Os “limites” do progresso econômico

 

Algumas semanas atrás, ouvi um trecho de um programa de rádio no qual o comentarista argumentou que o progresso econômico tem limites. Ele usou um hamster como exemplo:

Nas primeiras semanas de sua vida, o hamster dobra de tamanho a cada semana. Se ele mantivesse tal ritmo por um ano, ele iria pesar nove bilhões de libras. Obviamente, seria um absurdo. O mesmo é verdadeiro para uma economia. Se uma economia cresce a uma taxa de 7% anualmente, ela iria dobrar a cada 10 anos. Simplesmente, não existem recursos suficientes para produzir tal crescimento.

Desde que me recordo, os profetas da desgraça tem feito previsões semelhantes. Por exemplo, no final do século XVIII e início do século XIX, Thomas Malthus argumentou que a produção econômica não poderia acompanhar o crescimento da população. Mais recentemente, em 1968, Paul Ehrlich previu que ocorreria uma escassez de alimentos generalizada nas décadas de 1970 e 1980. Ehrlich argüiu que a humanidade não iria ser capaz de expandir a produção para alimentar uma crescente população humana. Hoje, nós ouvimos terríveis previsões de que as reservas petrolíferas estão esgotando-se e que é necessário desenvolver fontes de energias renováveis.  

Essas previsões possuem muitas coisas em comum: elas nunca se tornam realidade, elas são acompanhadas de pedidos por maior controle governamental da economia e de nossas vidas, e elas envolvem uma grande evasão de fatos históricos e filosóficos. (Malthus poderia ser desculpado nesse último ponto, pois ele escreveu no início da Revolução Industrial)

No seu livro, The Population Bomb (ainda sem tradução para o português), Ehrlich sugeriu diversas medidas para reduzir o crescimento populacional:

Ele sugere um regime fiscal no qual as crianças adicionais iriam pesar sobre a carga fiscal da família a taxas crescentes para novas crianças, assim como taxação de luxo sobre mercadorias de cuidado infantil. Ele propõe incentivos para homens que estejam de acordo com esterilização permanente (vasectomia) antes de terem dois filhos, bem como uma variedade de outros incentivos monetários. Ele propõe um poderoso Departamento de População e Meio Ambiente o qual “deveria ser edificado com o poder de tomar quaisquer medidas necessárias para estabelecer um tamanho razoável de população (isto é, ter o poder sobre políticas de controle populacional) nos Estados Unidos e colocar um fim à progressiva deteriorização do meio ambiente.” O departamento deveria apoiar a pesquisa no que diz respeito ao controle de população, como melhores contraceptivos, agentes de esterilização em massa, e discernimento do sexo da criança no Pré-Natal (pois as famílias, freqüentemente, continuam a ter filhos até que nasça um homem. Ehrlich sugere que se elas pudessem escolher um filho homem, isso reduziria as taxas de natalidade). Leis deveriam ser promulgadas garantindo o direito ao aborto, e a educação sexual deveria ser expandida.        

Enquanto a sugestão de Ehrlich de um “poderoso Departamento de População e Meio Ambiente” não se tornou realidade, a Agência de Proteção Ambiental tem poderes quase ilimitados no que diz respeito ao uso e desenvolvimento da terra. Combinado com os poderes do FDA (a agência sanitária, semelhante à ANVISA do Brasil), sem mencionar de várias outras agências federais como o IRS (Receita Federal dos EUA), para ditar o que podemos e não podemos ingerir, o governo federal tem quase controle total sobre as nossas vidas. Mas isso é não é o principal.

A questão principal é se nós estamos ficando sem recursos. E que isso é conseqüência, em ultima instância, da engenhosidade humana e da produção. Em outras palavras, clamar que os recursos estão se acabando é clamar que os seres humanos irão parar de descobrir, inovar e expandir a produção. Enquanto o homem for livre, isso não irá acontecer.

Considere o fato que o universo é um grande recurso natural. Enquanto a humanidade ainda tem que descobrir como utilizar muitos desses recursos, houve um tempo que os possíveis usos do petróleo eram desconhecidos. Enquanto a humanidade ainda tem que descobrir como minar a lua e transportar esses materiais de volta à Terra, houve um tempo em que o homem não sabia como viajar através dos oceanos.

Mas o homem descobriu como viajar através dos oceanos. O homem descobriu como produzir petróleo e silicone, como liberar o poder do átomo, como construir arranha-céus e jatos. Homens livres transformaram a selva na América do Norte na mais poderosa economia do mundo. Eles encontraram usos para os recursos naturais e descobriram novos recursos. E essas descobertas criaram crescimento econômico e progesso.

A humanidade não está ficando sem recursos. A humanidade está ficando sem liberdade. Governos ao redor do mundo estão controlando, restringindo, e regulamentando as ações dos indivíduos. Governos estão impedindo os indivíduos de usarem os recursos que são conhecidos, e os governos estão impedindo que novos recursos sejam descobertos. 

Aqueles que se preocupam verdadeiramente com o progresso econômico ou o esgotamento de recursos não deveriam estar pedindo mais intervenção e controles governamentais. Ao invés disso, eles deveriam estar pedindo maior liberdade. Quando os homens são livres, não existem limites para o progresso econômico.

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Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Juliano Torres.


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