Filosofia Dois peixes fritos e um ovo

Publicado em 28 de abril de 2014 | por Max Borders

30 falácias comuns usadas contra libertários

Você provavelmente já deve ter ouvido falar na “irracionalidade racional” proposta por Bryan Caplan. A ideia é que se o custo de manter crenças irracionais for baixo o suficiente, haverá mais demanda por irracionalidade. De fato, manter uma visão irracional faz uma pessoa se sentir melhor sobre si mesma ou pode mantê-la inclusa em algum grupo, além de manter a visão não prejudicá-la diretamente, pelo contrário, ela pode até ficar muito bem com esse ponto de vista.

Caplan contrasta isso com a ideia de “ignorância racional”, a qual é mais familiar para os nossos leitores. Ela diz basicamente que o custo de aquisição de informação suficiente para se ter uma opinião verdadeiramente informada sobre algum problema é geralmente elevada, logo as pessoas permanecem ignorantes. Ambos os comportamentos certamente desempenham um papel na predominância de políticas estúpidas e pontos de vista estúpidos. Mas existem corolários em táticas de debate? Nos dias de hoje a maioria dos libertários existentes é encontrada discutindo em redes sociais. Lá eles estão descobrindo não só novas pessoas em quem testam suas ideias, eles estão encontrando novas respostas falaciosas. E às vezes essas falácias funcionam, apesar de serem falaciosas, e é provavelmente por isso que elas são tão comuns. Isto é especialmente verdadeiro em redes sociais, onde se pode aprender rapidamente que o verdadeiro objetivo desses debates é jogar para a plateia, proporcionando-lhes uma desculpa para fugirem de qualquer viés que já possuem. Ainda assim, talvez seja possível aumentar os custos de empregar essas falácias, pelo menos um pouco.

Nós decidimos fazer uma lista divertida delas, a qual você pode usar como um guia prático ao engajar-se num civilizado processo de discussão online.

1. Argumentum ad KochBrotherium: Essa falácia é uma prima da falácia genética e da culpa por associação. A distorção, claro, é que qualquer coisa que os irmãos Koch disseram, dizem, fundamentaram, financiaram, podem financiar, chegaram perto de financiar, poderiam ter financiado, vão financiar, passaram, olharam, apoiaram, pensaram sobre ou fizeram menção é inválido em virtude de… “Irmãos Koch! BOO!”.

2. O Unicórnio: Você reconhecerá essa falácia pelo questionamento “por que nenhum país libertário existe em qualquer lugar do mundo?”. Incorporado na questão é a suposição de que os países libertários não existem porque eles são criaturas fantásticas, como unicórnios. Claro, só porque algo não existe ainda não significa que ele não pode existir. Sem dúvidas a Internet de 1990 e a República Americana de 1775 discordam. E a falácia “unicórnio” fundamentalmente confunde a visão de um mundo libertário com alguma plataforma “L”ibertária que pode ser o produto de alguns processos eleitorais — processos que a maioria dos libertários rejeitam. Michael Lind e EJ Dionne tem difundido esta falácia descaradamente, tendo desviado o foco de algumas mentes brilhantes.
 
3. Caça-Doido: Essa falácia não tem nada a ver com Jimmy Carter. Neste estilo de argumentação, o argumentador encontra uma pessoa excêntrica, ou muito insana, que se auto-identifica como libertária e, em seguida, atribui todas as crenças ou pretensões dessa pessoa a todos os libertários (também poderia ser chamada de a falácia de Alex Jones). Esta é uma que é difícil de rebater, simplesmente porque há uma abundância de doidos para caçar. E muitos deles usam a palavra com “L”.
 
4. Tá Com Medinho/Não Tem Resposta: Esta é uma realmente muito simples. Uma criatura única do “debate” nas redes sociais. O libertário deixa seu computador, ou fica off por um tempo, e o oponente acusa o libertário de não ser capaz de rebater suas denúncias de Facebook, as quais o libertário simplesmente nunca viu ou não teve tempo de responder.
 
5. O Homem de Lata: Essa falácia foi identificada e nomeada por James Cole Gentles (aqui), que inspirou este artigo. Com o homem de lata o argumentador conclui, ou falsamente assume, que o libertário “não tem coração”, pois ele argumenta contra alguma determinada política. Esta prima da falácia do espantalho assume uma linha direta entre simpatias e resultados. Qualquer falta de apoio a alguns meios equivale a uma incapacidade de suportar o desejo final.

