Cinco fatos que irritarão o seu professor de economia keynesiano

Nem todo professor de faculdade é um keynesiano, mas há uma boa chance que o seu seja, ou ao menos siga alguma parte do pensamento keynesiano. Se esse for o caso, aqui estão alguns fatos engraçados que você pode trazer à tona que profanam a visão de mundo keynesiana.

1) A não tão Grande Depressão de 1920-21

A Grande Depressão (1929 - 1946) foi uma época horrível e se tornou o principal tópico discutido no debate atual sobre políticas econômicas. Porém, poucas pessoas mencionam a depressão de 1920-21. Ao contrário da Grande Depressão, que durou mais de quinze anos, a Depressão de 1920 durou apenas um ano. Durante a Grande Depressão, gigantescos estímulos econômicos foram utilizados pelo governo.  Todos sabem que Franklin Delano Roosevelt foi um grande apoiador dos estímulos econômicos governamentais, isto é, do aumento da dívida e dos gastos públicos e menores taxas de juros. Mas se esquece que Herbert Hoover também deu enormes estímulos da mesma natureza.[1] Agora veja o contraste da depressão de 1920, a qual foi tratada, como Jim Grant descreveu no Washington Post, com:

Aumentos das taxas de juros, reduções do déficit público e equilíbrio do orçamento federal. A depressão durou apenas dezoito meses.[2]

A receita keynesiana de diminuir as taxas de juros e aumentar os gastos governamentais não foi somente ignorada, o exato oposto foi feito. Deixe os economistas do século XXI esfregarem os olhos em descrença.

2) A ausência da Depressão de 1946

Milhões de norteamericanos foram empregados em serviços militares em 1945 e de acordo com a lógica keynesiana, se todos fossem demitidos ao mesmo tempo e os gastos governamentais fossem drasticamente cortados, uma enorme depressão aconteceria.

O proeminente keynesiano Paul Samuelson afirmou:

"Quando a guerra chegar ao fim, mais da metade dos trabalhadores dependerá direta ou indiretamente do exército. Nós teremos em torno de 10 milhões de trabalhadores jogados no mercado de trabalho [...]. Se a guerra terminasse subitamente nos próximos 6 meses, se planejássemos acabar com nossos esforços de guerra o mais rápido possível, desmobilizar nossas forças armadas, liquidar o controle de preços, diminuir nossos déficits astronômicos para talvez os níveis ainda altíssimos dos anos 1930, seríamos levados ao maior período de desemprego e desarticulação industrial que qualquer economia jamais enfrentou."

E de fato, as tropas foram dispensadas, os controles de preços acabaram e os gastos do governo federal foram cortados em incríveis 61%. A maior catástrofe econômica da história ocorreu? Não, a economia entrou em uma grande época de prosperidade do fim dos anos 1940 até os anos 1950, uma vez que recursos foram tomados do setor improdutivo do Estado e alocados para o produtivo setor privado. [3]

3) A Harvard Business School mostrou em estudo que estímulos estatais prejudicam a economia

A teoria keynesiana não diferencia bons gastos de maus gastos: todo gasto em uma recessão ou depressão é bom para a economia. Na verdade, Keynes notoriamente disse isso:

Se o Tesouro enchesse garrafas antigas com cédulas de dinheiro, as enterrasse em profundidades consideráveis em minas de carvão desativadas, as quais seriam enchidas até a superfície com lixo de cidades e deixasse para a iniciativa privada cavar as cédulas novamente sob os bem testados princípios do laissez faire [...] não haveria mais desemprego.[4]

Então qualquer estudo que mostre que gastos governamentais prejudicam a economia dá um golpe fatal na teoria keynesiana, porém, isso é precisamente o que o estudo da Harvard Business School concluiu:

Pesquisas recentes na Harvard Business School começaram com a premissa que assim que uma delegação congressista de um estado cresce em estatura e poder em Washington, D.C., empresários desse estado se beneficiariam do crescimento dos gastos federais que viriam para ajudá-los. O que aconteceu na verdade foi o contrário. Na verdade, os professores Lauren Cohen, Joshua Coval e Christopher Malloy descobriram surpresos que companhias obtiveram menores vendas e diminuíram gastos, cortando a folha de pagamento, pesquisa e desenvolvimento e outros gastos... ?O estado sofre em média um aumento de 40 a 50 por cento  em gastos se o seu senador se tornar presidente de um dos três maiores comitês.? [5]

Conforme o governo aumenta seus gastos, ele acaba ocupando uma maior parcela da economia: o governo arrebata recursos e expulsa investimentos privados.

