nock

 

O individualismo americano tinha praticamente morrido quando Mark Twain foi enterrado, em 1910. Intelectuais progressistas promoviam o coletivismo. Juristas progressistas, como Oliver Wendell Holmes, atacavam as restrições constitucionais como se fossem obstáculos inconvenientes à expansão do poder governamental, que supostamente visava à cura de todos os problemas sociais. O progressista John Dewey, teórico da educação, diminuía a importância do simples aprendizado e afirmava que a missão da educação era a reconstrução social. Theodore Roosevelt, o grande herói progressista, admirava as conquistas imperiais. O presidente progressista Woodrow Wilson levou os Estados Unidos a participar de uma guerra européia, encarcerou dissidentes e implementou o imposto de renda, que permancece até hoje. Grandes individualistas como Thomas Paine e Thomas Jefferson eram ridicularizados, caso alguém lembrasse de sua existência.

Ainda assim, o autor Albert Jay Nock ousou declarar que o coletivismo era um mal. Ele denunciou o uso da força para impor a vontade de alguns sobre outros. Opôs-se à intervenção militar em questões relativas a outras nações. Acreditava que os Estados Unidos deveriam permanecer fora de guerras estrangeiras que, inevitavelmente, subvertem a liberdade. Insistia que os indivíduos possuem o direito inalienável de buscar sua felicidade, se com isso não causarem danos a ninguém. Murray N. Rothbard chamou Nock de um autêntico radical.

Embora Nock não tenha sido contribuidor de revistas de grande circulação e seus livros tenham vendido poucos exemplares, ele reafirmava discretamente o individualismo como uma crença viva. Tornou-se um nome conhecido como editor e escritor daThe Freeman (1920-1924). O grande jornalista contrário à guerra Oswald Garrison Villard chamou The Freeman de a melhor revista semanal dos Estados Unidos, uma publicação totalmente digna de um lugar permanente no jornalismo americano. O influente editor e autor H. L. Mencken perguntou: Qual jornalista entre nós escreve melhor que Nock? Seus editoriais [na Freeman] [...] estabeleceram um nível que nenhuma outra pessoa do ramo conseguiu alcançar. Eles eram muito bem informados e até mesmo eruditos, mas nunca houve neles sequer um traço de arrogância. Mesmo nos editoriais menos importantes nós encontrávamos ótimo estilo e uma estrutura sólida. Nock tem um ouvido excelente. Ele pensa com um ritmo fascinante.

Nock adquiriu respeito por ser também um homem altamente culto. Como explicou o crítico literário Van Wyck Brooks: Ele era um intelectual formidável e um amante da música que recordava todos os grandes cantores de seu tempo e que conseguia acompanhá-los por toda parte, de Nápoles a São Petersburgo, Londres, Bruxelas e Viena. Conheceu todas as grandes orquestras, de Turim à Chicago [...] E tinha visitado metade das universidades da Europa, de Bonn a Bordeaux, Montpelier, Liège e Ghent. Ele conseguia escolher, com um ar casual, quase qualquer idéia e remontá-la a Platão, passando por Scaliger e Montaigne ou Erasmo, e posso atestar que ele conseguia citar qualquer autor, fosse em latim ou grego, em resposta a qualquer pergunta.. Creio que Nock também sabia o Antigo Testamento em hebraico. O historiador americano Merrill D. Peterson completou: Ele era um intelectual completo, um editor brilhante e um conhecedor do bom gosto e do intelecto.

Ruth Robinson, amiga de Nock, recordava: Era um homem de porte delicado, com mãos e pés pequenos. Media um pouco mais de 1.75m e seus movimentos eram leves e ágeis; manteve sua aparência e postura excelentes durante toda sua vida. As expressões salientes de seu rosto intenso eram transmitidas através de seus brilhantes olhos azuis, que poderiam mudar instantaneamente, se tornando impenetráveis, perversos, ou dotados de grande bondade ou solidariedade. Ele tinha uma pele bonita e cultivou um bigode durante todos os anos em que o conheci bem antes de seus cabelos se tornarem brancos, uma faixa cinza na ponta de seus cabelos castanhos já era uma marca de destaque em sua aparência.

Nock era um homem extremamente reservado. Pessoas que trabalharam com ele por anos não tinham idéia que ele tinha sido sacerdote. Ninguém sabia onde ele morava, aponta Van Wyck Brooks, e uma piada corrente em seu escritório era que um jeito de entrar em contato com ele era colocar uma carta sob uma determinada pedra no Central Park. Frank Chodorov, amigo de Nock em sua última década de vida, disse que só depois que fui indicado como administrador de seus bens que soube da existência de seus dois filhos adultos e bem educados.

O filósofo social Lewis Mumford, que conheceu Nock no início de sua carreira, relembra: Ele era o paradigma do cavalheiro à moda antiga, de estilo americano: falava baixo, gostava da boa culinária, era meticuloso nas pequenas questões da cortesia, contava boas histórias, várias delas do oeste; nunca falava sobre si, nunca revelava diretamente nada sobre si. Nock era um individualista, completou Chodorov.

O começo

Albert Jay Nock nasceu em 13 de outubro de 1870, em Scranton, na Pensilvânia. Foi o único filho de Emma Sheldon Jay, que descendia de protestantes franceses. Seu pai, Joseph Albert Nock, era metalúrgico e sacerdote da Igreja Episcopal.