A falácia do homem de lata está enraizada na suposição de que o adversário, muitas vezes um libertário, não tem coração. Ao contrário do espantalho, em que o debatedor precisa descaracterizar a posição do seu oponente, a falácia do homem de lata permite ao debatedor construir uma aparência robusta, se não oca, geralmente muito próxima da posição de seu adversário (“Você é contra o Sistema Universal de Saúde?”), mas não lhe dá um coração (“Então você não se importa com as pessoas pobres que não tem acesso a preços acessíveis, garantia de qualidade ou com pessoas com condições mínimas de subsistência! Você é um monstro sem coração! POR QUE VOCÊ ODEIA OS POBRES?”). Já ouviu isso antes?

A parte assustadora dessa falácia é que seu portador geralmente pensa exitus acta probat.

6. Disponibilidade em Cascata: Algo grande e sangrento vira notícia (ou torna-se viral), então o argumentador implica, ou conclui, que isso é uma ocorrência generalizada.

Exemplo: Um tiroteio em massa ocorreu, o que aponta para uma epidemia de violência com armas.
 
Não é claro se a violência armada está em um ponto mais baixo ou mais alto de várias décadas, o incidente reflete uma “epidemia”. A disponibilidade imediata de alguma história nos leva a concluir que o problema é generalizado e exige uma resposta drástica. Cass Sunstein, conhecido por seu trabalho em “cutucar”, recebe o crédito juntamente com Timur Kuran por identificar este fenômeno (uma disponibilidade em cascata nem sempre tem que envolver raciocínios capciosos, porém faz isso muitas vezes).

7. Homem na Lua: Lembram de Rachel Maddow em pé na frente da Represa Hoover? Ela estava tentando convencer seus espectadores de que o governo (que ela chama de “o país”) deve cobrar mais impostos e construir algum grande projeto faraônico a fim de reaquecer a economia (ou qualquer outra coisa). Maddow estava empregando uma versão da falácia do homem na lua, que assume a seguinte forma: “Se podemos colocar um homem na Lua, nós podemos fazer X”. O problema é que ela desconstrói quaisquer ressalvas sobre grandes e inspiradores projetos do governo, tal como a questionável capacidade da “América” de fazer grandes coisas. É simplesmente supor que qualquer coisa que exija uma extensa colaboração deva ser realizada através do poder estatal para que possa valer. Questionamentos sobre o valor, custo ou viabilidade (ou alguma combinação destes) de qualquer projeto específico são seladas com a palavra “se”. E é claro que cuidadosamente o “nós” nunca é descompactado.

8. A Desigualdade (The Gap): Eu escrevi um livro inteiro sobre o porquê da seguinte ideia envolver um pensamento falacioso. A falácia é mais ou menos assim: “O livre mercado alarga a desigualdade entre ricos e pobres”. Hoje, francamente falando essa afirmação pode estar correta. Mas e daí? Eu vou desconsiderar o problema de que o “livre mercado” provavelmente já foi atacado com a falácia unicórnio em algum momento anterior nesta mesma conversa hipotética. De qualquer maneira, por as economias serem dinâmicas, os “ricos” e “pobres” mudam todos os dias, e mensurando em quintis não sabemos se o “gap” será maior ou menor de um dia para o outro, mesmo presumindo um livre mercado. O verdadeiro problema com esse raciocínio é a suposição embutida de que a desigualdade em si é uma coisa ruim. Suponha que um homem muito alto se mude para o meu bairro. De repente me pego desejando que eu fosse mais alto, então a presença do homem alto me prejudica de alguma forma? Claro que não. A existência da pessoa rica não me prejudica, a menos que ele tenha ficado rico usando meios políticos para transferir dinheiro do meu bolso para o dele. Isso acontece o tempo todo. Mas essas transferências não tem nada a ver com livre mercado.

Mensurar uma desigualdade de ativos em si nos diz muito pouco. De fato, sem a história funcional de como essa desigualdade surgiu — fragmentos de história são irrelevantes — não podemos fazer qualquer julgamento sobre qualquer assunto. O discurso da “desigualdade” é apenas um fetiche que ignora o quão melhor os pobres estão graças à existência de empreendedores inovadores que ficaram ricos através da criação de valor. E a suposição velada é de que algum grupo de pessoas tem mais riqueza em determinado ponto, sendo que as pessoas com menos de alguma forma estão sendo prejudicadas, simplesmente porque o outro grupo tem mais. A falácia da desigualdade também se destina a condenar o debate, geralmente a serviço da outra agenda (que não passa de uma tentativa de reforçar a opinião do adversário sobre si como um cara bonzinho).

