Liberdade Cívil 2013 melhor ano da histria

Publicado em 19 de dezembro de 2013 | por The Spectator

Por que 2013 foi o melhor ano da história da humanidade

O pessimismo vende bem. Ele vendo livros e jornais, aumenta a audiência, enche palestras, recebe bolsas de pesquisa, constrói carreiras políticas. Nós somos alimentados por essa dieta constante de tragédias, com previsões que vão desde um cataclismo ambiental até a tirania da austeridade. É natural que nós frequentemente acabamos por esquecer de olhar o panorama geral da história. Um olhar frio e imparcial nos fatos revela que nós estamos vivendo uma época de ouro e que, se você usar medidas objetivas, 2013 foi o melhor ano na história da humanidade.

Como utilidade pública – e do tipo que raramente é prestada pela mídia impressa ou televisiva – a The Spectator (e traduzido especialmente para você pelo Portal Libertarianismo) vai apresentar abaixo as evidências pra essas afirmações. Nós podemos começar com números crus: 73,5 trilhões de dólares, o PIB do mundo este ano. Nunca na história tanta riqueza foi gerada – e ainda mais importante, nunca esse crescimento foi distribuído de forma tão homogênea. Enquanto o mundo desenvolvido se arrasta em um pântano de dívidas, os países em desenvolvimento fazem grandes progressos. A desigualdade mundial está diminuindo – e isso não se deve a decretos governamentais, mas à cooperação de milhões de pessoas, ricas e pobres, através do comércio internacional. Ou, como críticos costumam falar, graças ao “capitalismo global”.

O resultado disso é que objetivos que antes pareciam impossíveis agora estão ao alcance: desde o fim da AIDS até o fim da fome. Para entender a velocidade desse progresso considere os Metas do Milênio apresentados em 2000 pela ONU. O objetivo era reduzir pela metade o número de pessoas vivendo com 1 dólar por dia até 2015. Essa meta foi atingida cinco anos mais cedo. Não que você pudesse saber: quase nada foi dito sobre isso na época, talvez porque o progresso foi proporcionado pelo comércio global com pouquíssima ajuda da indústria de ajuda humanitária. Estava claro que pessoas, quando livres para negociar com outras, conseguiram sucesso após décadas de planos governamentais falhos.

A meta de combate à desnutrição dos Objetivos do Milênio para 2015 foi alcançada sete anos atrás. Além desta, a intenção de reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso a água potável foi atingida ano passado. O plano era melhorar a vida de 100 milhões de moradores de favelas – com água encanada, saneamento básico e melhores condições de moradia – até 2020. Essa meta foi atingida com dez anos de antecedência (na verdade 200 milhões foram beneficiados, o dobro da meta). Ainda existem problemas enormes. É verdade que 400 milhões de crianças ainda vivem na pobreza. No entanto, considerando a taxa de progresso, a meta do Banco Mundial de eliminar a pobreza até 2030 provavelmente vai ser atingida mais cedo. A maioria das pessoas hoje esperam viver pra presenciar uma época onde o conceito de fome esteja arquivado na história. A Organização das Nações Unidas acredita que a África pode estar há apenas 12 anos dessa conquista extraordinária.

Isso acontece porque o mundo está comercializando e as pessoas estão cooperando através desse comércio como nunca antes. Com a riqueza também vem melhores maneiras de proteger lavouras e a habilidade de se prevenir (e recuperar-se) de desastres naturais. O número de mortes devido a desastres naturais é apenas uma fração do que foi há um século. A natureza não está menos agressiva, porém a humanidade está mais preparada.

China, a fábrica do mundo, está liderando o progresso do planeta contra dificuldades. Com a adoção de reformas de mercado a China reduziu o número de pessoas vivendo em extrema pobreza de 84% de sua população três décadas atrás para 10% hoje em dia. Sim, a China ainda é muito mais pobre que o ocidente, mas essa diferença está ficando cada vez menor e em certas áreas mais desenvolvidas do país os chineses estão passando à frente do ocidente. Esse mês foi divulgado que os alunos mais pobres de Xangai (uma cidade com mais habitantes do que muitos países europeus) são agora melhores em matemática do que os mais ricos alunos na Grã-Bretanha.

No espaço de uma década a Grã-Bretanha deixou de sentir pena da China enquanto lhe concedia ajuda humanitária e passou a temê-la enquanto se pergunta como pode copiar os segredos de sua educação. Na Ásia e no Norte da África, matrículas em escolas de ensino fundamental estão em um nível tão alto quanto no mundo desenvolvido. Até em países da África Subsaariana dois terços das crianças estão em escolas – em 1990 este número mal chegava à metade. Nesta época, apenas 75% dos adultos eram alfabetizados. Agora são 83% e este número aumenta a cada dia.