Nock cresceu em um Brooklyn semi-rural, em Nova York, e sua família tinha um jardim grande, com árvores frutíferas. Segundo ele mesmo, aprendeu o alfabeto tentando decifrar um jornal e fazendo perguntas. Não foi à escola até a adolescência, mas em casa estava cercado por livros, que explorava ao acaso. Recordava que o primeiro livro em que se concentrou foi o Dicionário Webster's, provavelmente porque era um livro grosso e ficava em uma prateleira baixa. O dicionário se tornou literalmente meu melhor amigo, já que eu o carregava, agarrado ao meu peito, de um lado para outro, até encontrar um lugar onde eu não seria pisado, onde então eu o abria no chão e começava a lê-lo.

Quando Nock tinha dez anos, seu pai encontrou trabalho na margem superior do Lago Huron. Lá ele observou a independência, o amor-próprio, a auto-suficiência, a dignidade, o empenho, as virtudes das quais falava a Declaração da Independência. ... Nossa vida era singularmente livre; tínhamos tão pouca ligação com proibições arbitrárias que mal sabíamos que o governo existia ... De modo geral, nossa sociedade deve ter servido muito bem como propaganda viva da noção de Jefferson, segundo a qual as virtudes que considerava particularmente americanas se desenvolviam melhor na ausência de um governo.

Após freqüentar uma escola preparatória privada, Nock entrou para o St. Stephen's College (que mais tarde se tornou Bard College) em 1887, que tinha pouco mais de cem alunos. Ambas as instituições enfatizavam o currículo clássico e Nock apreciava a literatura latina e grega. Formou-se em terceiro numa turma de dez alunos. Nock foi para a Berkeley Divinity School, em Middletown, Connecticut e, embora a tenha deixado depois de um ano, foi ordenado pela Igreja Episcopal em 1897. No ano seguinte, começou seu trabalho como reitor assistente na Igreja St. James, em Titusville, Pensilvânia. Ele sucedeu o reitor, que morreu no dia do ano novo, em 1899.

Foi em Titusville que Nock conheceu Agnes Grumbine, e eles se casaram em 25 de abril de 1900. Tiveram dois filhos: Samuel, nascido em 1901, e Francis, nascido em 1905. Nock deixou sua esposa logo depois, e nunca se casou novamente. Seus filhos cresceram e se tornaram professores universitários. Enquanto isso, Nock foi convidado para a Igreja Episcopal de Cristo, em Blacksburg, Virgínia, e então para a Igreja de São José, em Detroit. Em 1909, aparentemente, Nock viveu uma crise de fé. Depois disse à Ruth Robinson: a minha vida estava desinteressante, sem emoção e sem cor.

Nock abraçou as idéias do reformador econômico Henry George. Como filósofo social, George me interessava profundamente, recordava Nock, mas não como reformador e jornalista. A filosofia de George era a da liberdade human.? Ele acreditava que toda a humanidade é infinitamente aperfeiçoável e que, quando mais livre formos, mais avançaremos. Ele também percebe que nós nunca poderemos nos tornar livres política ou socialmente até que tenhamos nos tornado economicamente livres.

Nock deixou o sacerdócio para se tornar editor de American Magazine, lançada por editores e escritores que tinham rompido com S.S. McClure, o editor pioneiro no jornalismo de denúncias. Nock trabalhou na American Magazine por quatro anos. Escreveu artigos defendendo um imposto único sobre a terra e - deve-se dizer - apoiou a política canadense pela qual o governo mantinha a propriedade de grandes extensões de terra. Tornou-se amigo de Brand Whitlock, ex-prefeito de Toledo e aspirante a acadêmico, que mais tarde escreveu uma biografia do Marquês de Lafayette. Conviveu com seus companheiros no jornalismo, como Lincoln Steffens e John Reed. Aprimorou sua escrita.  O que eu escrevo é bom o suficiente, escreveu a Ruth Robinson, e é, certamente, melhor do que era há cinco ou seis anos, mas ainda soa como se tivesse sido escrito em um assento de uma arquibancada.

O Players Club

Nock freqüentava o Players Club, lendário espaço localizado em 16 Gramercy Park South, em Manhattan, onde se reuniam os amantes da arte desde sua fundação pelo ator Edwin Booth e pelo escritor Mark Twain. Seu prédio de cinco andares possuía um estilo neogótico e o arquiteto o transformara em um clube. Em sua fachada, havia uma varanda em ferro forjado e lamparinas de estilo renascentista. O Players Club tinha uma das maiores bibliotecas dos Estados Unidos sobre teatro, e pinturas de Gilbert Stuart, John Singer Sargent e Normal Rockwell. Além de Nock, seus membros ilustres incluíam o caricaturista Thomas Nast, os atores de teatro John Barrymore e Helen Hayes, os atores de cinema James Cagney e Douglas Fairbanks Jr.. Nock gostava de escrever cartas, comer e jogar bilhar no Players Club, um retrato de Mark Twain fica pendurado sobre a lareira e um dos tacos de Twain está em exibição. O cartão de visita de Nock dizia simplesmente: Albert Jay Nock, Players Club, Nova York.

