V de Vingança

Os americanos, em sua maioria, parecem desinteressados nas ações militares do governo dos Estados Unidos no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália e em outros lugares. As forças dos Estados Unidos não apenas participam na matança injustificada e no tratamento cruel de prisioneiros como, também, de vigilância e de outras atividades de inteligência que poderiam intimidar o povo americano se fossem usados no país.

Pois bem, adivinhem: "Tecnologias e técnicas desenvolvidas para uso nos campos de batalha do Iraque e do Afeganistão migraram para as mãos de agências de execução da lei nos Estados Unidos," escreve o Washington Post em sua série de artigos “Top Secret America" (Os Estados Unidos do Sigilo Máximo).

Informa o Washington Post:

Nove anos após os ataques terroristas de 2001, os Estados Unidos estão montando um vasto aparato de inteligência doméstica para coletar informações acerca dos americanos, usando o FBI, a polícia local, escritórios de segurança interna do estado e investigadores criminais militares. O sistema, de longe o maior e mais tecnologicamente sofisticado da história do país, coleta, armazena e analisa informações acerca de milhares de cidadãos e residentes dos Estados Unidos, muitos dos quais não foram acusados de qualquer delito.
O objetivo do governo é que toda agência estadual e local de execução da lei no país forneça informação a Washington para apoiar o trabalho do FBI, que é encarregado das investigações de terrorismo nos Estados Unidos.

Triste dizer, esse artigo obteve pouca atenção. Será assunto de tão pouca importância? Governos em todos os níveis estão unidos em uma campanha para espionar americanos, coletando, analisando e armazenando dados sem causa provável e praticamente ninguém parece importar-se.

Será que os americanos tornaram-se tão dóceis que engolem sem resistência qualquer coisa racionalizada como indispensável na "guerra contra o terror"? Se sim, então abandonaram uma das maiores virtudes das primeiras gerações: a suspeita em relação ao poder. Poderiam igualmente parar de falar acerca de liberdade e individualismo, porque estes agora são apenas um punhado de palavras vazias.

O Washington Post informa: "O FBI está construindo uma base de dados com os nomes e certas informações pessoais, tais como histórico de emprego, de milhares de cidadãos e residentes dos Estados Unidos que algum oficial da policial local ou algum concidadão tenham acreditado estarem agindo de maneira suspeita. Ela é acessível a um crescente número de execução da lei local e de investigadores criminais militares, aumentando a preocupação de que isso poderia de alguma forma acabar no domínio público." (grifo nosso.)

Isso soa [a delação] muito parecido como o que se passa em regimes totalitários, onde o governo mantém o controle da população, estimulando todo mundo a espionar todo mundo e a dar dicas quanto a atividades suspeitas. Quantas pessoas acabarão na base de dados pelo fato de alguém que não goste delas relatá-las às autoridades? A campanha "Se vir algo, diga algo" do Departamento de Estado é verdadeiramente assustador. Desejamos uma nação de delatores?

Não pensem que isso tenha qualquer coisa a ver com "terrorismo." O alto volume de informação fluindo em computadores do governo vai realmente tornar as agências de execução de lei menos capazes de detectar ameaças reais. A coleta indiscriminada de dados torna-nos menos, não mais seguros.

Não deveríamos ser ingênuos a ponto de pensar que esses novos poderes de coleta de dados não serão usados ainda quando as autoridades souberem não haver ameaça. O Wasington Post diz que "relatórios estaduais por vezes informaram inadequadamente reuniões legais." Isso não deveria surpreender ninguém. Deem ao governo o poder de espionar os caras maus e ele espionará qualquer pessoa que entender que deva. Apostar contra isso é como apostar que o sol não nascerá amanhã.

Obviamente, as autoridades do governo dizem que apenas ameaças reais são alvo de escuta. Notem que o War Party (N.do R.: "Partido da Guerra" é o modo como é chamado a ala do Partido Republicano que defende guerras externas) estava errado quando disse que "lutar contra eles lá fora" significaria que não teríamos de "lutar contra eles aqui dentro." Na verdade, lutar contra eles lá fora é o que trouxe a ameaça aqui para dentro. Agora, porém, dizem-nos que o "terrorismo" nascido aqui dentro é o novo grande perigo. Há muito motivo para ceticismo: as alegadas tramas expostas pelo FBI parecem ter sido criadas pelos próprios informantes do FBI. Se o FBI tem de fornecer um "suspeito" com explosivos falsos antes de prendê-lo, que ameaça estava realmente envolvido? Casos assim deveriam dar náusea em todo americano. Os agentes do governo não deveriam estar aplicando testes de segurança nos indivíduos e prendê-los se eles falham neles. 

Aparentemente, contudo, nesta época de "guerra contra o terror" tudo é permitido. Alguém se importa?

***

Tradução de Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme. Revisão de Rodrigo Viana. 


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