Por Larry Arnhart

Libertários precisam de Charles Darwin. Eles precisam dele porque a ciência da evolução humana darwinista apoia o liberalismo clássico.

Em sua análise da "Origem das Espécies" de Darwin em 1860, Thomas Huxley declarou, "cada pensador o elogia como uma autêntica "Whitworth Gun" no arsenal do liberalismo". A "Whitworth Gun" foi um novo tipo de canhão - uma arma poderosa, então, pelo liberalismo.

Em 1860, liberalismo significava liberalismo clássico - a tradição política e moral da liberdade individual entendida como um direitos dos indivíduos de serem livres da coerção enquanto eles respeitarem a igual liberdade dos outros. De acordo com os liberais, o objetivo primário do governo era assegurar os direitos individuais da força e fraude, na qual incluía aplicar as leis de contratos e propriedade privada. Eles pensaram que o caráter moral e intelectual dos seres humanos foi propriamente formado não por coerção governamental, mas em uma associação voluntária e natural da sociedade civil.

Embora Darwin em seus trabalhos científicos não foi explícito como Herbert Spencer em afirmar o argumento evolucionário pelo liberalismo, alguns como Huxley viram que a ciência darwinista apoiava o liberalismo. Darwin foi um apoiador fervoroso do "Partido Liberal" e seus políticas liberais. Ele foi homenageado quando William Gladstone (o "grande velho homem" do Partido Liberal) o visitou em sua casa em Down em 1877.

Como outros liberais, Darwin admirava e praticava as virtudes da auto-ajuda, como promovida no livro popular "Self-Help" de Samuel Smiles, com essas histórias de homens que venceram pelo próprio esforço. Darwin foi ativo em atividades beneficentes em sua comunidade. Ele foi o tesoureiro da "Friendly Society" local. Na Grã-Bretanha, "fliendly societies" foram associações autogeridas de trabalhadores manuais que compartilhavam seus recursos e garantias para ajudar outra pessoa em tempos ruins. Dessa forma, indivíduos podiam assegurar seu bem estar social e adquirir bom caráter através de ajuda mútua voluntária sem a necessidade de coerção governamental.

Darwin foi também ativo na campanha internacional contra a escravidão, uma das grandes causas liberais da época. Em seu recente livro "A Causa Sagrada de Darwin", Adrian Desmond e James Morre mostraram que o ódio de Darwin foi uma das motivações de seu escrito "A Descendência do Homen", no qual ele afirma a universalidade da humanidade como pertencente a uma espécie, contra a ciência racial pró-escravidão daqueles que argumentavam que alguns seres humanos pertenciam a uma espécie separa de escravos naturais.

Também em "A Descendência do Homem", Darwin mostrou que a ordem moral da vida humana surgiu através um sendo moral natural formado pela evolução orgânica e cultural. Ele portanto proveu uma base científica para o liberalismo moral de David Hume, Adam Smith, e outros filósofos escoceses, que argumentaram que as virtudes morais e intelectuais podem surgir através de ordens espontâneas da natureza humana e cultura humana.

Darwin e os Libertários

Alguém deve esperar que os libertários atuais - que continuam a tradição do liberalismo clássico - possam querer abraçar Darwin e a ciência evolucionária como sustentam sua posição.

Mas libertários são ambivalente sobre Darwin e darwinismo. Essa ambivalência é evidente, por exemplo, na "Enciclopédia do Libertarianismo", editada por Ronald Hamow, sob o patrocínio do Cato Institute. Não há nenhum verbete na enciclopédia para Charles Darwin. Mas há verbetes para Herbert Spencer, Darwinismo Social e Psicologia Evolucionária. Nesses e em outros verbetes, alguém pode ver indícios que o libertarianismo pode estar enraizado na ciência darwinista da natureza humana. Mas alguém pode também ver sugestões que a ciência darwinista tem pouca ou nenhuma aplicação ao pensamento libertário.

O verbete sobre psicologia evolucionária foi escrito por Leda Cosmides e John Tobby, os fundadores da tradição de pesquisa que é conhecida pelo nome de "psicologia evolucionária".