Nock absorveu as idéias do sociólogo alemão Franz Oppenheimer, cujo livro radical Der Staat [O estado] fora publicado em 1908. Uma tradução inglesa, The State, foi publicada em 1915. Oppenheimer apontou que havia apenas duas formas fundamentais de se adquirir riquezas, através do trabalho e do roubo, e afirmou que o governo se baseava no roubo.

Em 1914, a falida American Magazine estava para ser comprada por um editor determinado a evitar controvérsias. Nock passou a trabalhar na The Nation, cujo proprietário e editor era Oswald Garrison Villard, neto do ativista abolicionista Willam Lloyd Garrison. Nock passou a admirar Villard, que se opunha corajosamente aos planos do Presidente Woodrow Wilson para envolver os Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Um artigo de Nock sobre o agitador sindical Samuel Gompers levou os censores de Wilson a atacarem The Nation.

The Freeman

Porém, Nock decidiu que não poderia tolerar a aprovação de Villard à nacionalização das estradas de ferro. Pediu demissão de The Nation e, apoiado por Helen Swift Neilson, filha de Gustavus Swift e herdeira de uma fortuna, tornou-se editor de uma nova revista de opinião: The Freeman. O primeiro número semanal foi publicado em 17 de março de 1920. A revista media 20cm x 30cm e contava com 24 páginas de artigos e cartas sobre política, literatura, música e entre outros temas.

O principal colaborador de Nock foi Francis, um inglês casado com Neilson, ex-diretor de teatro na London Royal Opera e deputado radical liberal que se tornou um pacifista de destaque. Desiludido pela entrada da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, Neilson foi para os Estados Unidos e tornou-se um cidadão americano. Provocou controvérsia com seu livro How Diplomats Make War [Como os diplomatas fazem guerras], publicado em 1915 por Benjamin W. Huebsch, que em seguida se tornou presidente de The Freeman.

Praticamente desde o início houve rivalidade entre os colaboradores. Will Lissner, ex-jornalista do New York Times que conhecia Nock e Neilson, recordava que Nock reescreveu vários dos artigos de Neilson, em seu estilo característico, fazendo com que os leitores presumissem que 'Nock era The Freeman'. Neilson se ofendia com essa presunção. Lewis Mumford escreveu que Nock não agüentava o estilo inflamado e parlamentar de Neilson; e este colocava, em silêncio, as contribuições de Nock na gaveta de sua mesa, deixando-as empoeirar. Em suas memórias, publicadas após a morte de Nock, Neilson afirmava que Nock roubara suas coisas. Nock foi mais elegante: Tive bem menos a ver com a formação e a manutenção deThe Freeman do que as pessoas pensam. Meu principal colaborador foi um dos homens mais competentes que já conheci, bem mais competente que eu, além de mais experiente.

Suzanne La Follette era parte de seu time editorial. Tinha por volta de 25 anos, era filha do senador Robert M. La Follette, além de ser uma grande opositora da intervenção governamental. Ela era uma mulher muito bonita, com um grande senso de humor, defensora da gramática, feminista, generosa e afetuosa, conforme recordou William F. Buckley Jr, que a conheceu mais tarde.

Havia grande ecletismo entre os colaboradores, entre os quais estavam o historiador econômico Charles Beard, o crítico literário Van Wyck Brooks, o crítico soviético William Henry Chamberlin, o crítico tecnológico Lewis Mumford, o filósofo Bertrand Russell, o investigador de escândalos Lincoln Steffens, o poeta Louis Untermeyer e o economista Thorstein Veblen. The Freeman certamente não era uma revista ultra-libertária.

Oswald Garrison Villard saudou a The Freeman por ter, segundo supunha, engrossado as fileiras do jornalismo de esquerda, porém, Nock respondeu no número de 31 de março: The Freeman é uma revista radical; ela está em campo virgem, ou melhor, num campo negligenciado e mal aproveitado por um longo tempo, o do radicalismo americano.

O esquerdista acredita que o Estado é essencialmente social e que, através de seu aperfeiçoamento por meio de métodos políticos, pode funcionar de acordo com o que se acredita ser sua intenção original. Assim, ele está interessado na política, ele a leva a sério, tem esperança nela e acredita que ela é um instrumento de bem estar social e progresso. O radical, por outro lado, acredita que o Estado é fundamentalmente anti-social e que deve ser extinto da face da terra; não através do assassinato dos líderes políticos. Mas através de um processo histórico de fortalecimento, consolidação e esclarecimento da organização econômica.

Para compreender melhor as raízes da liberdade, Nock fez um apelo para que os americanos fechassem seus olhos para os diálogos diplomáticos e os pronunciamentos oficiais, e lessem Thomas Paine, Thomas Jefferson, Thoreau, Wendell Phillips, Henry George. Nock concluiu dizendo que, sem liberdade econômica, nenhuma outra liberdade era significativa ou duradoura, e que se a liberdade econômica pudesse ser alcançada, nenhuma outra liberdade poderia ser restrita.

Sobre as conseqüências da Primeira Guerra Mundial, Nock escreveu: A guerra fortaleceu muito a fé universal na violência; ela precipitou aventuras imperialistas e ambições nacionalistas infinitas. Toda guerra faz o mesmo num grau mais ou menos correspondente à sua magnitude.

