Bandeiras dos Libertários

 

O espectro do libertarianismo está assombrando os Estados Unidos. Os defensores da redução drástica do tamanho, escopo e gastos do governo estão levantando valores consideráveis de doadores republicanos, tentando roubar o “manto do populismo”, sendo acusados pela “decadência de Detroit” e até mesmo se encontrando no meio da “batalha interna do Partido Republicano”. Mesmo assim, os libertários estão entre as forças mais mal interpretadas na política atual. Vamos esclarecer algumas concepções errôneas.

1. Os libertários são um bando de “hippies da direita”

Em 1971, a controversa e influente filosofa Ayn Rand denunciou os anarquistas de direita como “hippies da direita”, uma acusação ainda utilizada contra os libertários, que buscam o estado mínimo e a plena liberdade individual.

Os libertários são frequentemente apontados como uma subespécie mutante dos conservadores: fumantes de maconha que são flexíveis na questão da defesa e apoiam a igualdade no casamento (de direitos e, se for o caso, de orientação sexual). Contudo, dependendo de suas visões, os libertários têm, com frequência, um bom relacionamento tanto com pessoas de direita, como de esquerda.

O exemplo mais antigo dos princípios libertários na política partidário pode ter ocorrido no final do século XIX e início do século XX, quando Anti-Imperialist League Democrats (tradução livre, Liga Democrática Anti Imperialista) combateu o imperialismo e a guerra – acreditando no livre comércio e na igualdade racial em um momento histórico quando nenhum dos dois era popular. Recentemente, libertários civis como o senador Ron Wyden (Democrata do Estado de Oregon) apoiaram o senador Rand Paul (Republicano do Estado de Kentucky) no seu filibuster em relação aos drones domésticos e vigilância governamental.  

Os libertários são encontrados através do espectro político e em ambos os partidos políticos. Em setembro de 2012, a pesquisa de opinião pública feita pela Reason-Rupe concluiu que cerca de ¼ dos norte-americanos são classificados na categoria libertária, aquela que deseja reduzir a intervenção governamental nas questões econômicas e sociais. Os mesmos valores foram encontrados em outros estudos e eles são suficientes para decidir uma eleição.

2 Os libertários não dão a mínima para as minorias ou os pobres

Como uma descoberta recente dos escritos de um ex-assessor do Senador Rand Paul mostra, existe às vezes uma conexão entre libertários e elementos racistas e assustadores da política norte-americana. E dada a influência da Ayn Rand entre muitos libertários, é fácil pensar que eles somente se importam com eles próprios. “Eu nunca vou viver por causa de outro homem”, diz uma frase conhecida do romance A Revolta de Atlas, de 1957.

Mas, pelo menos, duas das causas chave do movimento libertário - a escolha escolar e a legalização das drogas - são focadas na melhoria da vida dos pobres, os quais são também, desproporcionalmente, minorias. O objetivo primário da escolha escolar - um movimento essencialmente nascido de um ensaio de 1955 sobre vouchers pelo libertário, economista e ganhador do Prêmio Nobel Milton Friedman – é dar aos norte-americanos de baixa renda melhores opções educacionais. Friedman também argumentou, de modo persuasivo, que a guerra contra as drogas concentra a violência e abusos relativos à polícia e à execução de leis nos bairros mais pobres.

Os libertários acreditam que a desregulação econômica ajuda os pobres, pois, em última instancia, reduz os custos e as barreiras ao início de novos negócios. A principal empresa de advocacia libertária de interesse público, o Institute for Justice, o qual tem participado de casos na Suprema Corte contra o abuso do domínio eminente e em prol da liberdade de expressão, iniciou seus trabalhos defendendo barbeiros afro-americanos em Washington das leis de licenciamento que fecharam seus negócios.  

3. O libertarianismo é um tipo de “clube do bolinha”

Enquanto o estereótipo de um libertário como um engenheiro com sua régua de cálculo dentro de um protetor plástico uma vez tinha um nível de verdade muito maior do que os libertários importavam-se em admitir, o movimento é, de muitas formas, uma criação de três intelectuais do sexo feminino.