Eles indicaram que a psicologia evolucionária foi iniciada por Darwin. Eles dizem que seu objetivo é mapear a natureza humana como ela está enraizada na arquitetura da mente humana evoluída. Eles sumarizaram algumas dessas naturezas humanas evoluídas, incluindo fundamentações sobre trocas sociais e detecção de trapaças qe provem os fundamentos cognitivos da troca e os sentimentos morais que fazem a ordem moral possível. Eles contrastam a ideia de natureza humana universal com a ideia da mente humana como uma tábula rasa que é infinitamente maleável pelo aprendizado social. Eles dizem que a falsa ideia da tábula rasa explica a falência dos experimentos de engenharia social que negaram a natureza humana, como ilustrado pelos regimes comunistas falidos. Tudo isso sugere que a psicologia evolucionária darwinista pode apoiar uma visão libertária da natureza humana.

Mas Cosmides e Tooby também lançou dúvidas em sua conclusão. Embora a implementação de propostas de políticas públicas necessitem de levar a natureza humana em consideração, eles dizem, “a posição mais central para o libertarianismo – que relações humanas devem ser baseadas em consentimento voluntário dos indivíduos envolvidos – faz pouca ou nenhuma suposição sobre a natureza humana”. Eles não explicam o que eles querem dizer com isso. Uma interpretação é que eles estão fazendo de fato uma distinção de valor, e sugerindo que enquanto os cálculos de meios e fins é um julgamento factual que deve ser aberto a pesquisa cientifica, a avaliação moral dos fins – como o valor da liberdade individual – é um julgamento normativo que está além da pesquisa científica.

Talvez o pensamento deles seja mais claramente exposto por Will Wilkinson em seu ensaio sobre “Capitalismo e Natureza Humana”.

Nós não podemos esperar criar simples lições políticas positivas da psicologia evolucionária. Ela pode nos dizer algo sobre o tipo de sociedade que nós tendemos a não trabalhar, e porque. Mas ela não pode nós dizer qual das possíveis formas de sociedades nós devemos aspirar. Nós não podemos, inferir a naturalidade do capitalismo da falência manifesta do comunismo para acomodar a natureza humana. Nem devemos ser tentados a inferir que natural quer dizer melhor.

Wilkinson argumenta que enquanto nossa natureza humana evoluída restringe as possibilidade de ordem social, o movimento histórico para o capitalismo liberal – a transição da troca pessoal para a interpessoal – foi um “grande pulo cultural”, como Friedrich Hayek enfatizou. Dentro dos limites estabelecidos pela natureza humana evoluída a emergência do capitalismo liberal depende da evolução cultural. “Nós temos, através da cultura, melhorado esses traços que facilitam a confiança e cooperação, canalizando nossa coalização e instinto de busca pelo status para usos produtivos, e construído sobre nossa desconfiança natural do poder para preservar nossa liberdade.

Essa dependência do liberalismo clássico da evolução cultural é também destacado por George Smith em seus verbetes de enciclopédia sobre “Darwinismo Social” e Herbert Spencer. Smith argumenta que a visão de Spencer da evolução foi lamarquiana, e portanto bastante diferente da visão de Darwin. Enquanto concepções Spencer lamarquianas da evolução através da herança de características adquiridas foi desacreditada como teoria biológica, Smith observa, isso é atualmente uma abordagem melhor para entender história social do que é a abordagem biológica darwinista. A evolução social – incluindo a evolução do capitalismo liberal – realmente é lamarquiana em que as práticas sociais de sucesso de uma geração podem ser passadas para a próxima geração através de aprendizado social como um sistema de herança cultural. O mais importante para Spencer, ele move de regimes baseado em status sobre exploração coercitiva para regimes de contratos baseados em cooperação voluntária que foi mais um processo cultural do que evolução biológica. Smith sugere, portanto, que o princípio liberal de igual liberdade surgiu não da natureza biológica, mas da história cultural.