Nock escreveu mais sobre diplomacia do que sobre qualquer outro assunto em The Freeman e, embora não tenha pesquisado documentos diplomáticos, suas viagens pela Europa lhe deram novas perspectivas. Por exemplo, ele testemunhou a inflação desenfreada na Alemanha, em 1923: Fui de Amsterdã a Berlim com aproximadamente 1.250,000 de dinheiro alemão, em valores pré-guerra. Dez anos mais tarde, eu poderia ter comprado metade de uma cidade alemã com essa quantidade de dinheiro. Mas quando eu saí de Amsterdã, minha maior esperança era de que esse dinheiro pudesse pagar uma refeição decente e um lugar para passar a noite.

Nock transformou alguns artigos de The Freeman em seu primeiro livro: The Mith of a Guilty Nation [O mito de uma nação culpada], que, baseado nos trabalhos de Francis Neilson, desmascarou a idéia de que a Alemanha era a única responsável pela Primeira Guerra Mundial. Nock insistia que todos os participantes mereciam a culpa pela catástrofe que resultou em aproximadamente 10 milhões de mortes. O historiador Harry Elmer Barnes escreveu que The Mith of a Guilty Nation era um brilhante trabalho de jornalismo. Naquele tempo era preciso alguma coragem para ser revisionista.

Infelizmente, The Freeman nunca atraiu mais de 7 mil assinantes - número distante do suficiente para ser auto-sustentável. Supunha-se que suas perdas anuais ultrapassassem 80 mil dólares. A revista deixou de ser publicada depois do número de 5 de março de 1924. Foram publicados 208 números, e aparentemente Nock contribuiu com 259 artigos. Ellery Sedgwick, editor da Atlantic Monthlylembrava de The Freeman de Nock como sendo excepcionalmente bem escrita, divertida, original e cheia de peculiaridades imprevisíveis. Oswald Garrison Villard expressou seus agradecimentos à existência da revista e que seria uma tragédia se não fosse encontrado nenhum outro veículo que pudesse se beneficiar da excepcional capacidade de Albert Jay Nock para o trabalho editorial.

Nock partiu para Bruxelas, de onde guardava boas memórias: "Seus hábitos e costumes, sua despretensiosa graça e charme, sua atmosfera de estabilidade e conveniência, são tudo que você esperou impacientemente, e seu rosto tem um feliz sorriso flamengo".

De volta à Nova York, Nock se tornou amigo de H. L. Mencken, o maverick que editava a American Mercury. "Não há melhor companhia no mundo do que Henry, festejou Nock após um jantar em Manhattan. Eu o admiro e tenho afeição por ele. Surpreendi-me com seu grande caráter, imensamente competente, humilde, sincero, erudito, honesto, gentil, generoso, um companheiro realmente nobre, e ninguém merece mais esses adjetivos do que ele."

Logo Nock estava escrevendo para revistas intelectuais como American Mercury, Atlantic Monthly, Harper's, Saturday Review of Literature, e Scribner's. A American Mercury, por exemplo, publicou On Doing the Right Thing [sobre fazer a coisa certa]. Ele escreveu: "O melhor argumento prático em favor da liberdade é que ela parece a única condição que permite que qualquer espécie de fibra moral verdadeira se desenvolva. Tudo mais já foi exaustivamente tentado. Insistindo contra a razão e a experiência, tentamos a lei, a obrigação, autoritarismos de vários tipos, e o resultado não foi nada de que possamos nos orgulhar."

Três admiradores da Filadélfia, Ellen Winsor, Rebecca Winsor Evans e Edmund C. Evans disponibilizaram recursos para que Nock pudesse seguir com seus projetos  e a assistência deles persistiu até o fim de sua vida. Em 1924, ele reuniu escritos do humorista e crítico social americano Artemus Ward (1834-1867), que inspirara Mark Twain. Ward tinha saído de moda, e Nock pensou que suas críticas sociais poderiam ser apreciadas apenas por um pequeno número de pessoas educadas e observadoras, a quem ele chamava de Remanescentes, um termo que se desenvolveria alguns anos mais tarde em uma de suas idéias mais conhecidas.

Mr. Jefferson

Depois Nock passou a se concentrar em ensaios biográficos mais extensos. O primeiro deles foi Mr. Jefferson (1926), que omitiu os acontecimentos mais conhecidos da vida do fundador dos Estados Unidos para concentrar-se no desenvolvimento de seu pensamento. Nock atraiu uma quantidade de dados enorme do The Economic Origins of Jeffersonian Democracy [As origens econômicas da democracia jeffersoniana], de Charles Beard. Jefferson e Hamilton, de Claude Bowers, publicado no mesmo ano, vendeu mais cópias na época e foi mais importante para reviver a reputação de Jefferson, que tinha sido esquecido desde a Guerra Civil. Mas é o livro de Nock que permanece vivo. H. L. Mencken escreveu que o livro de Nock é perfeito, perspicaz, bem organizado e, acima de tudo, charmoso. "Não conheço nenhum outro livro sobre Jefferson que penetre tão convincentemente no essencial do homem.", Samuel Eliot Morison, grande historiador da Universidade de Harvard, exaltou o brilhantismo do Jefferson de Nock. O historiador Merrill Peterson chama o livro de "o mais cativante volume da literatura sobre Jefferson."