9. Dois Passinhos: Alguns adversários vão simplesmente mudar de assunto no meio de uma discussão, deixando a reivindicação original pelo caminho. Normalmente nenhuma das partes percebem os dois passinhos. Por exemplo, o oponente pode se recusar a responder a uma pergunta direta do libertário e, em vez disso, responder com outra pergunta. Ou o debatedor pode escorregar para um ou outro ponto irrelevante que não tem relação com o ponto original em questão. Este processo pode continuar por algum tempo, a menos que o libertário rigorosamente traga o adversário de volta ao ponto original. O nariz-de-palhaço, ad hoc e non sequitur são falácias bastante semelhantes, então os dois passinhos também pode ser classificado como uma tática evasiva.
 
10. Falácia Panglossiana: Como o complexo militar-industrial esteve de alguma forma envolvido no desenvolvimento de aspectos do que mais tarde se tornaria a Internet Comercial, conclui-se que o financiamento do governo é indispensável para que coisas tão maravilhosas possam surgir — e que todas as coisas que vem junto com o aparato de financiamento (e com a coleta de receitas) são também aceitáveis. Esta variação da falácia post hoc é sedutora principalmente porque nunca podemos saber o que teria acontecido contrafactualmente no setor privado. Modelo: Se isso aconteceu deve ser o melhor de todos os mundos possíveis. (Veja também The Government R&D Canard).
 
11. Seu Lado: Também conhecida como farinha do mesmo saco, esta falácia tem um monte de ramificações (ver a nº 1 e nº 3). Um oponente pode acusar o libertário de ser republicano ou conservador do Tea Party porque ele ou ela concordam com a maioria dos republicanos em alguma questão em particular. Alguém ouve: “seu lado pensa”, quando na verdade o libertário não tem um “lado” em si. Ela funciona ainda melhor como uma tática se no geral não há realmente nenhuma ligação, apesar de ser algo que o “lado” do oponente nunca diria. A falácia do “seu lado” permite que o adversário apele diretamente para preconceitos tribais, que são mais instantâneos e poderosos do que qualquer argumento. Quando é intencional, essa manobra retórica destina-se a apelar para as outras pessoas que podem estar assistindo — a esperança é que eles caiam na cova dos próprios preconceitos.
 
12. O Nós/Falácia da Sociedade: Esta forma comum de hipostatização ocorre quando o debatedor chama a racionalidade de uma agência individual de “sociedade” e comete a conflação entre sociedade e estado. Ambos costumam acontecer ao mesmo tempo, às vezes em algum lugar escondido, antes mesmo da fala adversária. O adversário quer que a sua posição moral ou estado emocional sejam refletidos de alguma forma na organização da sociedade. Embora “nós” e “sociedade” sejam palavras úteis e que parecem conferir legitimidade a algum aspecto da reivindicação do adversário, elas acabam quase sempre sendo uma forma de prestidigitação intelectual. Somente os indivíduos podem agir. Os grupos devem trabalhar por meio de processos de qualquer colaboração ou coerção. (Nota: “O Mercado” é muitas vezes mal utilizado desta forma por ambos os defensores e detratores.)
 
13. Deus ex Machina/Falha de Mercado: Pessoas são pessoas. Ainda que os adversários pensem que isso é o suficiente para argumentar que os governos, por força da generosidade e da coerção, tenham o poder de corrigir certos tipos de problemas, os quais eles rotulam “falhas mercado”, pois aconteceram fora da esfera de ação estatal. Note que isso só funciona em uma direção: Problemas em qualquer área coberta pelo estado são geralmente marcados por serem apenas problemas de execução, ao passo que “falhas de mercado” supostamente refletem uma deficiência inerente. Mesmo que se concorde que um conjunto de pessoas que trabalham em cooperação voluntária não possam resolver algum problema (ou pelo menos por enquanto), não se conclui que um outro grupo de pessoas – “o governo” – pode. De fato, grandes nomes como James Buchanan e Gordon Tullock nos deram bons motivos para acreditar que o governo não é suscetível de resolver os problemas e que provavelmente vai piorar as coisas.
 