Além disso, Smith argumenta que Spencer e outros liberais clássicos entenderam a competição mercadológica radicalmente diferente de competição biológica. Competição biológica é um jogo de soma zero onde a sobrevivência de um organismo é as custas de outros competindo pelo mesmo recurso escasso. Mas a competição mercadológica é um jogo de soma positiva onde todos os participantes podem ganhar das trocas voluntárias com outro. Em uma sociedade liberal de livre mercado baseada em trocas voluntárias, o sucesso depende mais da persuasão do que da coerção, porque nós devemos dar aos outros o que eles querem para pegar o que nós queremos. Smith conclui: “Isso é precisamente em uma sociedade livre que o darwinismo social não se aplica.”

Há um grande problema com a análise de Smith. Se o darwinismo social significa explicar toda a ordem social através da evolução biológica baseada em uma competição de soma zero, então Darwin não era um darwinista social.

Darwin viu que animais sociais estão naturalmente inclinados a cooperar com outros para benefício mútuo. A sociedade humana e a ordem moral surgiram como uma extensão de sua tendência natural para a cooperação social baseado em parentesco, mutualidade e reciprocidade. O estudo moderno darwinista da evolução da cooperação mostra que tal cooperação é um jogo de somo positiva.

Além disso, Darwin aceitou o pensamento lamarquiano sobre o que eles chamou de “os efeitos herdados de um uso continuado ou desuso de partes”. E eles viu que o progresso moral e social de seres humanos vem muito mais através de evolução cultural por aprendizado social do que evolução biológica por seleção natural. O raciocínio de Darwin foi confirmado por pesquisa recente sobre cultura genética e co-evolução. Como Eva Jablonka e Marion Lamb mostraram, um amplo entendimento da evolução deve envolver quatro sistemas de herança evolucionária – genética, epigenética, comportamental e simbólica.

O liberalismo de Darwin combina uma ética aristotélica de virtude social e uma política lockeana de liberdade individual. Esse é um tipo de liberalismo que tem sido recentemente defendido por Douglas Rasmussen e Douglas Den Uyl em seus livros “Liberdade e Natureza” e “Normas da Liberdade” e por Den Uyl em seu livro “A Virtude da Prudência”.

Para qualquer que conhece sobrbe minha defesa do conservadorismo darwinista, deve ser estranho que Eu estou agora argumentando pelo liberalismo darwinista. Mas o conservadorismo que Eu defendi é um conservadorismo liberal que combina com a preocupação libertária pela liberdade e uma preocupação tradicionalista pela virtude. Isso é similar para o conservadorismo “fusionista” de Frank Meyer, no qual é perto do liberalismo aristotélico de Rasmussen e Den Uyl.

Para ver como a ciência darwinista apoia o liberalismo clássico, nos devemos ver como o princípio liberal da liberdade igual tem surgido da interação complexa de desejos naturais, tradições culturais e julgamentos individuais.

Desejos Naturais

Se o bem é desejável, então da ciência darwinista pode nos ajudar a entender o bem humano mostrando a nos como nossos desejos naturais estão enraizados em nossa natureza humana evoluída. Em "Direito Natural Darwinista e Conservadorismo Darwinista", Eu argumentei que há no mínimo 20 desejos naturais que são universalmente expressos em todas as sociedade humanas porque eles foram formados pela evolução genética como propensões naturais da espécie humana. Seres humanos geralmente desejam uma vida completa, amor dos pais, identidade sexual, acasalamento, ligações familiares, amizade, status social, justiça como reciprocidade, regras políticas, coragem na guerra, saúde, beleza, propriedade, expressão, rotina, praticidade, artes, prazer estético, entendimento religioso e entendimento intelectual.

Nos escritos de Darwin sobre evolução humana - particularmente, "A Descendência do Homem" e "A Expressão das Emoções em Homens e Animais" - ele apontou esses 20 desejos como parte da natureza humana biológica. Nós agora temos evidência antropológica – pesquisado por Donald Brown e outros – que há centenas de universais humanos, nos quais são agrupados em torno desses 20 desejos. Psicólogos que estudam a motivação humana através de culturas diversas reconhecem esses 20 desejos como manifestando os motivos básicos para a ação humana.