Nock adorava o intelectual humanista francês do século XVI, satirista extravagante e individualista François Rabelais, e em 1929 escreveu um livro sobre ele em colaboração com a pesquisadora Catherine Rose Wilson. "Rabelais é um dos maiores libertários do mundo. Foi um porto seguro para meu espírito por trinta anos, e eu não poderia ter superado tantas dificuldades sem ele. O principal sentido de se ler um clássico como Rabelais é amparar seu espírito, especialmente em momentos de fraqueza e debilidade, contra o estresse da vida, para elevá-lo além do alcance dos aborrecimentos, das degradações corriqueiras e purificá-lo do desânimo e do cinismo. Ele deve ser lido como Homero, Sófocles e a Bíblia inglesa." Cinco anos mais tarde, Nock escreveu A Journey into Rabelais's France [Uma viagem à França de Rabelais], um diário de viagem ilustrado por sua amiga Ruth Robinson (1934).

Nock escreveu um ensaio extenso sobre Henry George (1939), baseado principalmente na biografia em dois volumes escrita por Henry George Jr. A contribuição de Nock foi como intérprete, diminuindo a importância da famosa proposta política de George - o imposto único sobre a terra - , lamentando a investida de George sobre a política da cidade de Nova York, e enfatizando suas contribuições como filósofo da liberdade. ?"le foi um dos maiores filósofos", escreveu Nock, e "a voz de todos os seus contemporâneos o aclamou harmônica e unanimemente como um dos melhores."

Enquanto isso, em Março de 1930, apoiadas por Dr. Peter Fireman, Suzanne La Follette e Sheila Hibben lançaram a New Freeman, mas suas perdas foram grandes demais e a publicação foi interrompida depois do número de março de 1931. Nock contribuiu com 54 artigos, a maioria deles sobre arte, literatura e educação. Houve poucos comentários políticos além de uma defesa do fim da lei seca. Seus artigos foram republicados em The Book of Journeyman [O livro do viajante] (1930).

Em The Theory of Education in the United States [A teoria da educação nos Estados Unidos] (1932) e outros escritos, Nock questionou o sonho americano da educação universal. Ele acreditava que, embora a maioria das pessoas pudesse ser treinada para fazer coisas úteis, apenas algumas poderiam verdadeiramente cultivar suas mentes e contribuir para a civilização.

Nock fez uma advertência precoce em relação à catástrofe coletivista. Em julho de 1932, antes de Hitler assumir o poder, Nock observou: "As coisas na Alemanha parecem ruins, vistas à distância. O novo governo, que está tirando proveito de Hitler, parece inclinado ao absolutismo napoleônico."

Nock estava décadas à frente da maioria dos intelectuais na condenação de todas as tiranias. "Deixe de usar as palavras bolchevismo, fascismo, hitlerismo, marxismo e comunismo", escreveu em novembro de 1933, "e você facilmente verá que o princípio que os sustenta é idêntico, o princípio de que o Estado é tudo, e o indivíduo não é nada."

Nock se tornou inimigo implacável do New Deal de Franklin D. Roosevelt. Em maio de 1934, escreveu: "Provavelmente poucas pessoas percebem como a rápida centralização do governo nos Estados Unidos incentiva um tipo de mendicância organizada. Os grandes estados industriais contribuem com a maior parte da receita do governo federal e a burocracia a distribui entre pelos estados pobres, onde ela pode render mais dividendos políticos. O mesmo acontece dentro dos próprios estados. Ao alimentar a mendicância, ela alimenta necessariamente a corrupção. Tudo isso se deve à teoria tributária injusta com que esse país foi totalmente doutrinado, que diz que um homem deve ser taxado de acordo com a sua capacidade de pagar, e não de acordo com os privilégios que obtém do governo."

Nock adotou o pessimismo do arquiteto Ralph Adams Cram, cujo artigo Why We Do Not Behave Like Human Beings [Por que não agimos como seres humanos], de setembro de 1932, afirmava que maioria das pessoas são bárbaros, que há pouca perspectiva de progresso e que o futuro depende de algumas almas civilizadas. "Eu mantive minha doutrina jeffersoniana por um longo tempo, enquanto dava o meu melhor para encontrar defeitos na teoria de Cram, mas não consegui", recordava Nock.

Bernard Iddings Bell, amigo de Nock, persuadiu-o a aceitar ser professor visitante de História dos EUA no Bart College, parte da Universidade de Columbia, e ele permaneceu lá entre 1931 e 1933. Ele deu uma série de palestras que se concentraram na luta pela liberdade. Em seguida, trabalhou nos textos dessas palestras e publicou-os no grande, radical e polêmico Our Enemy, the State [Nosso inimigo, o Estado]. Ele baseou suas idéias em Frank Oppenheimer, que tinha escrito sobre as origens violentas do Estado. Nock defendera a visão dos direitos naturais de Thomas Paine e Thomas Jefferson, e a idéia de liberdade igualitária articulada por Herbert Spencer. Nock ignorou o tabu e disse palavras favoráveis aos Artigos da Confederação Americana (1781-1789), a associação de estados sem um governo central. Ele compartilhava da visão do historiador americano Charles Beard, que a Constituição refletia uma luta entre grupos de interesse.

