Dilma Roussef


O texto foi levemente adaptado para a realidade brasileira apenas substituindo o nome do político (Barack Obama) e a intervenção (saúde pública).

Aborrece-me um pouco quando os conservadores qualificam Dilma Roussef como uma “socialista”. Ela certamente é inimiga do livre mercado, e deseja que os políticos e os burocratas tomem as decisões fundamentais sobre a economia. Mas isso não significa que ele busca a propriedade governamental dos meios de produção, a qual tem sido, por muito tempo, a definição de socialismo.

Dilma tem pressionado por, e caminhado em direção de algo mais insidioso: o controle governamental da economia, enquanto deixa a propriedade em mãos privadas. Dessa forma, os políticos dão as cartas contudo, quando suas ideais brilhantes levam ao desastre, ele podem sempre culpar os empresários do setor privado.

Politicamente, é cara (eu ganho) se as coisas vão bem, e coroa (os empresários perdem) quando as coisas vão mal. Isso é muito mais preferível, do ponto de vista da presidente, visto que lhe concede uma variedade de bodes expiatórios para todas as suas políticas fracassados, sem ter de usar FHC como bode expiatório todas as vezes.

A propriedade governamental dos meios de produção significa que os políticos são responsáveis pelas consequências de suas políticas, e tem de assumir quando aquelas consequências são desastrosas – algo que Dilma Roussef evita como se fosse uma praga.

Dessa forma, a administração da presidente pode arbitrariamente forçar médicos a trabalharem no SUS por dois anos. Obviamente, isso cria uma publicidade favorável para o governo Dilma. Mas se esse e outros decretos governamentais fazem com que menos médicos se formem, então, a culpa pode ser atribuída à “ganância” dos médicos.

O mesmo princípio, ou falta de princípios, aplica-se a muitos outros negócios de propriedade privada. É uma manobra muito exitosa que pode ser adaptada a todos os tipos de situação.

Uma das razões pelas quais ambos os observadores, tanto pró-Dilma quanto anti-Dilma, podem estar relutantes a vê-lo como fascista é que ambos tendem a aceitar que a noção predominante está na direita política, enquanto é obvio que Dilma está na esquerda política.  

Nos anos 1920, entretanto, quando o fascismo era uma novidade na esfera política, era ampla – e corretamente – considerado como sendo da esquerda política. No grande livro de Jonah Goldberg “Fascismo de Esquerda” cita evidências incontestáveis da busca consistente dos fascistas dos objetivos da esquerda, e a adoção dos fascistas pela esquerda como seus co-irmãos durante a década de 1920.

Mussolini, o criador do fascismo, foi tratado como celebridade pela esquerda, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, durante a década de 1920. Até mesmo Hitler, que adotou as ideias fascistas nos anos 1920, era visto por alguns, incluindo W.E.B Du Bois, como um homem de esquerda.

Foi nos anos 30, quando as horrendas ações nacionais e internacionais de Hitler e Mussolini causaram aversão ao mundo, que a esquerda se distanciou do fascismo e sua ramificação nazista – e verbalmente cedeu essas ditaduras totalitárias à direita, colocando a responsabilidade por esses párias nas costas de seus oponentes.

O que o socialismo, o fascismo e outras ideologias de esquerda tem em comum é a suposição de que algumas pessoas muito sábias – como eles – necessitam tomar decisões em nome de pessoas inferiores intelectualmente, como o resto de nós, e impor tais decisões por meio de decretos governamentais.

A visão da esquerda não é só uma visão de mundo, mas também uma visão de si própria, como seres superiores perseguindo objetivos superiores. Nos Estados Unidos, contudo, essa visão entra em conflito com a Constituição que começa, “Nós as Pessoas...”

É por isso que a esquerda tem por mais de um século tentado afrouxar as restrições ao governo estabelecidas na Constituição ou se esquivar das mesmas por meio de novas interpretações dadas pelo Poder Judiciário, baseado nas noções de uma “Constituição viva” que irá retirar a decisão das mãos de “Nós, as Pessoas” e transferi-las para nossos superiores. A autossuficiência dessa visão da esquerda também concede a seus seguidores um grande ego nessa visão, o que significa que meros fatos não os farão reconsiderar, não importando qual evidência seja mostrada em contrário, e não importando essas consequências desastrosas.

Somente a nossa própria conscientização sobre o que está em jogo pode nos salvar da presunção crescente de nossos superiores, sejam eles chamados de socialistas ou fascistas. Enquanto acreditarmos na sua retórica, nós estamos renegando nosso direito de nascença à liberdade.

***

Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro.


 

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