O altruísmo sustenta que ser moral consiste em se autossacrificar a serviço dos outros. Apesar da sua natureza autodestrutiva, o altruísmo é aceito em alguma medida por quase todos hoje. Claro, ninguém o defende de forma consistente, pelo menos não por muito tempo. Ao invés disso, a maioria das pessoas aceita altruísmo como verdade ? para em seguida não obedecê-lo.

Todos os religiosos - Cristãos, Judeus e Muçulmanos - são altruístas. Seus livros sagrados exigem isso. Todos os assim chamados "Humanistas Seculares" - Utilitaristas, Pós-modernistas e Igualitaristas são altruístas. Suas filosofias exigem isso.

Dos pontos de vista Cristão, Judaico e Muçulmano, os "outros" significantes são "Deus" e "os pobres." Eles são os "outros" para quem você deve se sacrificar. Do ponto de vista Utilitário, o "outro" é "todas as pessoas em geral" (o princípio Utilitarista é "o maior bem para o maior número"). Dos pontos de vista Pós-moderno e Igualitarista, o "outro" é "qualquer pessoa com menos riqueza ou oportunidade do que você", em outras palavras, "quanto melhor você estiver, mais você deve se sacrificar pelos outros ? quanto pior você estiver, mais os outros devem se sacrificar por você."

Sacrifício - Sacrifício - Sacrifício. Todo mundo acredita que é essa é a coisa moral a fazer. E nenhum filósofo esteve disposto a desafiar essa idéia.

Exceto Ayn Rand. Citação:

"Há uma ação - uma única ação - que pode extinguir a moralidade do altruísmo da existência e a qual ela não pode enfrentar - perguntar o "porquê"? Por que o homem deve viver para o bem dos outros? Por que ele tem que ser um animal sacrificial? Por que isso é o bem? Não existe razão terrena para isso ? e, senhoras e senhores, em toda a história da filosofia nenhuma razão terrena foi dada." [Philosophy: Who Needs It, pg. 61-62, http://www.amazon.com/Philosophy-Needs-Rand-Library-Vol/dp/0451138937]

Examinando, entende-se que é verdade. Nenhuma razão foi dada quanto ao porquê de as pessoas deverem se sacrificar para os outros. Claro, ALEGADAS razões foram dadas, mas não razões legítimas. Vamos considerar as razões alegadas - da quais há aproximadamente seis - cada uma das quais envolve uma falácia lógica.

1. "Você deve se sacrificar, porque Deus diz assim." Isto não é uma razão - certamente não uma razão [u]terrena[/u]. Na melhor das hipóteses, é um apelo à autoridade - isto é: às "autoridades" que falam por Deus. (Mais precisamente, é uma afirmação arbitrária, desde que não há evidência para a existência de Deus. Mas aos nossos propósitos aqui, é suficiente dizer que é um apelo à autoridade.) Só porque algum pregador ou algum livro fez uma afirmação não significa que essa afirmação é verdadeira. Entre outras coisas, a Bíblia afirma que um arbusto falou.

2. "Você deve se sacrificar porque a Sociedade diz assim." Isto também não é uma razão. É um apelo às massas. Questões de verdade e moralidade não são determinadas por aquilo que a sociedade ou um grupo de pessoas dizem. A sociedade norte-americana costumava afilrmar que a escravidão deveria ser legal; algumas sociedades ainda afirmam. Mas isso não a tornava, e ainda não a torna, correta.

3. "Você deve se sacrificar porque outras pessoas precisam dos benefícios de seu sacrifício." Isso é um apelo à piedade. Mesmo se o sacrifício de uma pessoa pudesse produzir benefícios para outra pessoa (o que não pode - assunto para outra ocasião), não seguiria que esta é uma razão para o sacrifício. Se isso fosse uma razão para se sacrificar, então a qualquer momento alguém poderia ir em direção a outra pessoa e lhe exigir qualquer coisa: seu dinheiro, seu tempo, seu esforço, sua propriedade, sua mulher, ou sua vida. Todo mundo tem necessidades. Eu preciso de uma casa maior. As outras pessoas devem me dar uma? Por acaso a minha necessidade constitui um direito moral sobre o tempo, o dinheiro, ou o esforço dos outros?

4. "Você deve se sacrificar porque, se você não o fizer, você irá apanhar, ou será multado, ou jogado na prisão, ou agredido fisicamente de alguma outra maneira." A ameaça de força não é uma razão; é o oposto de uma razão. Se os que se utilizam de força pudessem oferecer uma razão para você se sacrificar, eles não teriam que usar a força; eles poderiam usar a persuasão em vez de coerção.

5. "Você deve se sacrificar porque, bem, quando você crescer você entenderá que é isso o que você deve fazer." Isto não é uma razão, mas um ataque pessoal e um insulto. O que se diz, efetivamente, é "você é imaturo" ou "você é estúpido" - como se exigir uma razão que sustente uma convicção moral pudesse indicar uma falta de maturidade ou inteligência.

6. "Você deve se sacrificar porque apenas uma má pessoa iria contestar este fato estabelecido." Esse tipo de afirmação pressupõe que você considera as opiniões que os outros têm sobre você mais importantes do que o seu próprio julgamento da verdade. É também um exemplo do que Ayn Rand chamava de "o argumento da intimidação": a tentativa de colocar pressão psicológica no lugar de argumentação racional. Tal como o ataque pessoal, é uma tentativa de se evitar a apresentação de uma defesa racional a favor de uma posição para a qual nenhuma defesa racional pode ser feita.

É isso. Tais são as "razões" oferecidas em apoio da exigência de que você deve se sacrificar pelos outros. Não tome a minha palavra como a final: tente pensar em outra razão. Questione em outros lugares. Pergunte a um padre ou a um rabino. Pergunte a um professor de filosofia. Envie este texto aos seus amigos por email, e veja se eles conseguem pensar em outra razão. Você vai descobrir que todas as "razões" oferecidas são variantes dessas - cada uma das quais, longe de ser uma "razão", é uma falácia encontrada nos livros-texto de lógica. A maioria delas possui até mesmo nomes de fantasia latinos.

Tradução de Breno Barreto.


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