Nosso inimigo, o Estado

Nosso inimigo, o Estado foi publicado em 1935. Nock escreveu: "Existem dois e apenas dois métodos ou meios pelos quais as necessidades e desejos do homem podem ser satisfeitos. Um é a produção e a troca de riquezas; esse é o meio econômico. O outro é a apropriação não recompensada de riqueza produzida por outros; esse é o meio político, o Estado invariavelmente tem sua origem na conquista e no confisco."

"O Estado", continuava, "tanto em sua gênese quanto em sua intenção primária é simplesmente anti-social. Ele não se baseia na idéia de direitos naturais, mas na idéia de que o indivíduo não possui direitos a não ser aqueles que o Estado possa provisoriamente lhe conceder. Ele sempre fez a justiça ser cara e de difícil acesso, e manteve-se invariavelmente acima da justiça e da moral comum toda vez que pudesse obter alguma vantagem nisso."

Bem antes de outros intelectuais, Nock observou: "As distinções superficiais entre fascismo, bolchevismo, hitlerismo são preocupações de jornalistas e publicistas; aqueles que estudam seriamente vêem apenas uma idéia em sua origem, a conversão de todo poder social em poder estatal. Na Rússia e na Alemanha, por exemplo, vimos recentemente o Estado agir prontamente contra a violação de seu monopólio pelos indivíduos, enquanto, ao mesmo tempo, exercitava seu monopólio com brutalidade ilimitada."

Nock desesperava-se com os indivíduos que se tornam instrumentos voluntários do poder estatal: "Em vez de olhar a progressiva absorção do poder social pelo Estado com a repugnância e ressentimento que sentiriam naturalmente em relação às atividades de uma organização criminal profissional, eles tendem a incentivá-la e glorificá-la, acreditando-se de alguma forma identificados com o Estado, e que, ao consentir com sua expansão indefinida, estão consentindo em algo de que de alguma forma tomam parte."

A maioria dos críticos ignorou Our Enemy, the State, mas o livro recebeu um elogio surpreendente da revista pró-New Deal, New Republic. O editor George Soule colocou Nock entre os melhores ensaístas e mais completos comentaristas da história política.

O trabalho de Isaías

Em seu artigo Isaiah's Job [O trabalho de IsaíaS], de junho de 1936, para a Atlantic Monthly, Nock explicou que sua visão de futuro dependia do que chamou de os Remanescentes. Contou a história do profeta bíblico Isaías, chamado por Deus para advertir as pessoas sobre os tempos difíceis que chegavam. Nock citou Deus: "Diga a eles o que acontecerá se não houver uma mudança profunda em sua maneira de agir e pensar." Mas o Senhor reconheceu que o trabalho missionário não geraria resultados rápidos: "As elites e os intelectuais desprezarão suas advertências; as massas não lhe darão ouvidos e, provavelmente, você terá sorte se conseguir sair vivo disso."

Então, por que se importar? De acordo com Nock, Deus respondeu: "Existem os remanescentes? Eles são humildes, desorganizados e aparentemente desinteressados. Precisam ser incentivados, porque quando tudo der errado serão eles que retornarão e construirão uma nova sociedade e, até que isso ocorra, sua pregação servirá para manter vivos seu interesse e sua esperança. Sua tarefa é cuidar desses Remanescentes. Agora vá e complete sua missão."

Falando sobre prováveis profetas, Nock escreveu que "duas coisas você sabe, e nada mais: primeiro, eles existem; segundo, eles o encontrarão. Exceto por essas duas certezas, trabalhar para os Remanescentes significa trabalhar em uma escuridão impenetrável; e isso, devo dizer, é apenas a condição mais eficientemente calculada para irritar qualquer profeta que possua o dom da imaginação, da inteligência e da curiosidade intelectual necessária para ter sucesso em seu ofício."

Ainda houve outro renascimento de The Freeman em 1937. A centelha criativa dessa vez foi Frank Chodorov, que tinha conhecido Nock um ano antes no Players Club. Décimo-primeiro filho de imigrantes russos, Chodorov tinha se tornado diretor da Escola Henry George, então recentemente fundada, e The Freeman se tornou sua principal publicação. A cada mês, eram publicadas de 18 a 24 páginas que defendiam o capitalismo e se opunham à entrada dos Estados Unidos na guerra européia. Chodorov publicou pelo menos oito artigos de Nock.

Mais do que nunca, Nock rejeitava as afirmações que o governo deveria cuidar dos problemas monumentais da época. Em sua introdução ao livro Meditations in Wall Street [Meditações em Wall Street], escrito por Henry Haskins, e publicado em 1940, ele insistiu que o Estado é o pior instrumento imaginável para o desenvolvimento da sociedade humana e que a crença nas instituições e nos placebos políticos é absurda. "Os filósofos sociais de todas as épocas têm insistido incansavelmente que toda essa tolice é apenas colocar o carro na frente dos bois; que uma sociedade não pode ser moralizada e desenvolvida a menos e até que se seus indivíduos se moralizem e se desenvolvam."

