crise de 2008

 

Tão deprimente quanto parece, geralmente a política supera a economia. Não há nada de novo nisso, mas os defensores do livre mercado devem aprender algumas lições e ajustar suas estratégias adequadamente.

Os políticos que controlam o governo – e acham que controlam o país – têm medo que pareça que não estão fazendo nada. Vimos isso quando a recessão apareceu. Eles estavam especialmente preocupados que parecesse que estavam colocando os interesses políticos acima do bem comum.

Como o Wall Street Journal frisou na  época, “a rapidez com que Washington lançou o plano [de estímulo] foi impulsionada principalmente por uma série de más notícias econômicas. Por baixo dos panos, foi lubrificada por outras motivações poderosas. Democratas do congresso precisavam demonstrar que eram capazes de bons resultados após um ano de impasses. Os legisladores republicanos, querendo a reeleição, queriam mostrar sensibilidade aos problemas econômicos dos eleitores. E a Casa Branca não queria uma 'recessão' adicionada ao seu legado”.

O interesse político foi totalmente alinhado contra o bom senso econômico. Os políticos puderam sair livres disso porque a maioria do público é analfabeta economicamente. O “visto” ofusca o “não visto”. É dessa forma que fazemos política econômica. É isso que está acontecendo atualmente.

Como economistas do livre mercado salientam, o governo não pode estimular o que erroneamente chamamos de “a economia” (não é uma máquina; são pessoas usando suas propriedades para se envolver em transações). Tudo que o governo pode é fazer o dinheiro se movimentar. Para fazer algumas pessoas capazes de gastar mais, é necessário fazer com que outras pessoas gastem menos. Os políticos insinuam que sabem quem deve ter mais dinheiro e quem deve ter menos, mas atrás da óbvia injustiça da ideia, os políticos simplesmente não podem saber.

Os Economistas ficam aquém do esperado

Eu disse que o governo não pode estimular a economia, mas pode encorajar a atividade econômica. Como? Não a desencorajando. Aqui é onde alguns economistas de livre mercado ficam devendo em influenciar o debato público. Muito do que eles dizem está de acordo com esse raciocínio: “A economia é fundamentalmente saudável. As recessões são uma correção necessária de erros. Então deixe a economia trabalhar em cima de seus problemas atuais. O governo não precisa fazer nada”.

A mensagem deve fazer os defensores da liberdade individual se contorcerem, esse argumento implica que o mercado atual é essencialmente tão livre como precisa ser. Por exemplo, alguns anos atrás, as notícias da mídia proclamaram que os preços da gasolina estavam historicamente altos. Na verdade, quando ajustado pela inflação eles não estavam. Mas quando os economistas ressaltam isso parece ser algo defensivo demais, como se eles estivessem defendendo a honra do livre mercado contra suas críticas. O que devemos dizer se na próxima semana a gasolina atingir um aumento histórico e os caras anti-mercado culparem o livre mercado? Eu sei o que eu diria: Que livre mercado? (Com todos os subsídios e regulamentações, como se pode ter um livre mercado?)

A mesma defensividade pode ser vista quando um estatista de esquerda cobra que a diferença entre os ricos e não-ricos aumentou ou a mobilidade de renda diminuiu. Qualquer que seja a verdade contida nessa cobrança, os libertários não devem reagir como se a honra do livre mercado estivesse sendo agredida. Os críticos devem pensar que é o livre mercado que eles estão atacando. Mas – eu digo novamente – não temos livre mercado. Similarmente, se a atividade econômica diminui, não pode ser culpa do livre mercado.

