As ilusões do nosso tempo
 
Alguns dos maiores filmes dos últimos dez anos exploraram o que é viver em uma ilusão. “O Sexto Sentido”, “Clube da Luta” - e, o principal, “Matrix”.
 
Podemos começar com um spoiler ou dois, não é mesmo?
 
Em “Matrix”, um jovem é despertado de um mundo imaginário gerado por computador para descobrir que é escravizado por robôs que estão paralisando-o com a ilusão da vida, a fim de colher sua energia elétrica.
 
Esta é uma metáfora maravilhosa em muitos níveis, e nos diz uma muito sobre o nosso relacionamento com a verdade e a realidade.
 
No filme, os robôs que foram originalmente criados para servir a humanidade acabam a dominando e criando uma “realidade” ilusória, que mantém seus antigos senhores sepultados na mera aparência de uma vida.
 
Minha opinião sobre essa metáfora é que ela, na realidade, descreve a propaganda.
 
Por exemplo, o governo é uma instituição que foi originalmente concebida para servir os cidadãos - “governo pelo e para o povo”.
 
No entanto, como já vimos inúmeras vezes, o que nós criamos para nos servir acaba nos dominando.
 
Os governos, que foram supostamente criados para manter os nossos bens a salvo de ladrões, agora roubam mais de 50% de nossa renda, sob o pretexto de “tributação”.
 
Os governos foram supostamente criados para dar-nos a participação no “processo democrático” - ainda que, se nós não concordamos com o que aquilo que o governo decreta, sejamos ameaçados com violência e prisões.
 
Através da imposição interminável de propaganda estatal pró-governo nas escolas, nós crescemos acreditando em ilusões loucas como “países”, “a virtude da violência”, “democracia participativa”, “tributação voluntária”, “assassinato moral” em forma de “exércitos” e assim por diante.
 
Nas nossas igrejas, somos ensinados quando crianças a acreditar que contos de fadas desordenados representam a objetiva e absoluta verdade. Espera-se que acreditemos com toda a seriedade que somos maus porque uma mulher feita da costela de um homem deu ouvidos a uma serpente falante. Somos solicitados a engolir a proposição de que um ser invisível que afogou quase todos no mundo é o verdadeiro paradigma da virtude.
 
Em nossas famílias, nós somos ensinados que nossas relações são virtuosas e têm valor simplesmente porque dividimos algumas partes do nosso DNA - enquanto, ao mesmo tempo, nos contam que o racismo é um mal.
 
Em nossos relacionamentos, aprendemos que o “amor” pode ser requisitado, que os outros nos devem afeto, obediência e respeito, e que assediar moralmente é o mesmo que ser assertivo.
 
Estando na fronteira de um país, vemos que a terra não muda de cor, conforme indicado nos mapas. A gravidade não muda quando passamos através desta linha imaginária, a razão, a física e a moral permanecem totalmente constantes.
 
Nós acreditamos - ou melhor, é infligida sobre nós tal crença - que devemos fidelidade a linhas imaginárias, deuses imaginários e valores imaginários de nossa tribo.
 
Despertar desses sonhos loucos é uma desorientadora, assustadora e maravilhosa experiência.
 
A filosofia é a ferramenta que usamos para desfazer nossas ilusões.
 
A filosofia nos revela as simples verdades que são auto-evidentes para crianças, ansiadas por adolescentes - e atacadas e rejeitadas pela maioria dos adultos.
 
A filosofia é, na sua essência, sobre relacionamentos  - o relacionamento entre uma afirmação e seu valor verdadeiro, a relação entre a lógica e o empirismo, o “eu” e “outro”, escolha e virtude, integridade e felicidade - a mente e a realidade.
 
No entanto, acima disso, a filosofia é sobre as nossas relações uns com os outros.
 
A filosofia - como todo conhecimento - é um esforço comum, uma vez que não pode existir sem os valores coletivos e acumulados da linguagem, refletidos previamente - e nossa comum capacidade de processar a realidade sensorial.
 
Um homem nascido sozinho em uma ilha deserta não pode praticar a medicina ou ciência - ou filosofia.
 
A filosofia revela-nos a verdade sobre as nossas relações uns com os outros, com a realidade e com a própria verdade.
 
Se formos livres, a filosofia reforçará nossas asas.
 
Se formos escravos, a filosofia irá enfraquecer as nossas correntes.


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