Nock reconhecia a futilidade da revolução por meio da violência. Veja-se por exemplo essas afirmações de sua introdução da edição de 1940 do livro Man Versus the State [O Homem contra o Estado], de Herbert Spencer: "As pessoas estariam tão profundamente doutrinadas pelo estatismo após a revolução quanto estavam antes e, dessa forma, a revolução não seria uma revolução, mas um coup d'état por meio do qual os cidadãos ganhariam nada mais que uma mudança de opressores. Houve várias revoluções nos últimos 25 anos, e tem sido esse o resumo de suas histórias."

Nock foi considerado conservador por se opor a Franklin Delano Roosevelt, que desejava um Estado grande e planejava levar os Estados Unidos a outra guerra européia. Ainda assim, Nock estava entre os poucos intelectuais que manteve sua visão contrária às duas guerras mundiais. Além disso, tendo abandonado suas idéias progressistas anteriores em relação à intervenção governamental, tinha ficado mais radical. Afirmou seu autêntico radicalismo em vários dos 48 artigos que escreveu entre 1932 e 1939 para a American Mercury, em que a oposição a FDR era freqüente. "O Estado alemão está perseguindo uma grande quantidade de pessoas", escreveu Nock em março de 1939, "o Estado russo está promovendo um expurgo, o Estado italiano está invadindo territórios, o Estado japonês está tomando o controle de toda costa asiática Quanto mais fraco um Estado é, menos poder ele tem para cometer crimes. Em que lugar da Europa o Estado tem a ficha criminal mais limpa? Onde é mais fraco: na Suíça, Holanda, Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Suécia, Mônaco, Andorra."

"Muitos hoje acreditam que com a ascensão do Estado 'totalitário' o mundo entrou em uma nova era de barbárie. Não é verdade. O Estado totalitário é apenas o Estado; o tipo de coisa que ele faz é apenas o que o Estado sempre fez, regularmente, quando teve poder para fazê-lo, onde e quando isso fosse conveniente para sua própria expansão?"

"Assim, parece-me claro que, em vez de atacar duramente a injustiça em países estrangeiros, meus compatriotas fariam melhor se trabalhassem para assegurar que o Estado americano não será forte o suficiente para praticar as mesmas injustiças aqui. Quando mais forte permitirmos que o Estado americano fique, mais sua ficha criminal crescerá, de acordo com suas oportunidades e tentações."

As memórias de um homem supérfluo

No início dos anos 1940, Nock se dedicou a escrever seu último e mais famoso livro Memoirs of a Superfluous Man [Memórias de um homem supérfluo]. Trabalhou em uma casa em Canaan, em Connecticut. Escreveu graciosamente sobre o desenvolvimento de suas idéias. Fez comentários perspicazes sobre seus heróis, como Thomas Jefferson, Herbert Spencer e Henry George. Porém, omitiu os detalhes mais pessoais de sua vida, e afogou-se em pessimismo. "Os americanos?, lamentava, já tiveram liberdades; eles tiveram todas; mas aparentemente não descansaram até que abriram mão delas em favor de um grupo perspicaz de políticos profissionais."

Nock atacou um de seus alvos favoritos, a educação pública governamental, que promovia uma reverência supersticiosa e servil ao sacrossanto Estado. De acordo com uma perspectiva, "vê-se [o ensino público] funcionar como um tipo de Sinédrio, uma agência de nivelamento, prescrevendo modelos uniformes de pensamento, crenças, condutas, comportamento social, dieta, diversão e higiene; e como um corpo inquisitivo para a aplicação dessas prescrições, para detectar irregularidades e heresias e suprimi-las. Ou então se vê o ensino público como um corpo sindical, voltado para manter e expandir o leque de direitos adquiridos? Um grupo de pressão política extremamente disciplinado e poderoso."

Harper publicou Memoirs of a Superfluous Man em 1943. Como era de se esperar, os adversários de Nock encheram o livro de críticas - por exemplo, Orville Prescott, do The New York Times, acusava-o de cinismo insolente e desespero profundo. Porém, alguns críticos, como a intelectual Isabel Paterson, que escrevia para The New York Herald Tribune, ficaram encantados com o livro.

Aparentemente Nock teve poucos amigos durante seus últimos anos. Ele se correspondia com seus filhos Francis e Samuel, com a autora de A Descoberta da Liberdade, Rose Wilder Lane, e com Paul Palmer, ex-editor da American Mercury. Almoçava freqüentemente com Frank Chodorov, que fora obrigado a deixar a Escola Henry George por sua oposição à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial; depois de 1943, The Freeman se tornou The Henry George News e assim continua até hoje. Chodorov recorda seus dias com Nock: "Durante o almoço, eu geralmente estava pronto para o café antes que ele terminasse sua sopa , ele lhe alegraria com pedaços de história que esclareceriam uma manchete, ou citaria uma passagem dos clássicos que fosse aplicável, ou tiraria toda a glória de algum personagem qualquer com a mera lembrança de um fato. Ele era uma biblioteca do conhecimento e uma fonte de sabedoria e, se seus interesses fossem parecidos com os dele, você poderia tirar proveito desses dois lados."

William F. Buckley, empresário independente do ramo do petróleo, nascido no Texas e filho de imigrantes irlandeses, considerava-se parte dos Remanescentes que Nock estimava. Apesar do radicalismo de Nock, ele o convidava periodicamente para jantar com sua família em sua grande mansão em Sharon, Connecticut. Buckley apreciava o individualismo e a erudição de Nock, e Memoirs of a Superfluous Man ajudou a estimular seu filho, William F. Buckley Jr, a ir contra as tendências coletivistas da época.

