Atlas Shrugged, Part 1
- Escrito por David Kelley
Por David Kelley
Desde que o projeto foi lançado no último mês de abril, céticos se perguntam como um filme com orçamento limitado em U$10 milhões, com um calendário apertado, e sem um talento de nome pode possivelmente fazer justiça ao romance. Com mais de mil páginas, com um enredo intrincado, uma atmosfera épica, mistérios e um herói que não aparece até o terço final da história, e um complexo tema filosófico, Atlas Shrugged colou um desafio insuperável para os criadores do filme. As ruas de Hollywood estão repletas de cinzas de tentativas anteriores, algumas com orçamentos muito maiores.
Os céticos estão errados. O filme completo foi passado hoje pela primeira vez em uma sessão privada. Ele é simplesmente maravilhoso. Com um roteiro que segue religiosamente a narrativa e a mensagem do romance, a adaptação está produzida de forma excepcional. A interpretação, cinematografia e trilha sonora criam uma poderosa experiência da história.

Taylor Schilling está fascinante como Dagny Taggart, a mulher que administra o sistema ferroviário da Taggart Transcontinental com inteligência e coragem enquanto enfrenta a interferência do presidente da empresas, seu irmão incompetente James (Matthew Marsden), e suas crias políticas. Schilling está bem acompanhada de Grant Bowler, que faz o papel do produtor de aço Hank Rearden. A história começa com Rearden começando a produzir seu novo tipo de metal que ele inventou; e Dagny é sua primeira cliente. Ela quer trilhos do metal para trocar a linha no Colorado, que está florescendo com o crescimento dos negócios, liderado pelo produtor de petróleo Ellis Wyatt, que está clamando por melhor transporte para seus produtos.

O filme cobre o primeiro terço do romance de Rand, a história triunfante da construção da “Linha John Galt” – seguida por uma onda de decretos governamentais que sobrecarrega a linha com encargos impossíveis, fazendo do triunfo uma batalha vencida em uma guerra entre produtores e parasitas, e criando o palco para as batalhas das partes 2 e 3. O filme não faz rodeios a este respeito: o tema de criadores contra parasitas vem através de forma importante em cenas como a que Rearden é forçado a vender suas empresas satélites. Bowler captura a agonia de um homem tendo sua vida profissional tirada dele.
O filme fez um trabalho incrível de criar visualmente o mundo de Atlas Shrugged. Rand criou um mundo em declínio. Construções e maquinários estão sem manutenção, coisas quebradas que não serão consertadas e empresas fechando. A economia está em um estado severo de depressão, e há uma depressão do espírito também, um sentimento de desolação, futilidade e resignação capturado em uma expressão popular: “Quem é John Galt?”.

Compondo o problema está o desaparecimento de pessoas altamente talentosas, pessoas que estão no topo de seu sucesso. Isso está acontecendo, claro, porque John Galt está liderando uma greve dos produtores contra a expropriação da sua riqueza, tempo e esforço produtivo. Embora a greve continue praticamente fora do filme, Galt ganha um papel mais ativo do que na primeira parte do romance. Nós não vemos seu rosto, mas nós vemos ele recrutando grevistas e ouvimos partes de sua mensagem. Infelizmente, isso não é executado com um poder de persuasão muito diferente do que o recrutador filosófico de Rand deve ter.
O romance foi filmado em um indefinido “dia depois de amanha”, um mundo que está sempre na nossa frente, como o horizonte do qual nos aproximamos. Os produtores fizeram a decisão controversa de datar a história em 2016, presumivelmente para explorar os paralelos com os eventos atuais, e estabelecer filmagens nas cidades, linhas de trem, e as ações governamentais como uma extrapolação do que vem ocorrendo atualmente. Essas cenas depressivas são ofuscadas por cenas de triunfo maravilhosas. A inauguração da “Linha John Galt” é uma sinfonia visual (mesmo com alguns deslizes nos efeitos especiais).

Por mais de meio século, o romance de Rand tem sido um para-raios de controvérsias. Ele atraiu milhões de fãs devotos – e legiões de críticos hostis. Uma adaptação pobres pode ser ignorada por ambos os lados. Essa adaptação não pode ser ignorada. Ela está muito boa. Ela vai turbinar o debate sobre a visão de Ayn Rand do capitalismo como um ideal mora. Se você ama o romance ou o odeia, Atlas Shrugged Parte 1 é um filme que deve ser visto.
Tradução de Juliano Torres.
P.S.: Legenda do filme feita pelo Portal Libertarianismo aqui.
