Os números revelam: exigências de língua estrangeira são uma perda de tempo e dinheiro

Os graduandos do ensino médio passam dois anos estudando uma língua estrangeira (Digest of Education Statistics, Table 157). Que efeito têm esses anos de estudo na habilidade dos americanos para falar línguas estrangeiras?

Comecei olhando o Censo, mas ele só fala sobre as "línguas faladas em casa". O Gallup tem uma pesquisa que mostra que um em quatro americanos fala uma língua estrangeira, mas não fornece detalhes que nos permitiriam medir o grau de fluência ou o efeito da instrução em línguas estrangeiras. Depois de procurar por melhores dados em vários lugares, eu acabei com o General Social Survey. Naturalmente, ele não me decepcionou.

Em 2000 e 2006, o GSS perguntou a mais de 4000 pessoas as perguntas a seguir*:

1. Você é capaz de falar outra língua que não o inglês? [Respostas: Sim/Não]

2. Qual o seu nível de fluência nessa língua? [Respostas: Muito bom/Bom/Não muito bom/Ruim ou Quase nenhuma]

3. Essa língua foi aprendida por você na infância em casa, na escola, ou foi aprendida em outro lugar? [Respostas: Infância em casa/Escola/Outro lugar]

Os resultados mostraram um efeito ainda menor da instrução em línguas estrangeiras na fluência nessas línguas do que eu esperava.

25,7% dos entrevistados falam uma língua que não o inglês. Dentro dessa amostra, 41,5% alegam falar "muito bem". Dentro dessa porcentagem, somente 7% afirmam terem aprendido essa língua estrangeira na escola. Se você multiplicar essas 3 porcentagens, você tem o resultado de 0,7%. O produto marginal de dois anos de dor e sofrimento por graduando de ensino médio: menos de um estudante em 100 consegue fluência. (E isso se tratando de fluência analisada pelos próprios entrevistados, que as pessoas geralmente exageram.)

Se diminuirmos nosso nível de exigência para até quem respondeu "bom", a situação ainda parece péssima: só 2,5% dos entrevistados pela GSS afirmam terem chegado a esse nível de competência na escola.

Os fãs das línguas estrangeiras provavelmente responderiam: "É por isso que nós temos que dar mais recursos para o ensino de línguas estrangeiras." Eu diria que seria muito melhor dar aos fãs de línguas estrangeiras uma aula grátis de economia. Aqui vai ela:

1. Muita coisa que parece boa não vale a pena fazer. "Aprender uma língua estrangeira" parece ótimo, mas "escalar o Monte Everest" também parece. Os sábios calmamente analisam custos e benefícios em vez de se deixarem levar por palavras. Qualquer escala honesta vai te dizer que os custos da instrução em línguas estrangeiras são muito maiores que os benefícios. Pense nisso: mesmo ignorando os salários dos professores, nós estamos gastando dois anos de tempo de aula por aluno. O resultado? Menos de um estudante em 100 é fluente.

2. Dobrar um investimento geralmente dá um retorno menor que o dobro. O mundo normalmente funciona de acordo com o que os economistas chamam de "retornos decrescentes": você pode melhorar o produto ao gastar mais, mas quanto mais se gastar, menor a eficácia de cada dólar. O fato de que dois anos de instrução têm quase zero efeito implica que enormes aumentos de gastos seriam requeridos para aumentar perceptivelmente a fluência em línguas estrangeiras. Pense em todos os adultos canadenses que não falam francês depois de uma década de estudos obrigatórios.

3. A fluência em línguas estrangeiras é mais comum em outros países por um bom motivo. As pessoas em todo o mundo se esforçam para aprender inglês. Por quê? Porque a fluência em inglês frequentemente as ajuda a conseguir bons empregos, a conhecer pessoas interessantes e a desfrutar da cultura. Óbvio, certo? Para entender por que os americanos não aprendem outras línguas, basta reverter esse raciocínio. Nós não aprendemos línguas estrangeiras porque as línguas estrangeiras raramente nos auxiliam a conseguir bons empregos, a conhecer pessoas interessantes ou a desfrutar da cultura. Os americanos já estão num ambiente incomumente abundante e diverso em oportunidades econômicas, sociais e culturais, então temos poucos motivos para nos afastarmos disso. Se nós americanos decidirmos experimentar outros ambientes, podemos literalmente viajar pelo mundo inteiro sem precisar aprender uma palavra de outra língua.

Posso até parecer um típico economista filisteu. Deixe-me confessar que eu pessoalmente extraí muita coisa positiva de meus dois anos aprendendo alemão na faculdade. Sou um fã de óperas; saber um pouco de alemão melhora a minha experiência. Isso não significa, porém, que a maioria dos americanos se beneficiaria do aprendizado de uma língua estrangeira. Excluindo todo o romance, requerer que os americanos aprendam línguas estrangeiras faz tanto sentido quanto requerer que eles ouçam a óperas. O que inspira poucos tormenta muitos. As elites que apreciam línguas estrangeiras e óperas deveriam mostrar alguma tolerância pelo resto da humanidade em vez de pedir que o governo gaste ainda mais para corrigir um problema que está só nas nossas mentes.

Notas

* Na verdade, a GSS perguntou a 4000 pessoas somente a primeira pergunta; as outras duas só eram perguntadas se a resposta à primeira fosse "sim".

Tradução de Erick Vasconcelos. Revisão de Juliano Torres.


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