Rasmussen e Den Uyl identificam os fins naturais da ação humana como correspondendo a uma lista de bens genéticos que assemelha-se minha lista de 20 desejos naturais. Sua lista de bens genéticos incluem saúde, beleza, riqueza, honra, amizade, justiça, busca artística e busca intelectual.

Minha afirmação de que o bom é o desejável provocará um queixa de alguns filósofos que Eu estou visando a distinção entre fatos e valores.  Eles insistirão que nós não podemos inferir valores morais de fatos naturais. Do fato que nós naturalmente desejamos algo, eles dizem, nós não podemos inferir que isso é moralmente bom para nós deseja-lo.

Mas Eu digo que não há meramente desejos factuais separados de desejos prescritivos, nos quais iria criar a dicotomia fato/valor. Qualquer que seja o nosso desejo, nós  fazemos algo porque nós julgamos que isso é verdadeiramente desejável para nós. Se nós descobrimos que nós estamos enganados – porque o que nós desejamos não é verdadeiramente desejável para nós – então nós já estamos motivados a corrigir nosso erro. Muita da discussão de Darwin da deliberação moral é sobre como seres humanos julgam seus desejos a luz das suas experiências passadas e expectativas futuras como eles lutam para a satisfação harmônica de seus desejos por toda a vida, e muito dessa deliberação moral e intelectual se transforma na experiência do arrependimento quando seres humanos descobrem que eles se renderam a um desejo momentâneo que entra em conflito com seus desejos mais importantes.

Qualquer que seja o filósofo moral que nos diga que nós devemos fazer algo, nós podemos sempre perguntar, “porque?”. A resposta última a essa questão é porque é desejável para você – ela vai te completar ou fazer você feliz ao contribuir para seu florescimento humano.

Mas mesmo se nós conhecemos o que geralmente ou genericamente bom para seres humanos, isso não nos diz o que é bom para indivíduos particulares em circunstâncias particulares. Embora os 20 desejos naturais constituam os bens universais da vida humana, a melhor organização ou ranking desses desejos por uma vida inteira varia de acordo com os temperamentos individuais e situações sociais. Então, por exemplo, uma vida filosófica na qual o desejo natural por entendimento intelectual figura em uma posição superior do que outros desejos, como em Sócrates e semelhantes, mas não para os outros.

Biologia evolucionária nos permite generalizar sobre desejos naturais como os universais da natureza humana evoluída. E a biologia evolucionária ainda também nos ensina que acada organismo individual é único. Afinal de contas, a teoria darwinista da evolução requer variação individual.  Mesmo gêmeos idênticos não são realmente idênticos. Biologia evolucionária também nos ensina que a as adaptações evolucionárias dos humanos permitem respostas flexíveis para as variadas circunstâncias do meio ambiente físico e social, que é porque o cérebro humano evoluiu para responder flexivelmente para a história única da vida de cada indivíduo.

Se não há um caminho único da vida que é melhor para todos os indivíduos em todas as circunstâncias, então o problema para cada comunidade humana é como organizar a vida social onde indivíduos possam perseguir suas diversas concepções de felicidade sem entrarem em conflito. E já que seres humanos são naturalmente animais sociais, sua busca individual da felicidade requer engajamento comunitário. Permitindo seres humanos viver juntos como crianças, pais, cônjuges, amigos, associados, e cidadãos sem impor uma determinada concepção da melhor trajetória de vida em todos os indivíduos é o que Rasmussen e Den Uyl identificam como “problema do liberalismo”.

A solução do liberalismo para esse problema é distinguir ente ordem política do estado como protegendo a liberdade individual e a ordem moral da sociedade como formação do caráter virtuoso. Enquanto comunidade política liberal não impõe uma determinada concepção de bem humano, ela aplica normas processuais de conduta pacífica que asseguram a liberdade dos indivíduos a formar famílias, grupos sociais e empreendimentos cooperativos que manifestam suas concepções diversas do bem humano.