O que nós temos – e temos tido por um bom tempo – é corporativismo, um sistema intervencionista com privilégios garantidos pelo governo principalmente para os bem-conectados – que tendem a ser ricos empresários. Esse sistema é mantido de várias formas: através de impostos, subsídios, regulações que formam cartéis, proteções de “propriedade” intelectual, restrições ao mercado, conluio de bancos e governo, o complexo militar-industrial, concessões de terras, zoneamento, leis para construção civil, restrições aos trabalhadores e por aí vai. Como resultado, as pessoas podem ficar ricas à custa das vítimas do governo. Mesmo alguns que tem prosperado aparentemente pelos meios de mercado têm na verdade conseguido através de intervenção governamental, como subsídios ao transporte e domínio eminente. A riqueza pode ser transferida de várias formas através de assistência social e SUS, muitos deles de maneira bem sutil. Muitas transferências são de baixo para cima (pobres para os ricos).

Fatos Esquecidos

Os economistas de livre mercado sabem disso, mas geralmente parecem esquecer, como quando eles indiscriminadamente defendem empresas (como as companhias petrolíferas e farmacêuticas) na economia corporativista atual. Esses economistas transmitem a mensagem que, já que em um livre mercado as pessoas ficam ricas e as companhias crescem somente servindo aos consumidores, qualquer um que é rico atualmente e qualquer companhia que é grande atualmente deve ter chegado a esse caminho servindo consumidores. A falha no argumento deveria ser óbvia.

Dada a natureza corporativista da economia, é um erro – como também uma estratégia tola – dizer que o governo não deve fazer nada quando uma recessão parece estar chegando ou quando a recuperação está decepcionantemente lenta. Há muito que fazer – ou melhor, não fazer. Os defensores da liberdade devem falar sobre isso em detalhes, revelando como os privilégios governamentais existentes prejudicam a massa da população que não tem conexões políticas. Em contraste, quando um economista que proclama seu apoio ao livre mercado diz que a economia atual irá se corrigir, ele rotula a si mesmo como um defensor do status quo estatista e vira suas costas para as vítimas do estado.

A filosofia da liberdade é uma ideia radical que olha para o futuro, ao invés de olhar para uma era dourada mítica ou um presente Panglossiano.Toda vez que deixamos passar a oportunidade de frisar isso, alienamos potenciais aliados que estão preocupados com aqueles que estão passando por um período difícil. Sim, os padrões de vida têm aumentado por décadas e ser pobre nos EUA não é o que era antigamente – graças a Deus. Isso só demonstra que mesmo um mercado dificultado por privilégios governamentais pode produzir uma riqueza surpreendente. Mas se satisfazer com isso é estar disposto a trocar liberdade e justiça por quinquilharias.

F.A. Hayek nunca disse algo tão sábio quanto o que escreveu em The Intellectuals and Socialism:

O que nos falta é uma utopia liberal, um programa que não pareça ser uma mera defesa de coisas como elas são nem uma versão amena de socialismo, mas um verdadeiro radicalismo liberal que não poupa [nas críticas] as susceptibilidades dos poderosos (incluindo os sindicatos), que não é rigorosamente prático e que não se confina [somente] ao que aparece como possível politicamente atualmente... Aqueles que têm se preocupado exclusivamente com o que parece praticável no estado atual das coisas têm constantemente encontrado que mesmo isso tem rapidamente se tornado politicamente impossível como o resultado de mudanças na opinião pública, que eles não fizeram nada para guiar. Ao menos que possamos tornar os fundamentos filosóficos de uma sociedade livre mais uma vez uma questão intelectual ativa, e sua implementação um objetivo que desafia a ingenuidade e imaginação de nossas mentes mais ativas, as perspectivas da liberdade são realmente obscuras. Mas se podemos recuperar a crença no poder das ideias, que foi o marco do liberalismo no seu auge, a batalha não está perdida. [grifo adicionado.

Hayek escreveu isso mais de 60 anos atrás. Não progredimos tanto quanto pensamos.


Anarquia Cotidiana

Stefan Molyneux

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As Engrenagens da Liberdade

David D. Friedman

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Teoria do Caos

Robert P. Murphy

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Vícios não são crimes

Lysander Spooner

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