Não é só pelos 4 mil

 

Toda vez que um novo produto desejado vai ser lançado no Brasil é a mesma ladainha. De um lado ficam aqueles que acusam os elevados impostos de serem responsáveis pelos preços absurdos. Do outro, os que, ao verem que nem sempre as taxas cobrem todo o preço, colocam a culpa na proverbial ganância capitalista.

Essa turma que acompanha sonegômetro achando que mais de R$2 trilhões de reais anuais de arrecadação é pouco para o governo até criou o termo "Lucro Brasil" pra jogar nas costas dos gananciosos empresários o fato de um carro popular aqui custar o mesmo que um modelo topo de linha em outros países. Por enquanto, ainda falta explicar por que só com os “burgueses” brasileiros esse efeito acontece. Deve ser alguma coisa na água, certamente.

Abaixo ao lucro brasil

Num país em que boa parte das pessoas apoia um órgão do governo invadir, procurar documentos privados e prender um dirigente de clube de futebol na tentativa de impedir o aumento de preço nos ingressos pra uma final de campeonato, pode ser difícil simplesmente encerrar a discussão com “a empresa cobra o que ela quiser”. Então vamos dar uma olhada nos bastidores desse tal “Lucro Brasil”.

É fato sabido que o Brasil não apenas tem taxas de impostos altíssimas como também incidem de forma bizarra umas sobre as outras. Usarei um caso pessoal como exemplo: ano passado, eu comprei uma camisa do Liverpool na loja online do clube na esperança que um pedaço de pano que nem é vendido por aqui fosse passar batido ao entrar no país. Ledo engano. Não só o produto foi taxado como custou o dobro do que eu paguei na compra.

Agora imaginem se eu resolvesse abrir uma fábrica para produzir as camisas licenciadas pela Warrior (a marca da camisa) aqui no Brasil. Por que motivo eu cobraria um preço próximo ao “original”, se comprar na minha única concorrência (o produto importado) custa o dobro? Isso ignorando toda a burocracia que existe para abrir uma empresa, contratar pessoal e comprar maquinário que provavelmente vem de fora com os já supracitados mega-impostos.

Estado atrapalhando o empresário

É esse o pulo do gato para entender que, na verdade, o “Lucro Brasil” não passa de um filho bastardo do protecionismo com a burocracia estatal. Tanto os altos impostos desenhados para proteger uma suposta indústria nacional quanto a dificuldade em abrir e regularizar empresas no país criam uma altíssima barreira de entrada no mercado, que, por sua vez, gera uma escassez que na realidade não existe. A cereja no bolo é a alta instabilidade legal do Brasil. Nunca se sabe quando o congresso vai passar uma lei, “pelo bem da população”, que proíba determinado produto ou serviço de ser oferecido, incentivando os empresários a tentarem recuperar seu investimento o mais cedo possível. O resultado, claro, é Playstation de 4 mil reais e outras coisas do gênero.

Por tudo isso que, da próxima vez que um produto feito na China chegar aqui pelo dobro do preço americano ou europeu, lembre-se que ganância não é exclusividade do empresário nacional. Todos eles querem ganhar o máximo de dinheiro possível. A diferença é que, aqui, os poucos “eleitos” que entram no mercado podem se dar ao luxo de se dobrar ao pecado capital sem medo de quebrarem diante da concorrência.


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