Cultura & Humor Deus Ex-Human Revolution

Publicado em 25 de abril de 2013 | por Peter Suderman

6 jogos que todo libertário deveria jogar

Até recentemente, contar histórias populares era essencialmente uma arte de cima para baixo: Romancistas contavam aos leitores como os personagens pensavam e sentiam, dramaturgos determinavam o que eles diziam, e diretores de filmes submetiam os espectadores cativos as suas próprias visões particulares. A história que você via era a história que outra pessoa havia imaginado, e a interação da audiência era limitada a jogar tomates no palco, ou rabiscar nas margens de um livro. Até esportes populares eram basicamente passivos: os fãs podem acompanhar todos os detalhes, mas as jogadas e seus resultados eram determinados pelas ações de uma pequena elite no campo.

Mas nos últimos 40 anos, os videogames começaram a mudar tudo isso. Os jogos foram construídos pensando em interatividade: jogadores conseguiam o que queriam, e não o que outra pessoa dava a eles. E conforme a tecnologia que torna os videogames possíveis foi ficando mais barata e mais abundante, esses jogos têm cada vez mais focado em arquiteturas complexas de escolhas, desenvolvidas para permitir aos jogadores fazerem suas próprias histórias. Os desenvolvedores de jogos ainda constroem o ambiente de jogo, e alguns são mais restritos que outros. Mas o desenvolvimento de jogos tendeu para a expansão de escolhas para o jogador. Você está no centro da experiência, e você a torna sua. A estrela do show não é algum escritor ou ator ou jogador na tela. A estrela é você.

Provavelmente é exagero dizer que os videogames oferecem aos jogadores liberdade do controle dos autores — afinal, os jogos ainda têm designers, e as histórias antigas não foram exatamente forçadas sobre seus leitores. Mas a ascensão dos videogames como uma forma de arte popular é certamente um sinal de como as histórias de ontem, amplamente universalizadas, se tornaram uma série de narrativas de nicho, cada uma projetada para servir a um interesse individual.

Tudo isso torna os videogames de especial interesse a libertários interessados na forma em que a combinação de tecnologia, liberdade política, e atitudes sociais em evolução têm resultado em uma explosão de interesses subculturais e modos alternativos de entretenimento. Então, não é particularmente surpreendente descobrir que vários jogos construíram ideias e conceitos que chamam atenção de libertários — algumas vezes positivamente, algumas vezes criticamente. Como a atual geração de consoles está em seu último suspiro, vale a pena relembrarmos seis jogos de especial interesse para aqueles que gostam que suas mentes e seus mercados sejam livres.

1. Fallout 3 

Um RPG pós-apocalíptico situado em uma versão futurista de Washington, bombardeada, conhecida como Capital Devastada. Tribos de aspirantes à autoridade estão em guerra pelo controle, ladrões e golpistas tentam pegar suas armas e seu dinheiro a cada oportunidade, robôs super inteligentes tentam reestruturar a sociedade, e o lugar todo é infestado por super mutantes. Em outras palavras, é muito parecida com a Washington que todos conhecemos e amamos hoje. Fallout 3 também é um dos jogos mais expansivos, abertos, e sombriamente engraçados já feitos.

2. Bioshock

Os jogadores batalham em meio às ruínas de uma cidade, Art Deco, subaquática, estabelecida como um tipo de utopia anarquista de ficção científica  —onde a modificação biológica é abundante, ladrões são tratados como escória, e a busca pelo desejo pessoal e pela realização é tratada como o objetivo de vida mais nobre. O vilão é claramente desenvolvido como uma crítica aos super individualistas de Ayn Rand, mas em uma reviravolta no meio do jogo, ele mostra que não é simplesmente um vilão. A revelação transforma Bioshock, de uma homenagem satírica, de ação, à Rand, em uma inteligente crítica sobre a percepção de liberdade individual e a natureza da escolha.

