gregório

 

Olá, Gregório.

Não terei a petulância de julgar a qualidade narrativa de seu último artigo. Como dizia o Jules Renard, "a ironia é o pudor da humanidade". E você é o especialista da área aqui. Também não cairei em tentação de promover qualquer caça às bruxas. Não sou o Joseph Mccarthy.

Estou escrevendo para falar sobre liberdade.

Pra começo de conversa, confesso que acho tacanha essa tentativa de colar elitismo em tudo aquilo que não seja estado paternalista, como se os defensores da livre iniciativa representassem uma classe organizada inimiga dos menos abastados, sedentos por retirá-los do caminho, excluindo qualquer perspectiva de acesso a serviços básicos para a camada mais pobre da população.

A História é um velho livro de cabeceira empoeirado que narra as andanças da civilização. Página por página a desigualdade - quando acompanhada de pobreza e abandono - surge caminhando sobre as rédeas de uma pequena elite no controle do jogo. Quando isso se traduz em barreiras para que uma camada considerável da população não tenha acesso ao livre comércio, à propriedade privada, ao crédito e outras instituições inclusivas fundamentais para a prosperidade, a pobreza é um resultado inevitável. Os defensores do livre mercado defendem a retirada dessa elite no controle do estado e o fim da política de capitalismo para os ricos e socialismo para os pobres.

Usualmente nosso país ocupa posições tenebrosas em índices de liberdade econômica. No ranking da Heritage somos o 100º. No do Fraser Institute, o 102º. No Easy of Doing Business Rank, do Banco Mundial, o 116º.  Toda nossa algazarra tributária, somada às pilhas de burocracias, formam um imenso muro para que justamente os mais pobres não empreendam e fiquem de fora do banquete que o livre mercado oferece. Não termos instituições inclusivas graças a essas barreiras impostas pelo estado é o grande entrave para a prosperidade dos menos abastados. A nossa luta diária é para quebrá-las.

Talvez tudo isso seja novidade para você, Gregório, mas há uma profunda relação entre liberdade econômica e qualidade de vida. Enquanto os 25% dos países com menor liberdade econômica possuem em média um PIB per capita abaixo dos US$4 mil, os 25% dos países mais livres alcançam uma média superior aos US$30 mil. E nesses dois profundos abismos, os 10% mais pobres nos países mais livres economicamente ganham em média 8 vezes mais que os 10% mais pobres dos países com maior controle estatal na economia. E essa regra não permanece presa à renda. Os países mais livres economicamente possuem uma maior expectativa de vida, qualidade na educação, acesso à água potável e saneamento, além de menores índices de analfabetismo, trabalho infantil e percepção de corrupção.

liberdade econmica e igualdade de renda

Ainda que não estejamos num país que preze pelo livre mercado, quase que de forma unânime a iniciativa privada oferece melhores serviços que a pública. E isso não se dá por um problema de "gerência", mas pelos incentivos aos quais elas estão expostas. Na educação, como retrata o historiador econômico britânico Niall Ferguson em sua mais recente obra:

O problema na Grã-Bretanha não é que haja muitas escolas privadas. O problema é que há muito poucas — e, se seu status beneficente for revogado, haverá ainda menos. Somente 7% dos adolescentes britânicos estudam em escolas particulares, mais ou menos a mesma proporção que nos Estados Unidos. Se você quer saber a razão pela qual os adolescentes asiáticos se saem tão melhor do que seus pares britânicos e norte-americanos nos testes padronizados, aqui está: as escolas privadas educam mais de um quarto dos alunos de Macau, Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Japão. A pontuação média nos exames de matemática do PISA para esses países é 10% superior à do Reino Unido e dos Estados Unidos. A distância entre eles e nós é tão grande quanto a distância entre nós e a Turquia. Não é coincidência que a proporção de estudantes turcos em escolas particulares esteja abaixo dos 4%.

A educação privada não beneficia apenas a elite. Em um artigo de 2010, Martin West e Ludwig Woessmann demonstraram que "um aumento de 10% no número de matrículas nas escolas particulares faz que a pontuação nos exames de matemática de um país apresente uma melhora [...] equivalente a quase meio ano de aprendizado. Também reduz o gasto total por estudante em mais de 5% com relação à média da Organização para a Educação e o Desenvolvimento Econômico". Em outras palavras, mais educação privada significa educação mais eficiente e de melhor qualidade para todos.

Há uma série de vídeos, livros e artigos nessa mesma página publicados com o propósito de quebrar algumas visões distorcidas sobre o livre mercado e o funcionamento de serviços básicos como saúde, educação e saneamento, além de apresentar de que forma a liberdade pode ser uma aliada. Aconselho você também a conhecer o excepcional trabalho do cientista político Diogo Costa com o seu blog Capitalismo Para os Pobres.

Por fim, por não acreditarem em controle centralizado, os defensores do livre mercado não advogam que o estado seja entregue nas mãos de um "puta empresário". O estado já está nas mãos deles e eles usualmente não defendem o livre mercado. O Eike não é filho da competição, Gregório. O Eike, tanto quanto o Carlos Slim no México e outros incontáveis corporativistas, defendem - assim como você - o controle da economia nas mãos do estado; um estado que, não por acaso, eles dominam. Nós estamos num caminho absolutamente contrário, defendendo instituições inclusivas para a prosperidade, quebrando barreiras que afastam os mais pobres do empreendedorismo e da mobilidade social, defendendo que o poder de escolha volte ao indivíduo e que a livre iniciativa ajude a mitigar problemas que, não por mera coincidência, o estado não dá conta de resolver.

De que lado você está, Gregório?


Anarquia Cotidiana

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As Engrenagens da Liberdade

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Teoria do Caos

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