4) Os anos 1870

Durante a década de 1870, preços nos EUA estavam em queda. A teoria keynesiana diz que salários são ?rígidos para baixo?. Isso significa que: se preços como um todo estão caindo, haverá alto desemprego. Mas isso não ocorreu na década de 1870:

Historiadores há muito tempo atribuíram a crise a uma "grande depressão da década de 1870." Porém, reconstruções detalhadas recentes feitas por historiadores da economia de dados do século XIX, mostram que não houve depressão na década de 1870: com a exceção da recessão de 1873, na verdade, a década de 1870 foi possivelmente uma das de maior crescimento econômico sustentável da história dos EUA. Os empregos crescerem fortemente, mais rápido que a taxa de imigração; o consumo de comida e outros bens cresceu em todo o país. Em escala per capita, quase todos os índices de produção subiram de forma espetacular. Até o final da década, as pessoas estavam melhor alojadas, mais bem  vestidas e viviam em fazendas maiores.

A economia aumentou a produção mais rápido do que a quantidade de dólares. Hoje, em algumas indústrias de crescimento muito rápido, como telefones celulares e laptops, os preços caem, mas em quase todas as outras indústrias cresce a um ritmo mais lento do que a oferta de moeda, e isso significa que os preços sobem. Mas isto não tem que ser o caso.

5) Estagflação

De acordo com a teoria keynesiana, preços estão subindo e desemprego está caindo ou preços estão caindo e desemprego está subindo: uma situação onde preços estão subindo e desemprego está subindo é impossível. Porém, isso é falso, pois:

Nos anos 1970, no entanto, muitos países ocidentais experimentaram a ?estagflação?, ou desemprego alto e inflação simultaneamente, um fenômeno que contradiz a visão de Keynes.[7]

Até hoje estudantes de macroeconomia aprendem que há um trade-off direto entre inflação e desemprego. Porém, os anos 1970 mostram que isso é claramente falso.

Então, o que é que está acontecendo?

Apesar de enormes falhas da teoria keynesiana, como é que essa teoria continua sendo a teoria mais ensinada na profissão de economista? É uma questão que está aí para debate, porem, assinalarei esse fato: o Banco Central é uma instituição que explicitamente keynesiana em suas políticas. O Banco Central diminui os juros durante recessões com o intuito de estimular a economia. Isso também é conhecido como imprimir dinheiro. E quais são algumas das coisas que ele faz com esse dinheiro?

O Banco Central, através de sua extensa rede de consultores, acadêmicos visitantes, alunos e economistas domina tão completamente o campo da economia que a crítica real do banco central tornou-se uma deficiência de carreira para os membros da profissão. [8]

Agora, eu não confrontaria o seu professor, acusando-o de corrupto, ele é quem dá suas notas. Porém, o envolvimento do Banco Central na academia é um fato interessante de se perceber.

Notas

[1] http://www.voxeu.org/index.php?q=node/4105

[2] http://www.washingtonpost.com/opinions/warren-harding-curing-a-depression-through-austerity/2012/01/19/gIQA5VEsEQ_story_1.html

[3] http://econlog.econlib.org/archives/2010/07/paul_samuelsons.html

[4] https://www.mtholyoke.edu/courses/sgabriel/keynes.htm

[5] http://hbswk.hbs.edu/item/6420.html?wknews=052410

[6] http://www.nytimes.com/2006/06/02/opinion/02morris.html?_r=1

[7] http://www.britannica.com/EBchecked/topic/668896/stagflation

[8] http://www.huffingtonpost.com/2009/09/07/priceless-how-the-federal_n_278805.html

Tradução de Russ da Silva. Revisão de Erick Vasconcelos.


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