Tradições Culturais

Desejos naturais formam, mas não determinam as tradições culturais. Se Eu estou certo sobre minha lista de 20 desejos naturais, isso constitui um padrão universal para o que é geralmente bom para seres humanos pela natureza, e nós podemos julgar as tradições culturais por quão bem elas se adaptam a esses desejos naturais. Então, por exemplo, nós podemos julgar as tradições utópicas socialistas sendo uma falha, porque suas tentativas de abolir a propriedade privada e as famílias frustram alguns dos mais fortes desejos da natureza humana evoluída. Nós também podemos julgar que as tradições políticas do governo limitado que limitam a ambição política são adaptáveis para satisfazer os desejos naturais dos indivíduos dominantes por regras políticas, enquanto também satisfaz o desejo natural de indivíduos subordinados de serem livres da exploração. Mas tradições culturais como o socialismo e governo limitado emergem como ordens espontâneas da evolução cultural humana que não são precisamente determinadas pela natureza genética ou por julgamento individual.

Reconhecendo que desejos naturais formam, mas não determinam as tradições culturais, o liberalismo darwinista evita a suposição errada do determinismo biológico que biologia é tudo, cultura nada, enquanto também escapa da suposição errada do relativismo cultural que cultura é tudo, biologia é nada.

A interação da natureza humana e da cultura humana é manifestada no cultivo do caráter moral e intelectual através da ordem espontânea da sociedade civil. Os liberais clássico acreditam que enquanto nós precisarmos do poder do estado para assegurar nossos direitos individuais de liberdade, que são as condições para um sociedade livre, nós precisamos de associações naturais e voluntárias da sociedade civil – famílias, igrejas, clubes, escolas, sociedades, negócios e outros – que nos permitem perseguir nossas diversas concepções da boa vida em cooperação com outros que compartilham nosso entendimento moral.

Darwin mostrou como essa ordem moral da sociedade civil emerge da história natural e cultural das espécies humanas. A necessidades da descendência humana para os cuidados prolongados e intensivo pelos pais favorece as emoções morais das ligação familiar, e assim as pessoas tendem a cooperar com seus parentes. As vantagens evolucionárias da ajuda mútua favorecem as emoções morais que favorecem a cooperação mútua. E o benefício da troca recíproca favorece as emoções morais sustentando um senso de reciprocidade, porque alguém pode ser mais facilmente ajudado por outros se ele ajudou outros no passado e tem reputação de ser caridoso. Por fim, Darwin concluiu que, “nosso senso moral ou consciência se torna um sentimento altamente complexo – originando nos instintos sociais, largamente guiado pela aprovação dos nossos semelhantes, comandado pela razão, auto-interesse, e em tempos anteriores por profundos sentimentos religiosos, e confirmados por instrução e hábito”. Pesquisas recentes em psicologia evolucionária tem confirmado e aprofundado o entendimento darwinista da ordem moral que emerge na sociedade civil através da ordem espontânea da ação humana ao invés das ordens coercitivas do planejamento governamental.

Julgamentos Individuais

Desejos naturais e tradições culturais controlam, mas não determinam os julgamentos individuais. Os liberais clássicos reconhecem que a natureza humana ou florescimento é complexo em conformidade com os fins naturais, as circunstâncias culturais e as escolhas individuais na vida humana. Nossa natureza humana compartilhada nos dá um alcance universal dos desejos naturais que constituem os bens genéricos da vida. Nossas cultural humanas diversas nos dá uma multiplicidade de tradições morais que formam nossa vida social. Mas ultimamente, indivíduos pode escolher uma forma de vida que eles julgam como a melhor de acordo com seus desejos naturais, circunstâncias sociais e temperamento individual. Por essa razão, liberais acreditam que o direito humano fundamental é a liberdade de julgamento e consciência.