Os últimos dias de Nock

Como nenhuma revista aceitaria qualquer trabalho de Nock, vários de seus amigos construíram o National Economic Council. Inaugurado a 15 de maio de 1943, publicou o Economic Council Review of Books, que Nock editou. Ele continuou quase dois anos, até que sua saúde debilitada o obrigasse a abandonar o trabalho, que foi assumido em seguida por Rose Wilder Lane.

Em 1945, Nock desenvolveu leucemia linfática e foi perdendo gradualmente as forças. Ele disse a seu filho Francis: "Se alguma vez você começar a pensar que seu pai é bom, e você sentir que talvez você deva ter um pouco de orgulho dele, saiba que, no fim das contas, ele não é nada." Ele foi morar junto com sua amiga Ruth Robinson, que morava em Wakefield, Rhode Island. Lá, morreu em 19 de agosto de 1945. Tinha 74 anos e deixou um patrimônio de aproximadamente 1.300 dólares. Já que Nock desejava ser enterrado sem nenhuma comoção, o padre episcopal local realizou um funeral simples na casa de Robinson, e ele foi enterrado no cemitério Riverside, perto dali.

Com seu jeito discreto, Nock exercia uma influencia impressionante. Frank Chodorov defendeu a marca individualista de Nock em seus livros, em analysis (ele mantinha o primeiro 'a' minúsculo), sua newsletter mensal, e na newsletter semanal Human Events, da qual se tornou editor, e fundou a Intercollegiate Society of Individualists [Sociedade Intercolegial dos Individualistas].

De acordo com Henry Regnery, que publicou dois volumes de trabalhos de Nock após sua morte, The Freeman foi uma inspiração para a Human Events, lançada pelo jornalista Frank Hanighen, em 2 de fevereiro de 1944. Hanighen e seu principal colaborador, o ex-presidente do Haverford College Felix Morley, eram por princípio opositores da participação americana em guerras estrangeiras. Pouco antes de sua morte, Nock tinha demonstrado sua admiração pela iniciativa e concordou em escrever alguns artigos. Entre os primeiros colaboradores estavam William Henry Chamberlin, que escrevera para The Freeman, e Oswald Garrison Villard, companheiro de Nock em sua luta contra a guerra.

Em 1950, Suzanne La Follette, antiga companheira de editoria de Nock, uniu-se a John Chamberlain, editor de Life, e a Henry Hazlitt, colunista da Newsweek, para lançar outra Freeman dessa vez, quinzenal. Tinham o apoio do empresário Alfred Kohnberg, de Jasper Crane, executivo da Du Pont, e de Joseph N. Pew Jr, herdeiro da Sun Oil, entre outros. Entre seus célebres colaboradores estavam William F. Buckley Jr, Frank Chodorov, John T. Flynn, F.A. Hayek, Ludwig Von Mises e Wilhelm Ropke. Mas, em 1954, os editores se dividiram entre aqueles (como Henry Hazlitt) que queriam se concentrar na liberdade econômica e aqueles (como La Follette e o volátil Willi Schlamm) que queriam fazer do anticomunismo seu foco principal. O último grupo deixou a revista e se juntou a William F. Buckley Jr em sua quinzenal National Review que, ironicamente, oferecia a seus novos assinantes, uma coletânea com os ensaios de Nock com o título Snoring as a Fine Art [?A bela arte de roncar?] (1958).

A Foundation for Economic Education (FEE), de Leonard Read, comprou a The Freeman, investiu nela, tornou-a mensal, manteve Chodorov como seu primeiro editor e tem sido publicada desde então. Os artigos da Freeman tem sido citados no Chicago Tribune, San Francisco Chronicle, Wall Street Journal, Reader's Digest,e em dezenas de outras publicações, e The Freeman chega a leitores na Argentina, Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Canadá, China, França, Alemanha, Grécia, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Lituânia, Malásia, Polônia, Rússia, Suíça e outros 50 países, bem como os Estados Unidos.

Apesar da proliferação das guerras e da implacável expansão do poder governamental, o individualismo permanece um credo vivo, e Albert Jay Nock merece um crédito considerável por isso. Ele expressou, com clareza, questões fundamentais da liberdade. Ele resistiu a críticas contundentes. Ele desafiou censores. Ele ajudou a ressuscitar nomes gloriosos como Thomas Jefferson, Thomas Paine e Herbert Spencer. Sua convicção moral, sua erudição cosmopolita, sua prosa elegante e sua devoção firme inspiraram outros a tomar parte em sua épica batalha pela liberdade.

(Agradecimentos a Edmund A. Opitz, Jack Schwartman e Robert M. Thomton por ajudarem a proteger materiais raros sobre Nock).

Original em inglês.


Anarquia Cotidiana

Stefan Molyneux

Clique aqui para ler

As Engrenagens da Liberdade

David D. Friedman

Clique aqui para ler

Teoria do Caos

Robert P. Murphy

Clique aqui para ler

Vícios não são crimes

Lysander Spooner

Clique aqui para ler