14. A Falácia Orgânica: Tais argumentos assumem a forma: “É orgânico, por isso é bom ou bom para você”. Ou da mesma forma: ”Não é orgânico, por isso é ruim ou é ruim para você”. Usa-se esse raciocínio para exigir regulamentação e rotulagem de alimentos. Embora possa haver razões independentes para justificar tais regulamentos ou rótulos, eles não são justificados pela falácia orgânica. Não está claro que Sócrates argumentaria pelos benefícios vitais da cicuta natural, nem que as pessoas com tireoidectomias defenderiam viver sem Levotiroxina. Gostaria de acrescentar que, até que haja mais evidências do contrário, existe um monte de organismos geneticamente modificados que são bons para mim (Nota: Muitos libertários cometem demais esta falácia. Só porque a Monsanto é rent-seeker não significa que todos os seus produtos sejam ruins).
 
15. Falácia do Nobel: Você pode reconhecer pela forma: “X tem um Prêmio Nobel de Economia, quem é você para argumentar contra suas reivindicações?”. Eu não me importo se Krugman ou Stiglitz tem um Prêmio Nobel, eles estão errados sobre quase tudo. E a verdade ou falsidade de uma reivindicação não dependem de suas credenciais. (Enquanto isso, ganhadores do Prêmio Nobel, James Buchanan, Vernon Smith, Elinor Ostrom, Douglass North, Milton Friedman e Friedrich Hayek estão quase sempre certos. Quero dizer, é como se estivesse 6×2 para os mocinhos [*ba dum tss*])
 
16. Sem Vagas para Você: Adversários cabulosos do libertarianismo retoricamente perguntam por que os libertários recorrem a todos os bens e serviços que o governo fornece. “Se você vai viver pelos seus princípios, você não pode usar X ou Y” (exemplo: universidades federais ou vias públicas). Claro, isso só vale se for um bem ou serviço que ele acha que não deve ser fornecido por outros meios. De fato, pode-se argumentar que você acha mais que justo consumir um bem ou serviço pelo qual foi, contra sua própria vontade, obrigado a pagar.
 
17. A Falácia do Autoexílio: Cabuloso também é o adversário que argumenta com: “Se você não gosta disso, porque é que não vai embora?”. Implícita nesta questão é a sugestão de que há algum dever positivo para alguém deixar uma condição que ele não gosta e/ou para alguém que permaneça, pois ele implicitamente consente a forma como o sistema é. Por esta “lógica”, se você acabou de comprar uma casa com um banheiro dos anos 80, em vez de melhorar, alterar ou atualizá-la, você deve apenas tomar banho na pia da cozinha. (Você pode ver uma boa refutaçã0 desta falácia aqui.)
 
18. Somália: Opositores adoram dizer que a Somália deve ser um “paraíso libertário”. Todo mundo ri. Se você responder com uma frase tipo “análise institucional comparativa”, todos arregalaram os olhos e você perderá, apesar de estar correto. A Somália tem estado muito melhor na maioria das dimensões sem um governo central do que era sob um regime brutal e centralizado — não obstante o caudilhismo.
 
19. Contrato Social: Rousseau deixou um terrível legado intelectual. E os defensores do estado usam seu “contrato social” para justificar qualquer coisa sob o sol estatista. Claro, poderia haver um contrato social de verdade, mas os inimigos dos libertários preferem o que lhes permite justificar qualquer coisa…
 
20. Algum lugar: Você já trabalhou arduamente com os dados. Você já ofereceu uma resposta completamente racional. Você já explicou os prós e os contras do porquê da política X ser fracassada e porque vai piorar ainda mais as coisas. A resposta? “Nós temos que começar por algum lugar”. A ideia é que é melhor fazer, vamos lá, qualquer coisa — mesmo que isso possa resultar numa calamidade. E, é claro, o estado deve fazer essa coisa potencialmente calamitosa (Veja também a nº 23).
 