A psicologia moral darwinista explica a história evolucionária da capacidade humana para julgamento moral individual. Mais recentemente, a neurociência começou a revelar as capacidade emocionais, sociais e cognitivas do cérebro que fazem o julgamento moral possível. Por exemplo, enquanto Darwin explicava a importância evolucionária da simpatia pela experiência moral humana, neurocientistas contemporâneos estudaram os "neurônios espelhos" em seres humanos e outros primatas que permitem animais imaginativamente projetarem si mesmos dentro das experiências de outros indivíduos.

Criado dos Animais

Eu argumente que a ciência darwinista é compatível com o entendimento liberal clássico de como a ordem moral em uma sociedade livre emerge de desejos naurais, tradições culturais, e julgamentos individuais. Mas o darwinismo fez qualquer contribuição única ao pensamento liberal - algo que não poderia ser derivado do pensamento moral e político sem a ajuda da ciência darwinista?

Sim, eu penso que sim. A evolução prove uma base puramente naturalista para o pensamento liberal, que não há necessidade de apelar para o sobrenatural. Isso é importante, porque se o pensamento liberal requer crenças sobrenaturais, isso deve requerer uma aplicação coercitiva dessas crenças sobrenaturais, nas quais podem subverter a liberdade individual de consciência.

Do "Dois Tratados sobre o Governo" de Locke a "Declaração de Independência" de Jefferson e o "Social Statics" de Spencer, o pensamento liberal tem justificado igual liberdade como uma expressão única da dignidade que os seres humanos tem por serem criados a imagem de deus. Para Locke, nossos desejos naturais emergem para direitos naturais porque eles são implantados em nós por deus, e nós somos todos naturalmente iguais em nossos direitos a vida, liberdade e propriedade, porque todos nós somos "o trabalho de um onipotente e infinitamente sábio criador". Para Jefferson, olhando para as "leis da natureza e da natureza de deus", nós podemos sustentar isso como auto evidente "que todos os homens são criados iguais" e que "eles são dotados por seu criador com certos direitos inalienáveis". Para Spencer, deus quer a felicidade humana, ele também quer que os seres humanos tenham igual liberdade como a condição para satisfazer seus desejos.

Se o liberalismo requer tais crenças religiosas, então a doutrina liberal de tolerância religiosa não pode incluir tolerar ateístas. Isso foi uma conclusão de Locke, porque ele alertou que negar a existência de deus como o criador dos seres humanos e da lei moral, dissolveria os laços morais da sociedade humana.

Darwin ofereceu uma alternativa. Em um de seus primeiros diários, ele escreveu que "o homem em sua arrogância pensa a si mesmo como um grande trabalho, digno de uma divindade, mais modesto, e Eu acredito verdadeiro, considerar ele criado dos animais”. Embora cientistas e filósofos tenham antes especulado sobre a possibilidade de uma evolução da vida puramente natural, Darwin foi o primeiro pensador a estabelecer uma rigorosa teoria de como isso poderia ter acontecida, que incluiu a teoria evolucionária e o senso moral natural.

Em sua crítica da "A Origem das Espécies", Huxley explicou que o livro de Darwin foi uma grande arma pelo liberalismo porque ele refutou a doutrina bíblica da "criação especial". Para proteger a liberdade de pensamento da autoridade coercitiva teocrática, liberais precisaram explicar toda a natureza, incluindo a natureza humana, como o produto puramente de causas naturais.

E ainda, a despeito das reivindicações de alguns oponentes religiosas, o darwinismo não significa ateísmo. Embora Darwin tenha se tornado agnóstico no final de sua vida, eles reconheceu que as crenças religiosas foram geralmente importantes para a evolução cultural da moralidade. Recentemente, teóricos evolucionários como David Sloan Wilson mostraram como a evolução da religião através de seleção de grupo pode fortalecer as disposições morais cooperativas de crenças religiosas.

Mas mesmo sem religião, Darwin sugeriu, acreditar que nós fomos "criados dos animais", nós podemos ver que a ordem moral permanece em bases humanas puras - natureza humana, tradição humana e julgamento humano.

É por isso que libertários precisam de Charles Darwin.

Tradução de Juliano Torres.

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