Ah, dizem os críticos, riqueza é uma coisa, mas como essa riqueza é alcançada? Quantas dessas exportações asiáticas são feitas por mãos pequeninas? O capitalismo global é associado há muito tempo por seus detratores ao trabalho infantil. No entanto, a Organização Internacional do Trabalho emitiu um relatório constatando que o trabalho infantil caiu um terço na última década, enquanto o número de crianças em situação precária de trabalho caiu pela metade. Todos os dias, em todos os aspectos, o mundo se torna mais próspero, mais seguro e mais inteligente. Tudo isso apesar de uma taxa de crescimento populacional que faria um malthusiano estremecer.

Avanços extraordinários na área médica e a habilidade de produzir remédios baratos para milhões de pessoas está fazendo com que a expectativa de vida nos países mais pobres aumente incrivelmente. A introdução de medicamentos antiretrovirais em Malauí, por exemplo, provocou uma queda nas mortes causadas por AIDS de 92.400 há dez anos para menos de 46.000agora. Isso reflete uma tendência mundial. O Camboja recentemente anunciou que está a caminho de eliminar as mortes por malária até 2015, tendo reduzido pela metade o número de infecções somente neste ano. A malária é uma das maiores causas de morte no mundo – e, como a OMS recentemente confirmou, o índice de mortes causadas por malária caiu quase pela metade nos últimos dez anos.

Seria muito pedantismo atribuir todo esse progresso aos programas de caridade ocidentais. A ajuda também foi importante, mas à medida que países se tornam mais ricos, eles proporcionam melhores condições ao seu povo. Você não vai achar nenhum país Europeu ou os EUA entre os países que mais cresceram em 2013, mas vai achar o Chile (4,4 por cento), Bangladesh (5,7 por cento), Ruanda (7,5 por cento) e Gana (7,9 por cento) diminuindo a desigualdade entre países ricos e países em desenvolvimento graças ao seu maior recurso: a coragem e caráter de seu povo. Com esse crescimento a mortalidade infantil cai, a expectativa de vida aumenta e a pobreza se torna mais fácil de escapar.

Houve um momento em que as pessoas acreditavam que a explosão populacional e de riqueza iria induzir a uma crise alimentar. Na verdade a parcela da humanidade que passa fome hoje está em sua menor quantidade. Não houve uma crise populacional porque as pessoas recorreram a métodos engenhosos pra cultivar comida.

Mas e quanto a essa nova classe média chinesa e indiana, comprando carros e provocando uma escassez de petróleo? Mais uma vez, o pânico não tem embasamento. Nós estamos em uma era de abundância de hidrocarbonetos graças à tecnologia de fraqueamento, a qual permitiu que os Estados Unidos cortassem em dois terços o preço da energia, preparando-se pra uma era onde não irá mais precisar importar petróleo de países árabes tirânicos ou de qualquer outro lugar. Quanto à Grã-Bretanha, foi descoberta neste ano a existência de reservas de gás de xisto em Lancashire suficientes para alimentar o país por 50 anos. Isso é possível porque o consumo de petróleo dos países ricos está caindo, mesmo considerando o aumento populacional, a expansão aeronáutica e os carros maiores. Mas como? Graças à demanda por carros e fábricas mais eficientes, não a uma imposição dos governos. Com hidrocarbonetos, assim como com todo o resto, estamos fazendo mais com menos.

Você provavelmente não verá menções sobre isso vindas da mídia, das agências sedentas por doações ou dos políticos. Todos eles tendem a se focar no que há de ruim – e com razão. Existem ainda muitos problemas no mundo; o número de pessoas forçadas a migrar devido a conflitos e perseguição política, por exemplo, nunca esteve tão alto em 18 anos. O progresso humano está suscetível a reviravoltas súbitas e calamitosas, porém, neste ano as coisas melhoraram em um ritmo mais acelerado do que em qualquer momento anterior na história. Através de pequenas melhoras incrementais – na saúde, tecnologia, riqueza e comércio – nunca houve uma época melhor para estar vivo.

Quando a rainha da Inglaterra fez um discurso na assembléia geral das Nações Unidas há três anos, ela observou que as maiores conquistas da humanidade que ela testemunhou em seu longo reinado aconteceram “não por causa de governos, decisões de comitês ou diretivas centrais”, mas porque “milhões de pessoas ao redor do mundo assim desejaram”. A Rainha foi muito educada pra afirmar claramente, mas o que ela queria dizer é que políticos acompanham o mundo ao invés de liderá-lo.  O livre comércio e o livre mercado tornaram 2013 o melhor ano da história – e tudo indica que 2014 será ainda melhor.

// Tradução de Leonardo Tavares Brown. Revisão de Russ Silva | Artigo original


Sobre o autor

The Spectator

The Spectator é uma revista britânica fundada em 1828 e publicada semanalmente. Pertencente aos irmãos Barclay, que também possuem o Daily Telegraph, sua principal área é a política, sendo de orientação conservadora.



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