Bom, azar o dele

 

“E se um pobre ficar doente, não tiver plano de saúde, não tiver amigos, família e nenhuma instituição de caridade para pagar seu tratamento?”

“E se um idoso for fraudado de sua aposentadoria e o criminoso desaparecer do mapa?”

“E se uma criança estiver faminta na rua e ninguém voluntariamente alimentá-la?”

“E se alguém simplesmente não conseguir arrumar um emprego?”

Se você é um libertário, você tem que enfrentar coisas como o “e se” a todo o momento. O ponto, geralmente, é fazer você dizer, “bom, azar o dele” e parecer um monstro. O que me intriga, porém, é porque os libertários raramente fazem perguntas análogas. Como:

“E se o congresso passar uma lei injusta, o presidente assiná-la e a suprema corte sustenta-la?”

“E se o governo te obrigar a servir o exército para lutar uma guerra injusta e você morrer tragicamente?”

“E se um pobre beber e jogar com todo o dinheiro recebido do governo?”

“E se o governo negar a você a permissão para trabalhar legalmente?”

“E se o presidente decidir que sua etnia é uma risco a segurança nacional e coloca-lo em um campo de concentração e a Suprema Corte declarar sua ação constitucional?”

“E se uma pessoa tem um estilo de vida extremamente pouco saudável, que quando ela se aposentar, ela estará em constante dor, não importando quão generoso seja a cobertura de saúde do governo?”

“O que acontece se um presidente mentir para começar uma guerra e os eleitores praticamente não se importarem?”

Uma vez que você começa o jogo do “e se”, é difícil parar. Me diga qualquer sistema político. Eu posso gerar hipóteses infinitas para perturbar seus defensores. A lição a ser aprendida: toda perspectiva política eventualmente tem que dizer “má sorte” quando confrontada com um “e se” bem construído. Não há nada unicamente de insensível ou cruel no libertarianismo. Defensores da democracia, nacionalismo, progressismo, conservadorismo, a constituição americana e a social democracia, todos eventualmente acabam dizendo, “a vida não é justa” ou “bem, o que você quer que eu faça?”.

A resposta óbvia é que algumas dessas hipóteses são mais realistas do que outras. Mas isso coloca os críticos do libertarianismo em uma situação desprotegida. Nenhum dos meus alternativos “e se” são fantasiosos. Muitos deles – conscrição com morte certa, estilos de vida nada saudáveis, negação do direito de trabalhar a estrangeiros, guerras mentirosas – ocorreram ou continuam a ocorrer em uma escala gigantesca na maior parte das nações democráticas do planeta. Em contraste, nós nunca vimos uma sociedade libertaria rica e moderna. Por tudo que sabemos, a caridade privada em Libertopia seria mais do que suficiente para acabar com a pobreza absoluta. Coisas estranhas aconteceram.

Porque o padrão duplo? A raiz de tudo isto, eu suspeito, é o viés do status quo. A maior parte das pessoas toleram as consequências desagradáveis do status quo porque eles estão acostumados a fazê-lo. Você pode ser conscrito e ter uma morte horrível devido a isso? Bem, é a vida. A maior parte das pessoas não toleram as consequências desagradáveis do libertarianismo porque elas estão acostumadas a um mundo onde o governo diz, “nós nunca vamos deixar isso acontecer.” Mas o que há de tão importante nessa garantia, quando ela é fornecida com uma longa lista de outros males que os governos alegremente toleram - ou ativamente cometem em grande escala todos os dias?

***

Tradução de Juliano Torres.

Artigo original: http://econlog.econlib.org/archives/2012/10/tough_luck.html


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