Não importa o que pensem sobre Ayn Rand enquanto novelista. É justo dizer que seus livros, especialmente A Revolta de Atlas, contem muitos pensamentos econômicos e políticos sofisticados.  É justo dizer que A Revolta de Atlas é o romance com maior cunho econômico jamais escrito. Embora Ayn Rand não baseasse seus argumentos respeitando a linguagem da teoria econômica, existe muito em A Revolta de Atlas que é consistente com a boa teoria econômica. Isso não deveria ser uma surpresa sabendo que o seu economista favorito foi Ludwig Von Mises, o seu capitulo “Aristocracia do Pistolão” é repleto de economia politica que cabe perfeitamente nas teorias da Escolha Publica junto com toda a historia do liberalismo clássico remetendo no mínimo a Adam Smith. O famoso discurso “Amor ao Dinheiro” do personagem Francisco D’Anconia contem muitas observações astutas sobre a natureza do dinheiro e sua função em uma economia de mercado.

O menos notado nesse cenário é um romance de Ayn Rand, We the Living. Essa obra semiautobiográfica é uma historia que se passa na Rússia logo após a revolução de 1917. As particularidades da trama não são tão interessantes nesse contexto como o nível de detalhes que Ayn Rand oferece sobre a vida na União Soviética nos seus primeiros anos sobre o regime comunista. Eu recentemente reli pela primeira vez em 20 ou 25 anos e fiquei fascinado pela sofisticação da analise de Rand sobre economia soviética na pratica. Diferente de muitos observadores do oeste, ela teve contato direto com as terríveis condições e a realidade dos soviéticos no poder.       

Três Insights

Três insights em We The Living ilustram o conhecimento superior de Rand sobre o socialismo soviético. Primeiro ela reconhece o que ela vinha chamando desde então como “O mito do planejamento”.  Se Mises, Hayek, e outros economistas austríacos estão certos, é impossível planejar uma economia complexa, mesmo assim muitos se referiam à antiga União Soviética como tendo uma “economia planejada” logo antes da sua implosão em 1991. Uma variedade de detalhes na trama e acontecimentos no romance ilustra que a economia era tudo menos planejada, com os dois mais óbvios aspectos sendo como os de dentro do partido tinham acesso a riquezas e o prospero mercado negro. Aqueles “no comando” da economia são retratados como sem a menor noção de como fazer as coisas acontecerem, enquanto o mercado negro ao menos consegue fornecer algo. Embora ela nunca tenha dito explicitamente, é claro que os “planejadores” sofrem do mesmo problema que os austríacos levantaram. 

Segundo, o romance deixa claro que na ausência de racionalidade nos planos, aqueles no poder para programar irão desviar os recursos para si próprios.  Mais especificamente, Rand entendeu como um sistema com poder ditatorial irá atrair aqueles com vantagens comparativas em adquirir e usar esse poder. Muito da sua descrição de membros do partido gira em torno da competição de um contra os outros para subir ao poder – não hesitando em apunhalar seus camaradas pelas costas. Aqueles que são bons nessas manobras são os que ganham poder e controle sobre os recursos. No final, bem parecido como A Revolução dos Bichos, as coisas não mudaram tanto assim: A revolução acabou com a exploração do homem sobre o homem e repôs com... A exploração do homem sobre o homem.

Declínio na Qualidade de Vida

Finalmente Ayn Rand documenta o declínio da qualidade de vida do russo de classe media. Existem incontáveis descrições do empobrecimento dos cidadãos, da diminuição de espaço para viver, da diminuição de suprimentos de comida, das suas roupas cada vez mais pobres até sua crescente incapacidade de aquecer suas casas. A elite do partido obviamente vivia bem, mas o cidadão comum sofria. A descrição de Ayn Rand é importante aqui porque muitos observados dos anos 30 até os anos 80 argumentavam que a economia soviética, era uma economia forte e iria sobrepor-se à americana. Paul Samuelson usou durante bastante tempo livros de introdução a economia mostrando graficamente exatamente isso. Pondo experts de direita e de esquerda acreditando nas estatísticas soviéticas “oficiais”, com os de esquerda querendo acreditar que o socialismo poderia funcionar verdadeiramente e os de direita querendo justificar aumento de gastos com orçamentos militares. Mas assim como os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, dados como o PIB, no caso da união soviética não eram acurados de forma alguma, a maioria relatava grande produção que tinha mínima relação com o bem estar do cidadão comum.

We the Living deixa isso perfeitamente claro

Os romances de Ayn Rand podem ou não ser ótima literatura, mas eles são excelentes desenvolvendo boas noções de economia e politica, e no caso the We the Living, conhecendo historia econômica de uma forma que praticamente a maioria nunca conheceu.

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Tradução de Gabriel Tosi. Revisão de Matheus Pacini.

Fonte: http://www.fee.org/the_freeman/detail/ayn-rand-sovietologist/#axzz2KRV7xje5


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