3. Red Dead Redemption

O individualismo anti-governo é tão forte nesse Faroeste de mundo aberto, que ele é ocasionalmente acusado de ser de fato uma propaganda libertária. Mas o que ele realmente oferece é uma perspectiva direcionada ao personagem: Os jogadores se passam por John Marston, um antigo fora da lei que ressentidamente presta serviços para o exército mexicano e para agentes corruptos do governo americano — os agentes ajudam a sequestrar sua família. As forças em ambos os lados da fronteira são perigosas, e Marston, agora um homem de família, não quer se envolver nisso. No final, os jogadores assumem o papel do filho de Marston, anos depois, a fim de conseguir vingança. Red Dead Redemption é uma grande peça do gênero sobre o declínio do Oeste fora da lei, e uma visão de efeito surpreendente sobre as consequências geracionais da violência.

4. Fable III

Fable II ofereceu um vasto mundo aberto no qual praticamente qualquer coisa estava à venda: Casas, itens, lojas — o que você quisesse, você podia comprar. Melhor ainda, a violência e outras ações no jogo afetavam os preços locais, o que significava que o jogo funcionava como um simulador econômico simples, encorajando empresários no jogo a comprar baixo e vender alto. Fable III adiciona política à mistura. Os jogadores não apenas participam de uma complexa economia de jogo, mas são efetivamente obrigados a fazer campanha para o cargo de rei. Isso significa fazer promessas para conquistar os cidadãos no jogo. Mas conquistá-los não significa vencer o jogo. Após assumir o trono, os jogadores precisam ou manter aquelas promessas — uma tarefa que geralmente acaba se tornando difícil, ou até mesmo contraditória — ou levar o mundo do jogo para uma direção totalmente nova, correndo o risco de enfurecer os cidadãos.

5. L.A. Noire

L.A. Noire oferece uma recriação altamente detalhada de Hollywood, logo após a Segunda Guerra Mundial. E apesar de muitos jogos de mundo aberto permitirem e até encorajarem os jogadores a se engajarem em roubos, desta vez, o objetivo é impor ordem: Os jogadores assumem o papel de um sério investigador de polícia subindo na carreira ao resolver os casos. A inovação mais intrigante do jogo é a chance de conduzir “interrogatórios” com os suspeitos. O desafio é determinar, baseado no comportamento do suspeito, se ele ou ela está mentindo. Mas diferentemente da maioria dos desafios dos videogames, não há um truque pra aprender isso. Ao final, é uma mistura de um completo trabalho anterior de detetive e de intuição subconsciente. E mesmo assim, é fácil se enganar. A natureza subjetiva da jogabilidade evidencia a incerteza de boa parte do trabalho policial. Às vezes até bom jogadores — ou policiais —cometem grandes erros.

6. Deus Ex: Human Revolution

Deus Ex: Human Revolution projeta os jogadores no papel de Adam Jensen, um severo chefe de segurança em uma corporação de biotecnologia especializada em aprimoramento humano. Situado em um futuro sombrio e cyber punk que remete a William Gibson, o jogo começa quando militantes anti-biotecnologia invadem a sede da companhia de Jensen na noite de uma audiência legislativa sobre regulamentações na área da biotecnologia. Jensen se defende dos agressores mas é ferido e precisa ser reconstruído com melhorias biológicas. A partir daí, os jogadores devem descobrir a verdade sobre a invasão, com um debate sobre a segurança e ética do aprimoramento humano como pano de fundo. O elenco do jogo será familiar para qualquer um que venha seguindo esses debates na vida real — radicais inflexíveis contra a ciência, moderados a favor da regulamentação, agentes políticos com interesses próprios, líderes corporativos intrigantes, e cientistas apolíticos. A chave para vencer: aprimorar Jensen — e você mesmo.

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Tradução de Felipe André. Revisado por Matheus Pacini.


Sobre o autor

Peter Suderman

É editor sênior na Reason Magazine, onde escreve sobre saúde, o orçamento do governo, tecnologia e cultura pop. Também é crítico de cinema para o The Washington Times. Antes de se juntar à equipe da Reason, Suderman era editor da National Review.



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