passar longe disso.

Imagine a seguinte situação, você volta para casa depois de um longo dia de trabalho, abre calmamente a porta, acende as luzes para se dar conta que toda a sua coleção de CDs do Sidney Magal foi roubada por um salafrário qualquer.

Você então liga para sua agência de segurança, essa por sua vez de forma sábia tinha colocado uma câmera na sua casa e rapidamente encontra o ladrão dos seus CDs.

O cidadão mesmo com uma filmagem dele invadindo sua casa, com os seus CDs, nega que tenha cometido qualquer crime. Ele então liga pra agência de segurança dele, ela poderia entrar em guerra com a sua agência para proteger o seu cliente, mas honestamente, isso seria muito custoso em termos materiais e humanos para ambas.

Então o que elas fazem? Elegem um membro imparcial previamente acordado entre elas para julgar o caso, damos o nome a ele de Juiz. O Juiz olha para cara de corintiano do cidadão ato-contínuo manda devolver os seus CDs e colocar ele um tempo na cadeia para pagar todas as custas do processo e aprender que roubar é errado. Até aqui todo mundo feliz, não é?

Mas e se o ladrão se recusasse a ser julgado? Ora, ele não teria essa opção. Quando ele assinou um contrato com a sua agência de segurança essa colocou uma cláusula que permitia a resolução de conflitos através daquele Juiz, em vez de entrar em guerra com outras agências de segurança. Se ele não aceita o julgamento, está quebrando o contrato e entramos então no segundo questionamento:

Mas e se ele não tivesse contratado nenhuma agência? Mais simples ainda, ele não teria ninguém para protegê-lo. Sua agência poderia chegar dando chute na porta, tapa na cara e cantando Tropa de Elite (Okay, nem tudo isso. Isso custa dinheiro é ineficiente, enfim, vocês entenderam) que ninguém viria salvá-lo, nesse caso um julgamento seria mera formalidade pra garantir a amizade do juiz.

O ponto é aqui simples, as agências não tem incentivos para entrarem em guerra, é algo que seria demasiadamente custoso para ambas. Optam então por mediarem o conflito com um juiz que foi previamente acordado e aceito por ambos os clientes das agências antes mesmo de alguma ilegalidade ter sido cometida.

Aqueles que resolvessem ficar de fora do sistema legal estariam totalmente desprotegidos, o que não é algo muito inteligente de se fazer.


Sobre o autor

Ivanildo Terceiro

Coordenador Regional do EPL/PB; Gerente Executivo do Portal Libertarianismo, também é um moleque insolente nas horas vagas.



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