21. Darwinismo Social: “O livre mercado é apenas darwinismo social!”. Este é realmente um meme muito velho. Foi usado por acadêmicos progressistas na década de 1940 para manchar o trabalho de Herbert Spencer. Spencer era um darwinista biológico de certeza. E ele também pensou o mercado e os fenômenos sociais como instituições e ideias que seriam submetidas a forças evolutivas análogas. Contudo a unidade de sobrevivência no mercado é o negócio, não o indivíduo. Em outras palavras, as empresas que não conseguem criar valor para os clientes morrem. Mas advogar que as pessoas livres se envolvam em trocas voluntárias não é defender que as pessoas deixem os fracos, os pobres e os vulneráveis ​sofrendo. Muito pelo contrário. A maioria dos defensores do livre mercado acredita que um robusto setor filantrópico é parte integrante de um sistema de trocas voluntárias. Herbert Spencer também pensava assim. Ele escreve: “É claro, na medida em que a severidade deste processo é mitigada pela simpatia espontânea dos homens uns pelos outros, é apropriado que ela deva ser mitigada”.
 
22. Argumentum ad Googlum: Essa falácia procede quando o libertário faz um bom ponto ou constrói dossiê espetacular, ou faz uma pergunta que o adversário não pode responder. O oponente desaparece por um tempo, pesquisando freneticamente por aí. O adversário vem de volta com uma série de links que são postos na discussão. Para ser justo, esta não é sempre uma falácia, já que alguns vão usar links para apoiar as suas reivindicações. Mas muitas vezes a tática é usada para empurrar a carga de debate de volta para o libertário, de quem se espera a leitura dos links e a dedução de algum ponto. Na melhor das hipóteses, é uma forma ruim.
 
23. Nós temos que fazer alguma coisa: Parecida com a falácia do “algum lugar”, “Nós temos que fazer alguma coisa!”. É um argumento que defende que (A) o estado tem de fazer alguma coisa e que (B) a ação do estado é melhor do que fazer nada e do que a ação privada. Inúmeros exemplos dessa falácia aparecem quando os adversários acreditam que qualquer ação decorrendo de boas intenções é o bastante, as consequências que se danem. Porém, muitas vezes, pode-se demonstrar que é melhor para o governo não fazer nada e deixar de fazer o que já está fazendo (Os exemplos incluem estímulo de consumo, regulamentação e outras formas de intervenção). Pedir para o governo não fazer nada é raramente apresentado como uma premissa sujeita a debate e avaliação. Alguém com a cabeça aberta de verdade perguntaria: “O deve ser feito sobre isso?” e “Quem deve fazer?”. Alguém realmente interessado nas respostas teria a cortesia de tornar explícito o que eles acreditam: “O governo tem que fazer alguma coisa, a qual está além do debate. Aqui está o que eu acho que deveria ser feito”.
 
24. Falácia Empírica: Um refrão tardio dos adversários de sempre é: Como nós sabemos que X não vai funcionar antes de nós testarmos? Temos que esperar e ver a evidência empírica antes de chamar X de fracasso. Com esse raciocínio devemos deixar os macacos irem para Washington e digitarem aleatoriamente em uma grande máquina que cospe leis de forma aleatória. Bem, em uma maneira de falar já fazemos isso, mas pode ser uma boa ideia analisar alguma teoria econômica e um pensamento econômico bem estabelecido antes de levar adiante em aventuras legislativas que possam ter consequências não intencionais e previsivelmente perversas. Mais importante, o adversário presume que é prerrogativa do estado — e, por tabela, qualquer grupo governamental dentro do aparelho de estado — experimentar isso sob os seus auspícios e que é dever dos indivíduos da jurisdição submeterem-se a essa experimentação (Também chamado de Falácia de Pelosi). 

25. Verdadeiro Libertário: Já ouviu falar da falácia do verdadeiro escocês? Normalmente ela é aplicada por alguém de um grupo para questionar outras adesões nesse mesmo grupo, em razão da sua pureza ideológica. Os libertários são famosos por dizer uns aos outros: “Se você acha X, então você não é libertário”. Mas os oponentes dos libertários usam uma variação dessa também. Eles vão dizer algo como: “Libertário acreditar em X. Se você não acredita, então você não é libertário” (X pode ser direitos naturais, ação coletiva não-estatal, rede de segurança social, etc). A falácia do verdadeiro libertário é uma forma de tentar forçar o libertário a escolher entre uma variação sutil do seu argumento e sua própria doutrina. Implica que o libertário carece de credibilidade: “Esse palhaço não sabe o que pensa!”. É claro, tal conduta não tem relação com a verdade ou a falsidade de quaisquer reivindicações da parte, ou mesmo com a validade dos seus argumentos. O libertarianismo é uma escola de pensamento diversificada. Não é um monólito. A necessidade só demonstra a consistência do seu argumento.
 