Como Brian Doherty detalha no seu livro de 2008, “Radicals for Capitalism”, o movimento libertário moderno foi amplamente influenciado por uma romancista e escritora, Ayn Rand; por uma crítica e escritora, Isabel Paterson; e a escritora Rose Wilder Lane, filha de Laura Ingalls Wilder (“Little House on the Prairie”), cujo trabalho ela editou. Na primeira lista de candidatos nas prévias do Partido Libertário, em 1972, havia uma mulher, Toni Nathan, como candidata à vice-presidência, e desde o seu início, o partido tem apoiado os direitos à reprodução e tratamento igualitário sob a lei para as mulheres.

Novos grupos como o Ladies of Liberty Alliance (tradução livre, Mulheres da Aliança Libertária) estão crescendo por enfatizar os benefícios da liberdade econômica para uma classe próspera de empresárias.

4. Libertários são pró-drogas, pró-aborto e anti-religião

As acusações de libertinagem são, aliás, exageradas. Virtualmente, todos os libertários acreditam que a proibição de qualquer atividade consensual gera muito mais problemas do que resolve. O princípio chave é que só porque algo é legal não significa que você deve endossá-lo, muito menos praticá-lo. Ron Paul gerou risadas quando, em um debate das primarias do Partido Republicado em 2011, eles perguntou a plateia se eles provariam heroína se esta fosse legalizada.

Cerca de 30% dos libertários – incluindo muitos políticos com inclinação libertária, tais como o republicano Justin Amash (do Estado de Michigan) – são fortemente pró-vida. A maioria das pessoas, todavia, acredita que a melhor forma de mudar o comportamento é por meio da persuasão moral e não por versões de proibições que não funcionam.

O mesmo se aplica à religião: ela deveria ser livre e celebrada contanto que a participação seja voluntária. Acima de tudo, o proto-libertário Roger Williams co-fundou a primeira congregação batista nos Estados Unidos e criou Providence, R.I., como um refúgio de tolerância religiosa e total governo secular numa época quando não se ouvia falar disso.

5. Os libertários estão destruindo o Partido Republicano

Em 1975, Ronald Reagan viu uma afinidade entre os libertários e o seu partido: “se você analisar, eu acredito que o coração e a alma do conservadorismo é o libertarianismo”, afirmou.

Parece haver agora um sentimento de almas compartilhadas, apesar de o governador de Nova Jersey Chris Christie dizer coisas como: “essa corrente de libertarianismo que está se infiltrando em ambos os partidos agora e aparecendo nas primeiras páginas, acho perigosa”. Christie estava referindo-se primariamente a Rand Paul, um rival potencial para as primárias republicanas à presidência de 2016. O Senador John McCain (Arizona) atacou Rand Paul, Amash e outros críticos do estado vigilante como “wacko birds”, e os defensores do establishment do Partido Republicano estão preocupados com o crescimento da ala libertária.

Mesmo assim, os republicanos reconhecem a necessidade de uma grande renovação depois da eleição de 2012, e isso é exatamente o que os políticos simpatizantes com o libertarianismo estão oferecendo. Rand Paul propôs um orçamento que corte cerca de 500 bilhões de dólares nos gastos anuais, e pede reformas na área insustentável do assistencialismo e um fim às experiências militares no exterior. O que tem sido chamado de “programa ultra liberal ultrapassado” é uma tentativa de apelar a uma fatia mais ampla de eleitores do que os brancos da classe média. Os republicanos “necessitam ser brancos, necessitam ser pardos, necessitam ser negros, necessitam ter tatuagens e não ter tatuagens, necessitam ter e não ter rabos de cavalo, necessitam ter barbas e não ter barbas”, disse ele para o público de New Hampshire em maio.

Essa é uma mensagem que poderia amargurar republicamos conservadores, contudo, é provável que tenha boa aceitação entre os eleitores jovens que, de acordo com um estudo do College Republican National Committee (numa tradução livre, Comitê Nacional Republicano nas Faculdades), querem que o tamanho do Estado diminua e que ele seja mais inclusivo.

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Tradução de Mathues Pacini. Revisão de Adriel Santana.


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