Criar Emprego .vs. Criar Valor

  

Implicar com o colunista do New York Times, Paul Krugman, é um dos meus esportes favoritos na internet. E com razão, já que ele costuma dizer coisas ridículas que exigem reposta daqueles que entendem economia básica melhor que ele, apesar dele ter ganho o Prêmio Nobel. Em sua coluna de 26 de Janeiro, “Jobs, Jobs and Cars” (leia em: http://goo.gl/V6b8y), mais uma vez ele deu tal deixa. Desta vez o tema é sobre a criação de emprego.

Krugman alega que o argumento do Partido Republicano para a importância da criação de empregos baseia-se demais no “empreendedor heroico” ao invés de reconhecer que “companhias de sucesso – ou, em todo caso, companhias que fazem uma grande contribuição à economia nacional – não existem isoladamente”. Para Krugman, isso significa que existe uma grande ajuda do governo. Embora eu não possa falar por todos os políticos republicanos, posso dizer que a visão do argumento do Krugman sobre o livre mercado é totalmente equivocada.

O argumento sobre o mercado é baseado precisamente no fato que o empreendedor existe em um contexto social que ajuda a determinar quão efetivamente suas ações irão ser. O empreendedor mais heroico imaginável não pode ser muito produtivo se ele está acorrentado pelas regulamentações do governo ou está tentando operar em uma sociedade com direitos de propriedade mal definidos ou mal aplicados. Como Ludwig von Mises reconheceu tempos atrás em 1920, essa é a mesma razão no qual os empreendedores de sucesso falham lamentavelmente quando tentam gerenciar as agências governamentais como negócios: O que dá ao empreendedor a possibilidade de sucesso são os sinais de mercado, que são necessários para determinar o que as pessoas querem e como podem ser melhor fornecidos. Até a pessoa mais esperta não pode aprender se o professor usar giz negro em um quadro negro em uma sala escura. Nenhum empreendedor pode ter sucesso isoladamente.

Ainda mais importante, é que tanto Krugman quanto os políticos de todos os partidos estão muitos preocupados com a criação de empregos quando eles deveriam estar preocupados com a criação de valor. Criar empregos é fácil; é criar valor que é difícil. Podemos criar milhões de empregos bem facilmente destruindo todas as maquinarias das fazendas dos EUA. A questão é se na verdade estamos melhores criando esses empregos – e a resposta é um definitivo não. Queremos tecnologias que “poupadoras de trabalho” e “destruidoras de empregos” porque elas criam valor nos permitindo produzir coisas a custos menores e assim desviando trabalho para usos mais urgentes.

Um século atrás, 40 % dos americanos trabalhavam na agricultura; hoje são menos de 2 %. Os antigos fazendeiros não se tornaram desempregados. A riqueza criada pela maior produtividade na agricultura e os menores preços nos permitiram exigir vários tipos de novos produtos que por sua vez criaram muitos outros empregos que os perdidos na agricultura. Essa é a história da inovação em todo lugar.

Então, melhor que pensar sobre a criação de empregos, vamos nos focar na criação de valor. O argumento para liberar os mercados é que tal liberdade permite aos indivíduos encontrar melhores maneiras de usar seu conhecimento e habilidades para criar valor para outros e desta forma criar riqueza para si mesmos. Quanto mais riqueza os criadores de valor podem manter para si, mais provável que eles continuem criando-a. Mesmo se a inovação da criação de valor destrói empregos a curto prazo, a riqueza crescente será de grande ajuda na criação de emprego a longo prazo.

Krugman tenta criticar a Apple argumentando que o “heroico” Steve Jobs criou somente cerca de 43.000 empregos na Apple nos EUA (embora tenha criado cerca de 700.000 fora do país). Mas ele esqueceu um ponto: o número real da criação de empregos que importa aqui são todos os trabalhos auxiliares criados através da invenção do Mac, iPod, iPhone e iPad. Essas invenções, juntamente com todas as tecnologias de inovação, criaram centenas de milhões de empregos em programação, web design, aplicativos, manutenção de hardware, acessórios e afins.

Krugman também dá um golpe nos fãs da Ayn Rand referindo-se ao “John Galt, digo 'criador de empregos' do tipo Steve Jobs”. Mas Krugman está levado ao erro por sua própria piada: o motor inovador de John Galt pegava eletricidade estática do ar e transformava em energia útil, que se tornou um grande destruidor de empregos! Novamente, o triunfo da inovação empresarial não é a criação de empregos, mas em criar valor. O motor de Galt liberou uma grande quantidade de trabalho a ser dedicado para novas necessidades possíveis pela fonte barata de energia. Krugman não pode sequer ver que seu próprio exemplo enfraquece seu argumento.

A próxima vez que alguém começar a falar sobre criação de empregos, pare de ouvir. Os empregos existem quando empreendedores são livres para criar valor. Visar diretamente a criação de empregos é uma receita para o desperdício e a pobreza. Deixe as pessoas livres para usarem seus talentos para criar valor para outros e os empregos surgirão.

 

***

Traudução de Robson Silva. Revisão por Juliano Torres.


 

Veja também:

Como criar empregos: criando valor, não somente trabalho.  

 


Anarquia Cotidiana

Stefan Molyneux

Clique aqui para ler

As Engrenagens da Liberdade

David D. Friedman

Clique aqui para ler

Teoria do Caos

Robert P. Murphy

Clique aqui para ler

Vícios não são crimes

Lysander Spooner

Clique aqui para ler