Comparada com a vida nos países do Ocidente, onde o setor socialista é significativo, a vida sob o socialismo total é miserável.

O padrão de vida é tão deplorável que, em 1961, o governo da Alemanha Socialista construiu um sistema de muros, arame farpado, grades elétricas, campos minados, dispositivo de disparo automático, torres de vigia, cães de guarda e vigias, de quase 900 milhas de comprimento, para evitar que as pessoas fugissem do socialismo.

A evidência empírica mostra que o socialismo é um fracasso total. E a causa do fracasso do socialismo é clara: quase não existe propriedade privada dos meios de produção, e quase todos os fatores de produção pertencem a todos, precisamente da mesma forma que os norte-americanos são donos do seu Serviço Postal (USPS) [ou que os brasileiros são donos da Petrobras].

Por que, então, pessoas aparentemente sérias ainda defendem o socialismo? E por que ainda existem milhares de cientistas sociais que querem colocar mais e mais fatores de produção sob controle social ao invés de privado?

Por um lado, é claro, alguns socialistas podem simplesmente ser maus. Eles podem não ter nada contra a miséria, especialmente se é somente a miséria dos outros, e eles tem a responsabilidade de administrá-la enquanto vivem em suas mansões.

Mas eu estou interessado naqueles que defendem o socialismo porque é supostamente mais “produtivo” do que o capitalismo. Eles afirmam que a evidência mostrando o contrário, como na Alemanha do Leste, não vem ao caso, ou talvez é meramente acidental.

Mas como alguém pode negar que a experiência da Alemanha Oriental e da Rússia é evidência decisiva contra o socialismo? Como as pessoas podem permitir-se a promover essa visão absurda de que a evidência contra o socialismo é meramente acidental?

A resposta está na “respeitável” filosofia do empirismo. É o empirismo que protege o socialismo da refutação por seu próprio fracasso, e dá ao socialismo o resto de credibilidade que ainda tem.

É por isso que a crítica misesiana ao socialismo ataca tanto o socialismo quanto o empirismo. Ela explica que existe uma conexão necessária entre o socialismo e padrões de vida inferiores; a experiência russa não é um acaso; e a tentativa do empirista em fazê-la parecer um acidente constitui-se num erro intelectual.

O empirismo é baseado em duas suposições fundamentais: primeiro, uma pessoa não pode saber tudo sobre a realidade com certeza, a priori; e, segundo, uma experiência nunca pode provar definitivamente que uma relação entre dois ou mais eventos existe ou não.

Usando aquelas duas suposições como ponto de partida, é fácil rejeitar refutações empíricas do socialismo.

O socialista-empirista não nega os fatos. Na verdade, ele irá (relutantemente) admitir que os padrões de vida são deploráveis na Rússia e no Europa Oriental. Mas ele clama que essa experiência não se constitui como um argumento contra o socialismo.

Em vez disso, ele afirma, as condições miseráveis são o resultado de algumas circunstâncias negligenciadas e incontroláveis que serão tratados no futuro, depois do qual todos verão que o socialismo significa maiores padrões de vida.

Com o empirismo, mesmo as notáveis diferenças entre a Alemanha Ocidental e Oriental podem assim serem desprezadas. O empirista diz, por exemplo, que é porque a Alemanha Ocidental recebeu a ajuda do Plano Marshall enquanto a Alemanha Oriental tinha de pagar reparações à União Soviética; ou porque a Alemanha Oriental era composta das províncias rurais, menos desenvolvidas; ou que a mentalidade de servidão não foi descartada no Leste até muito depois; e assim por diante.

Nem mesmo o experimento mais perfeitamente controlado pode mudar essa situação desagradável, pois é impossível controlar toda a variável que pode de modo concebível influenciar a variável que queremos explicar. Nós nem mesmo conhecemos todas as variáveis que compõem o universo, tornando todas as questões permanentemente abertas a experiências recém-descobertas.

De acordo com o empirismo, não existe forma pela qual nós possamos descartar qualquer evento como sendo uma causa possível de outra coisa. Mesmo as coisas mais absurdas – desde que tenham ocorrido anteriormente no tempo – podem ser causas possíveis. Assim, não existe limite para o número de desculpas.

O socialista-empirista pode rejeitar qualquer acusação feita contra o socialismo contanto que seja baseada somente em evidências empíricas. Ele pode afirmar que, já que nós não podemos saber quais serão os resultados das políticas socialistas no futuro, nós temos que testá-las e deixar que a experiência fale por si mesma. E não importa quão ruim serão os resultados, o socialista-empirista pode sempre se salvar culpando alguma variável antes negligenciada, mais ou menos plausível. Ele faz uma recém-revista hipótese, supondo que deve ser testada indefinidamente.

O empirista diz que a experiência pode dizer-lhe que uma política socialista particular não alcançou o objetivo de produzir maior riqueza. Contudo, nunca poderá dizer-lhe se uma levemente distinta produzirá melhores resultados. Tampouco a experiência lhe dirá que é impossível melhorar a produção de mercadorias e serviços, ou aumentar o padrão de vida, por meio de qualquer política socialista, seja ela qual for.

Agora vemos o quão dogmática a filosofia empirista realmente é. Apesar de sua suposta abertura e seu apelo à experiência, o empirismo é uma ferramenta intelectual que completamente imuniza alguém da crítica e da experiência. É o perfeito meio intelectualmente desonesto de proteger o socialismo da verdade de seu próprio fracasso.

A economia misesiana mostra que o socialismo fracassa porque viola as leis irrefutáveis da economia – entre elas, a lei da troca, a lei da utilidade marginal decrescente, a lei ricardiana da associação, a lei do controle de preços, e a teoria quantitativa da moeda – as quais podem ser deduzidas do axioma da ação por meio da lógica aplicada. E, assim, nós podemos saber – de antemão e absolutamente – quais serão as consequências do socialismo não importando onde for tentado.

Se nós queremos atacar o socialismo, nós devemos também atacar o absurdo erro intelectual do empirismo. E se queremos derrotar o socialismo, nós devemos argumentar baseados nos princípios da lógica da ação humana misesiana e das leis irrefutáveis da economia.

 

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Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Adriel Santna. 


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