+ Minorias Apartheid - Soweto

Published on julho 14th, 2013 | by Thomas Sowell

O estatismo versus os negros

Não há dúvida de que os progressistas fazem um trabalho impressionante para expressar sua preocupação com os negros. Mas as intenções que constam nos seus discursos correspondem às consequências vistas na realidade?

São Francisco é um exemplo clássico de uma cidade insuperável em seu estatismo. Contudo, a população negra de São Francisco hoje é menor do que a metade do que era em 1970, apesar de sua população total ter crescido.

Restrições severas à construção de moradias em São Francisco fizeram com que os preços e aluguéis das casas ficassem tão altos que os negros e outras pessoas de renda média ou baixa fossem indiretamente expulsos da cidade. A mesma coisa aconteceu em um número de outras comunidades californianas dominadas pelos democratas.

Os progressistas tentam demonstrar sua preocupação pelos pobres aumentando o valor do salário mínimo na lei. Mesmo assim, eles não mostram interesse no fato que as leis sobre o salário mínimo geram níveis desastrosos de desemprego entre jovens negros no país, da mesma forma que tais leis geraram altas taxas de desemprego entre jovens em geral nos países europeus.

As famílias negras sobreviveram séculos de escravidão e gerações de leis Jim Crow [N.R.: Leis Jim Crow foram um conjunto de medidas que tornaram a segregação em alguns estados dos EUA não só legal, como obrigatória], mas se desintegraram como resultado da expansão do estado de bem-estar estatista. A maioria das crianças negras cresceu em famílias com pai e mãe naquela época, no entanto, hoje, só cresce com um.

Os progressistas apoiam a ação afirmativa, supostamente para benefício dos negros e outras minorias. Mas dois estudos recentes (baseados em dados) mostram que a ação afirmativa nos processos de admissão ao ensino superior levaram estudantes negros com todas as qualificações para o sucesso ao fracasso artificial pela alocação nas faculdades erradas por causa das cotas raciais.

Os dois livros mais recentes que mostram isso com provas concretas são “Mismatch” de Richard Sander e Stuart Taylor, Jr. e “Wounds That Will Not Heal” de Russell K. Nieli. Meu livro “Ação afirmativa around the World” mostra a mesma coisa com evidências diferentes.

Em todos esses casos, e em muitos outros, os estatistas defendem uma posição que os fazem parecer bons e se sentir bem – e mostrar muito pouco interesse nas consequências reais para os outros, mesmo quando as políticas progressistas deixam um rastro de destruição em seu caminho.

A cruzada estatista atual por leis de “controle de armas” é mais da mesma coisa.

Estudos factuais no decorrer dos anos, tanto nos Estados Unidos como em outros países, repetidamente mostram que as leis de “controle de armas” não reduzem os crimes cometidos com armas.

Cidades com algumas das leis mais rígidas em relação ao controle de armas no país possuem taxas de assassinatos muito maiores do que a média nacional. Na metade do século XX, Nova York tinha leis muito mais rígidas sobre o controle de armas do que Londres, mas Londres tinha índices de crimes mais baixos oriundos do posse de arma. Ainda assim, crimes com armas em Londres dispararam depois que leis severas de controle de armas foram impostas no decorrer das décadas seguintes.

Embora o controle de armas não seja sempre considerado uma questão racial, um número totalmente desproporcional de norte-americanos mortos por arma de fogo são negros. Mas aqui, como alhures, a devoção dos progressistas a sua ideologia vastamente supera sua preocupação sobre o que verdadeiramente acontece aos seres humanos de carne e osso como resultado de sua ideologia.

Uma das cruzadas progressistas mais polarizantes e contra produtivas do século XX tem sido a cruzada decenal para enviar crianças negras para escolas predominantemente de brancos. A ideia por trás disso remonta ao pronunciamento do Ministro da Justiça Earl Warren “escolas separadas são inerentemente desiguais”.

Ainda assim, a poucos passos da Suprema Corte onde tal pronunciamento foi feito, existia uma escola de ensino médio de alunos negros que havia obtido resultado maior do que 2/3 das escolas predominantemente brancas da cidade no mesmo teste – isso em 1899! Mas quem se importa com os fatos, quando você está em uma cruzada progressista que o faz sentir-se moralmente superior?

Desafiar a segregação e discriminação racial imposta pelo governo é uma coisa. Mas afirmar que os negros recebem melhor educação se eles se sentarem próximos a brancos em uma escola é algo muito diferente. E é algo que vai em contra dos fatos.

Muitas ideias progressistas sobre raça parecem plausíveis, e é compreensível que essas ideias podem ter sido atraentes 50 anos atrás. O que não é compreensível é como tantos estatistas podem cegamente ignorar 50 anos de evidências em contrário desde então.

 

Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro.


About the Author

Thomas Sowell

Thomas Sowell é um economista americano, crítico social, comentarista político e autor. Ele frenquentemente escreve como um defensor da economia laissez-faire, e sua visão política pode ser geralmente classificada como libertária.


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