26. A Ignorância Fascista: Esta deve ser familiar: oponentes dos libertários ficam indignados — INDIGNADOS — quando John Mackey aponta acertadamente na NPR que o Obamacare é uma política fascista. Fascismo é, naturalmente, uma doutrina que exige significativo controle estatal sobre as indústrias privadas, a fim de servirem aos fins estatais. Portanto a falácia da ignorância fascista é uma forma de ad hominem em que o oponente libertário refere-se ao libertário, ou a seus pontos de vista, como “facista”, apesar de, rigorosamente, ele mesmo manter visões fascistas (Pode-se também se referir a isso como a falácia do “frango chamado vaca ‘de capoeira’). No entanto, pelo bom andamento do discurso, não é provavelmente sábio para qualquer um evocar o poder da palavra “F” com qualquer coisa, dada a quantidade de bagagem que ela carrega.

27. Apenas Uma Vida: O apelo emocional, baseado em nada substantivo, é destinado a ser uma chave de desligamento moralista. Ele chega com um “Sinto muito, mas se podemos salvar apenas uma vida com esta política, ela vale à pena”. O que isso significa? Isso significa que cada vida tem um valor infinito? Significa que salvar vidas à custa dos outros e todas as outras considerações é o propósito do governo? Ou significa que “vale” é completamente vago, além de só você se importar muito? É um sentimento heróico de se ouvir, contudo demonstra apenas o compromisso e a seriedade do orador — não uma análise política em si.
 
28. Consenso: Este híbrido do movimento de apelo às falácias da autoridade infesta muitos discursos. Ele toma a forma: “Muitas pessoas realmente inteligentes e educadas acreditam em X, portanto é verdade”. Da pirâmide de dieta alimentar da USDA aos macroeconomistas, as autoridades nem sempre estão certas. Há limites para qualquer capacidade individual de compreender todas as nuances de um determinado assunto. Predição e previsão são ainda mais difíceis. Tomadores de decisões políticos devem enfrentar as mesmas limitações cognitivas dos meros mortais e é por isso que eles, como oponentes de debate dos libertários, dependem demais do sábio “consenso”.
 
29. Logo-falo-euro-cêntrico: Opositores acusam o libertarianismo de ser hostil para as mulheres, minorias, homossexuais e outros grupos excluídos. A falácia está na ideia de que se a sua doutrina não reconhecer que esses grupos merecem tratamento especial sancionado pelo estado às custas de outros grupos ou indivíduos, é equivalente a algum ismo. Alguns vão mais longe a ponto de dizer que se você usar determinado linguagem interpretarão como racista, sexista ou homofóbica, que invalida a doutrina libertária. Enquanto muitos libertários agem como idiotas e provavelmente não se escandalizam com as narrativas politicamente corretas com linguagem chula, a doutrina libertária é a raiz de uma doutrina de tudo que é pacífico — cooperação voluntária, poder descentralizado e formação radical de comunidade. Os heróis do libertarianismo (de todas as raças, sexos e planos-de- fundo étnicos) sabem que o coletivismo e o estatismo são visões de mundo interdependentes: É preciso evocar o coletivismo e inventar direitos de grupo (ou falhas) para justificar a maioria das ações do estado, e o estado tem historicamente o poder de sistematicamente levantar ou derrubar pessoas do grupo.

30. Quem vai construir as estradas?: Este bicho familiar tem mil variações, mas a ideia é que pelo fato do adversário nunca ter visto isso ou não poder imaginar isso sendo feito sem o governo, conclui logo que não pode ser feito. Mas pode, é claro (estradascaridadeeducação, e todo o resto). (veja também a falácia nº 13).

Convido os leitores a adicionarem mais falácias nos comentários abaixo.

Nota: enorme crédito para Cole James Gentles, Jeff Ellis, Sarah Skwire e Zach Spencer por sua assistência na compilação destas falácias. Obrigado também a Michael Nolan por ajudar consubstanciando isso tudo.

// Tradução de Lucas Nutels. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original


Sobre o autor

Max Borders

É editor da revista The Freeman e diretor de conteúdo da Foundantion for Economic Education (FEE). Também é autor do livro Superwealth: Why we should stop worrying about the gap between rich and poor.



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