Economia paul krugman

Publicado em 6 de agosto de 2013 | por James C. W. Ahiakpor

A falsa dicotomia entre austeridade e riqueza

O Keynesianismo, com sua ênfase na administração da demanda agregada para promoção da prosperidade econômica, desde 2008 vem se provando um fracasso nos Estados Unidos e em outros lugares do mundo. Os cortes nos impostos que Bush fez em 2008 junto do resgate dos bancos de investimento (bailouts) antes da posse do presidente Barack Obama se encaixam no modelo keynesiano de promoção do consumo para sustentar a atividade econômica. As várias formas de estímulo do presidente Obama tinham a mesma intenção, e não produziram os resultados prometidos. Ignorando as evidências, os adeptos da teoria keynesiana de como a economia funciona mudaram seu discurso de elogio ao estimulo econômico para outro destacando uma falsa escolha entre orçamentos austeros e crescimento econômico.

Tal mudança de discurso aparentemente teve influência na ultima eleição presidencial na França. Quando Nicolas Sarkozy perdeu para o socialista Francois Hollande, o qual divulgou a virtude do estímulo ao crescimento em detrimento da disciplina fiscal. A mesma escolha falsa foi elogiada nas eleições gregas de Junho mas sem uma vitória decisiva para os estatistas fomentadores do crescimento. O contraste entre a disciplina orçamentária do governo e o estimulo ao crescimento econômico por meio de maiores gastos governamentais certamente será pronunciado nas eleições norte-americana. É por isso que a insignificância das supostas alternativas precisa ser exposta: orçamentos austeros são os meios lógicos para a restauração do crescimento econômico; a austeridade e o crescimento econômico não são excludentes. O insucesso dos governos em promover uma recuperação econômica robusta desde a “Grande Depressão” persistirá se a maioria do público votante iludir-se e pensar que votar contra a austeridade é um voto em favor do crescimento econômico.

A chave para se entender a falsidade da oposição entre orçamentos austeros e o fomento ao crescimento econômico é simples. Em primeiro lugar, sempre que um governo gasta, ele deve primeiro tirar (arrecadar) dos pagadores de impostos e compradores de títulos. Dessa forma, a menos que um governo tome emprestado de não-residentes ou do Banco Central, existe meramente uma substituição simples nos gastos entre o setor privado e o setor governamental. Contrário à mitologia keynesiana, portanto, o aumento do gasto governamental, seja ele financiado por maiores impostos ou empréstimos domésticos, não mudam o gasto total, ou a chamada demanda agregada. Justamente por isso, a diminuição do gasto governamental não reduz o gasto total. Tudo o que o governo não retira do público para gastar é retido para ser gasto pelos pagadores de impostos ou pelos potenciais obrigacionistas (compradores de títulos).

Segundo, os indivíduos são muito superiores na administração de fundos ou investimentos (advindos de suas poupanças) do que os burocratas do governo incumbidos de gastar dinheiro dos impostos ou fundos oriundos da venda de títulos governamentais. Dessa forma, mesmo que o aumento dos gastos governamentais não mudem os gastos totais quando financiados por impostos ou empréstimos domésticos, ele aumenta a parcela da renda total ou PIB sob controle dos burocratas governamentais e diminui a eficiência do funcionamento da economia e seu crescimento. A austeridade – isto é, o corte do gasto governamental – particularmente quando a arrecadação de receita diminui, é então o caminho racional para reduzir o efeito negativo que a ineficiência que a maior parte do gasto governamental tem sobre a economia.

O Multiplicador

Servidores públicos demitidos podem não encontrar empregos alternativos rapidamente numa recessão; sua sorte pode melhorar, contudo, com a recuperação econômica. O mesmo se aplica para os desempregados do setor privado. A recuperação ocorrerá quando a atividade econômica do setor privado esquentar – com os produtores antecipando a demanda por bens e serviços e contratando trabalhadores para atender tal demanda antecipada.

Mas aqui é onde os seguidores de Keynes põem o carroça na frente dos bois. Por acreditar que os empregadores devem primeiro antecipar a demanda antes de contratar os trabalhadores, além de aceitar que a apropriação governamental de fundos para pagar seus funcionários (ao invés de despedi-los) promoveria a atividade empresarial privada – o efeito multiplicador keynesiano. No entanto, como já apontado, quando o governo se apropria de fundos ele meramente tira o lugar do gasto do setor privado.

O fracasso do estímulo de US$ 787 milhões em 2009, em 2010 do programa Cash for Clunkers [N.R: O programa dava dinheiro aos donos de carros que vendessem seus carros velhos e comprassem novos, uma tentativa de estimular a indústria automobilística] , subsídios às hipotecas, a extensão do auxilio desemprego, e outras distribuições de fundos pela administração Obama para estimular a demanda agregada e aumentar a renda nacional em um fator de 1.5 (de acordo com a lógica de Christina Romer e seus colegas no Conselho de Consultores Econômicos) – atestam o erro fundamental do pensamento keynesiano.

Como fazer a economia crescer

Em uma palestra de 1755, Adam Smith explicou que “para levar um estado do nível de barbarismo até o maior grau de opulência pouco mais é necessário além da paz, baixos impostos e uma administração tolerável da justiça: todo o resto advirá do curso natural das coisas”. “O curso natural das coisas” de Smith refere-se à busca da atividade econômica no setor privado, seja ela oriunda do amor-próprio ou do interesse particular dos indivíduos. Tal busca, Smith também nota no livro A Riqueza das Nações, é movida pelo “desejo de melhorar nossa condição, um desejo que, embora geralmente calmo e controlado, surge no nosso nascimento e só nos deixa na morte”.

Mas graças à arrogância (ou ignorância) de Keynes e seus seguidores, entre os quais nos Estados Unidos hoje em dia estão Paul Krugman e Robert Reich, nós temos pessoas clamando que os governos podem promover o crescimento econômico diretamente por meio do aumento de gastos ao invés do que meramente criar um ambiente propício onde a iniciativa privada possa prosperar. Chegamos tão longe nessa versão do que Smith descreveu como “insensato e soberbo”, ou “presunção”, que os políticos falam sobre “crescer” a economia como se eles fossem agricultores cuidando de uma plantação.

Se as alocações orçamentárias governamentais fossem a melhor forma para promover a prosperidade econômica, as economias da defunta União Soviética e da China maoísta seriam modelos para o mundo.

É hora dos keynesianos reconhecerem suas falhas, poupando a humanidade da agonia prolongada causada pelo mal funcionamento da economia. A austeridade orçamentária não é uma alternativa à promoção do crescimento econômica, mas o caminho racional para ele.

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Tradução de Matehus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro.


Sobre o autor

James C. W. Ahiakpor

James Ahiakpor é professor de economia na California State University. É Ph.D em economia pela Universidade de Toronto.



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